Palácio de Belém | A residência mais disputada dos próximos meses
Com as eleições presidenciais marcadas para janeiro próximo, visitar o Palácio de Belém é uma oportunidade única para conhecer a residência oficial daquele que será o próximo Presidente da República Portuguesa. Este edifício histórico, situado em Lisboa, é não só um símbolo do poder político nacional, mas também um testemunho da riqueza patrimonial e artística do país.
Fotos: H.Borges e Travellight
Para visitar o Palácio de Belém é necessário fazer uma marcação prévia através dos contactos indicados no site oficial do Museu da Presidência. A visita guiada a este espaço percorre habitualmente a ala protocolar do Palácio, passando pela Sala das Bicas, Sala de Jantar, Sala Dourada, Capela, Sala Império, Sala dos Embaixadores e o Gabinete Oficial do Presidente da República. Já no exterior, visitam-se o Pátio dos Bichos e os jardins do Buxo, das Tileiras e da Cascata, permitindo descobrir recantos surpreendentes e histórias curiosas.
O Palácio
O primeiro Palácio de Belém, mais pequeno que o atual, foi mandado construir em 1559, por D. Manuel de Portugal, filho dos condes de Vimioso. No século XVIII, D. João V adquiriu a propriedade e remodelou-a profundamente, acrescentando cavalariças e ampliando os jardins. O edifício sobreviveu ao forte terramoto de 1755 e, após a implantação da República em 1910, foi escolhido como residência oficial do Presidente da República. Desde 2007, está classificado como Monumento Nacional.
Em termos de arquitetura, o palácio mistura estilos barroco e neoclássico, com uma planta retangular dividida em cinco partes. A fachada principal, voltada para a Praça Afonso de Albuquerque, é discreta mas cheia de charme, com varandas que dão para os jardins. O interior foi sendo decorado ao longo dos séculos XIX e XX, com salas protocolares bem ornamentadas, estuques, tapeçarias e mobiliário de época. Entre os espaços mais emblemáticos estão a Sala Dourada, usada para receções oficiais, e a Capela, que não apresenta decoração religiosa tradicional, mas sim uma intervenção artística contemporânea da pintora Paula Rego.
Durante o mandato do Presidente Jorge Sampaio, foi feita uma encomenda especial à artista, que resultou no ciclo “A Vida da Virgem Maria” — um conjunto de oito quadros a lápis pastel que retratam momentos marcantes da vida de Maria, como a Anunciação, o Nascimento de Cristo e a Assunção. Estas obras substituíram a decoração anterior e conferem à capela uma dimensão artística única, onde a espiritualidade se cruza com a expressão visual intensa e pessoal de Paula Rego. Embora o espaço já não seja utilizado para culto, continua acessível ao público como parte integrante da visita ao palácio.












Os Jardins
Quem passeia por Belém, e nunca entrou no Palácio, talvez não imagine que por detrás dos muros escondem-se belos jardins, com muito mais para contar do que apenas cerimónias protocolares.
Criado no século XVI e redesenhado com traçado geométrico no tempo de D. Maria I, por volta de 1780, o Jardim do Buxo é o maior dos jardins do Palácio e, em tempos,chegou a ter o rio Tejo aos pés, a poucos metros de distância. Hoje, continua a ser um dos locais mais utilizados para receções oficiais, especialmente nos dias de sol, quando a varanda principal se abre para este cenário verde. Por baixo dessa varanda, encontramos outro ponto de interesse: uma casa de fresco decorada com esculturas, estuques e bancos de pedra ideais para sentar e descansar em dias de grande calor.
O Jardim das Tileiras, o Jardim da Cascata, entre outros, compõem o conjunto paisagístico do Palácio, misturando estilos e épocas. Cada um tem o seu carácter: uns mais formais, outros mais românticos, mas todos com detalhes curiosos, como grutas renascentistas, fontes ornamentadas e esculturas imponentes.
O Jardim da Cascata, originalmente concebida como viveiro de aves exóticas e espaço de lazer da corte é particularmente interessante.
Mandado construir por D. Maria I entre 1780 e 1785, integra-se na tradição dos jardins palacianos europeus, onde o espetáculo da natureza se aliava à arquitetura decorativa. Este jardim não era apenas um espaço verde, mas uma verdadeira instalação artística e cenográfica. Íncluía uma cascata artificial e luxuosas gaiolas para aves raras trazidas de várias partes do Império português
Após décadas de abandono, o jardim foi alvo de uma reabilitação promovida pela Presidência da República com apoio do Turismo de Portugal, tendo sido devolvido ao público em 2009 como espaço para exposições e pequenos espetáculos.












O Pátio dos Bichos
Este pátio foi concebido como parte de um conjunto de espaços destinados ao recreio da família real. Servia para acolher animais exóticos e funcionava como uma espécie de pequeno jardim zoológico privado da corte, muito comum em palácios europeus da época, refletindo o gosto pela curiosidade natural e pela ostentação de espécies raras, muitas vezes trazidas das colónias.
Era um local de lazer, onde a corte podia observar os animais e desfrutar de momentos de descontração num ambiente controlado. Com o passar do tempo, e sobretudo após a transformação do palácio em residência oficial do Presidente da República, o pátio perdeu essa função zoológica, mas manteve o nome e o valor histórico, ajudando a compreender melhor o quotidiano da corte portuguesa e o modo como os espaços eram usados para afirmar prestígio e domínio sobre o mundo natural.

O Museu
O Palácio Nacional de Belém é também casa do Museu da Presidência, um espaço que convida à descoberta da história política contemporânea de Portugal, com uma abordagem acessível.
O museu, criado com o intuito de aproximar os cidadãos da instituição presidencial, apresenta exposições permanentes e temporárias que abordam temas como os símbolos do Estado e os momentos marcantes da democracia portuguesa. Mostram os presidentes que passaram pelo cargo, os seus objetos pessoais, documentos históricos e até os presentes protocolares que receberam ao longo dos mandatos.






Como visitar
Para visitar o Palácio Nacional de Belém, é necessário planear com alguma antecedência, já que as visitas são limitadas a determinados dias e horários. As visitas guiadas decorrem exclusivamente aos sábados, com sessões às 10h30, 11h30, 14h30, 15h30 e 16h30. O palácio está encerrado à segunda-feira e em feriados como 1 de janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de maio e 25 de dezembro.
É necessário fazer uma reserva prévia e verificar se há alterações de última hora devido à agenda presidencial, que pode condicionar ou cancelar visitas. A marcação de visitas faz-se por telefone (213 614 980) ou e-mail (museu@presidencia.pt) e está sujeita a confirmação por parte do Museu da Presidência da República, que será garantida até às 17h da sexta-feira anterior.
Os bilhetes podem ser adquiridos diretamente no local ou através do site oficial do Museu da Presidência da República.
O bilhete geral custa 5 €, com descontos, entre outros, para estudantes e seniores.
À entrada, todos os visitantes passam por uma revista de segurança efetuada pela PSP, sendo proibida a entrada com objetos perigosos. O circuito da visita pode incluir salas históricas, jardins e exposições temporárias, dependendo da disponibilidade e da agenda oficial.
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