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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Ter | 26.10.21

Visita a Vila Real de Santo António

A encantadora Vila Real de Santo António, terra de fronteira, localizada nas margens do grande Rio Guadiana impressiona quem a visita pela sua singular beleza. Tem um traçado geométrico que recorda mais a baixa pombalina lisboeta do que as suas cidades vizinhas algarvias, mas não admira… foi fundada em 1774 por vontade expressa do Marquês de Pombal e hoje é considerada uma maravilha do planeamento urbano do século XVIII.

fullsizeoutput_601bFotos: Travellight e H. Borges

VRSA costuma ser uma cidade pacata, com uma atmosfera agradável e descontraída, principalmente no Outono quando há menos turistas, mas no dia em que lá cheguei estava barulhenta e cheia de gente. Parecia ter sido invadida por espanhóis! Está certo que estava a poucos quilómetros da fronteira e Ayamonte era logo ali ao lado, mas nada me tinha preparado para aquela enchente (nestes tempos pós-pandemia, qualquer sombra de multidão  ainda faz confusão...)

Em pouco tempo percebi o que se passava: Era feriado em Espanha e nuestros hermanos tinham vindo em peso passá-lo em Portugal. “Tudo bem”, pensei, "a economia agradece".

Respirei fundo (por trás da máscara) e aceitei a confusão. Afinal até dá gosto ver o movimento nas ruas e as lojas a transbordar de gente 😃.

Avancei devagar até à emblemática Praça Marquês de Pombal. Eram tantos os espanhóis que a cada passo tropeçava nos pés de alguém, mas com cuidado lá cheguei e deparei-me com uma maravilhosa feira de produtos regionais e antiguidades.

Havia mel, pão de alfarroba, pão de mel, cestos, figos, licores, queijos… Tudo do bom e do melhor. Um prazer para os olhos (e para a boca)!

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Apesar do movimento, a beleza da Praça projetada por Reinaldo Manuel dos Santos, mantinha-se inalterada. No centro estava o Obelisco a homenagear o Rei D. José I, para onde convergiam as linhas da calçada portuguesa. De frente via-se a Igreja Matriz, com a sua fachada neoclássica simples e, em toda a volta, belas casas caiadas de branco com telhados de terracota, compunham o postal mais famoso desta pequena cidade, de aparência grandiosa.

Andando pelas ruas secundárias descobri algumas lojinhas encantadoras, detalhes arquitetónicos interessantes e o Centro Cultural António Aleixo — edifício em que se alojava o quartel militar, quando da fundação da Vila, e que depois foi transformado em mercado da verdura. Atualmente é um espaço polivalente de animação cultural e tem o nome do popular poeta natural de VRSA.

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Um pouco cansada do barulho e da confusão, afastei-me do centro para a zona ribeirinha. A temperatura estava muito agradável e as vistas do Rio Guadiana convidavam ao passeio.

No caminho passei pela marina, pela antiga Casa da Alfândega e pelo Arquivo Histórico Municipal.  O Torreão Sul, edifício que alberga atualmente o Arquivo Municipal, constituía o limite sul da fachada da Vila no seu traçado inicial. Este é um dos mais importantes elementos arquitetónicos da zona histórica de Vila Real de Santo António, e foi recuperado e restaurado de acordo com a sua traça original.

Espreitei também os painéis de azulejo da Capitania, construída no local em que antes existiu a Fábrica de conservas Victoria, e à distância ainda vi o Farol erguido em 1923.

Já a fazer o caminho de regresso para o centro, reparei nos bonitos edifícios que povoam a Avenida da República, como o Antigo Hotel Guadiana, hoje Grand House Hotel, onde tive a sorte de ficar hospedada. É uma obra do arquiteto Ernesto Korrodi, em estilo Art Nouveau e foi muito bem recuperada.

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Com a hora do almoço a chegar parei no Restaurante Cantarinha do Guadiana para um belíssimo repasto: javali no barro e arroz de cabidela. O difícil foi levantar da mesa depois 😉.

UNADJUSTEDNONRAW_thumb_11ec7Collage_FotorOs excessos do almoço pediam um pouco de exercício, por isso segui para o Parque Natural da Mata Nacional das Dunas Litorais, uma floresta costeira composta por pinheiros e dunas com trilhos para caminhadas e ciclismo que se estendem até à cidade vizinha de Monte Gordo. É o lugar perfeito para fugir das multidões. Abaixo da floresta existe também um lindo trecho de praia a emoldurar as águas do mar algarvio.

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Respirei o aroma fresco dos pinheiros, fiquei a ver as ondas a baterem suaves na praia e depois regressei ao centro. Nessa altura os espanhóis já tinham começado a partir e VRSA voltava a recuperar toda a sua tranquilidade.

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Olhei para o Guadiana que brilhava ao sol e ali fiquei, a sonhar…

 

O homem sonha acordado;

Sonhando a vida percorre…

E desse sonho dourado

Só acorda, quando morre!

— António Aleixo

 

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