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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Dom | 08.03.20

Mulheres pioneiras na história das viagens

A ideia de que todas as viagens importantes da historia foram realizadas por homens, ainda paira na mente de muito boa gente. Embora as mulheres tenham feito grandes progressos para se afirmar, a ideia de que são incapazes ou frágeis demais para realizar algo tão monumental quanto uma circum-navegação do globo, por exemplo, ainda prevalece.

Por isso, para o bem das gerações atuais e futuras, partilho as histórias de algumas mulheres incrivelmente ousadas, que souberam responder ao chamado da aventura, desbravaram novos caminhos, quebraram recordes e abalaram o status quo vigente.

Estas heroínas nasceram em épocas diferentes e cresceram em circunstâncias muito diversas, mas todas tem uma coisa em comum — são ícones da narrativa feminina de viagens.

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Maria de Lourdes Braga de Sá Teixeira

Maria de Lourdes, mais conhecida como “Milú”, nasceu numa família da média-alta burguesia portuguesa e era filha de Afonso Henriques Botelho de Sá Teixeira, um coronel que também era médico. Milú era apaixonada por aviões e por volta dos 20 anos, decidiu que queria aprender a pilotar um. O seu pai opôs-se veemente a este desejo mas perante o enfraquecimento do estado de saúde da filha (que ficou doente ao ser contrariada) mudou de ideia e permitiu-lhe prosseguir com o seu sonho.
Milú obteve o seu brevete de piloto no dia 6 de dezembro de 1928, com um avião Caudron G3, na Escola Militar de Aeronáutica e o seu instrutor foi o então capitão piloto-aviador Craveiro Lopes, que mais tarde seria Presidente da República.

Antónia Rodrigues

Antónia Rodrigues foi uma mulher que destacou-se na época dos Descobrimentos Portugueses.
Numa altura em que não era permitido às mulheres viajarem nos navios, Antónia cortou o cabelo, comprou roupas de homem e foi oferecer-se para embarque ao mestre de uma caravela que ia zarpar para o norte de África. O mestre aceitou “aquele rapaz” que dizia chamar-se António Rodrigues e atribuiu-lhe tarefas de grumete.
 
Durante a viagem trabalhou com muito afinco e recebeu elogios de toda a gente. Ao chegar a Mazagão assentou praça como soldado e depressa se distinguiu pela sua destreza e valentia. Os bons serviços prestados valeram-lhe ser promovida a cavaleiro e nessa qualidade ganhou fama.

Como associava à bravura uma simpatia natural e um trato amigável, começou a despertar paixões entre as poucas raparigas que viviam em Mazagão. Nessa altura é que tudo se complicou… Uma família que tinha uma filha solteira começou a convidar aquele jovem e amável "cavaleiro" para jantar e passar o serão, cobrindo-o de presentes, na esperança de que ele quisesse casar com a filha.
Receando ser descoberta, Antónia preferiu confessar toda a verdade. Um casal bondoso acolheu-a e as candidatas a namoradas tornaram-se suas amigas. Algum tempo depois arranjou noivo e regressou a Lisboa casada e feliz.

Jeanne Baret

De origem humilde, Jeanne Baret, nasceu na França, na região de Borgonha. Quando foi trabalhar como governanta na propriedade do Dr. Philibert Commercon, um conhecido botânico, chamou a sua atenção e quando este foi convidado a participar na expedição que pretendia levar a cabo a primeira circum-navegação francesa do mundo, Baret foi junto como sua assistente... mas não como mulher.

Na época ainda não eram permitidas mulheres a bordo dos navios franceses, então Baret (tal como fez Antónia Rodrigues) escondeu a sua verdadeira identidade, disfarçou-se de homem, assumiu o nome de Jean e embarcou.
Os relatos diferem quanto ao momento em que as pessoas começaram a suspeitar que ela era na verdade uma mulher, mas a sua real identidade não foi oficialmente anunciada até o navio chegar ao Taiti em abril de 1768. Por esta altura já ela tinha desafiando o confinamento de género e consolidado o seu legado como a primeira mulher a circum-navegar o mundo. Quando regressou à França o seu lugar na história estava garantido.

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Em 1888, a ideia de uma carruagem sem cavalos, levantava dúvidas a muita gente, inclusive ao seu criador, Karl Benz.
Karl inventou o motorwagen, o primeiro carro motorizado, mas o seu sucesso deveu-se em grande parte à contribuição da sua esposa Bertha.

Inicialmente, o motorwagen - um veículo de madeira com duas rodas na traseira e uma na frente que funcionava com um motor a gasolina e sem recurso a animais, causou sensação (e susto), mas poucos acreditaram que era mais do que uma excentricidade passageira. Então, em 1888 Bertha, numa inteligente campanha de marketing decidiu, literalmente, pegar no volante e mostrar que o carro era capaz de percorrer sem dificuldades os 106 km que vão de Mannheim a Pforzheim, na Alemanha — algo impensável para a época. Recorde-se que os caminhos percorridos, tinham sido pensados para carroças, pelo que o percurso de mais de uma centena de quilómetros foi feito com enorme destreza por parte de Bertha. A viagem foi um êxito, potenciou as vendas e acabou por dar origem à empresa de carros de luxo que hoje todos conhecemos tão bem — a Mercedes-Benz.

nellieblyfullimage.0.0Elizabeth James Cochran "Nellie Bly"

Antes de viajar pelo mundo, Elizabeth James Cochran, mais conhecida por "Nellie Bly", construiu uma forte reputação como jornalista e foi uma das primeiras repórteres de investigação do mundo, se não mesmo a primeira. Um dos seus trabalhos mais conhecidos é uma reportagem onde descrevia os abusos a doentes mentais, nos sanatórios americanos. Para o escrever, ela própria internou-se num sanatório.

Quando em 1873, Jules Verne publicou o livro “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, Nellie apostou que conseguia fazer o mesmo em 75 dias. O seu editor do jornal New York World inicialmente resistiu em envia-la, afirmando que o facto de ser mulher iria dificultar a sua viagem. Em resposta Nellie disse-lhe: “Muito bem. Envie antes um homem, que eu vou começar no mesmo dia, para outro jornal, e vou vencê-lo. O editor então voltou a trás e deixou-a ir.
Ela, não só cumpriu, como superou o seu objetivo, dando a volta ao mundo em apenas 72 dias!

39403303earh_20010905_00071.jpgAmelia Earhart

Amelia Earhart é sem dúvida uma das primeira mulheres que nos vem à cabeça quando pensamos nas mulheres mais inspiradoras da história das viagens, mas poucos sabem que Earhart aprendeu a voar com a menos conhecida Neta Snook, que foi a primeira mulher a criar uma empresa ligada à aviação. Snook ensinou Amelia a voar em 1921 e a paixão de Earhart pela aviação levou-a a bater vários recordes e a ser a primeira mulher a atravessar o Atlântico em 1932.

Ativista, escritora e forte defensora dos direitos das mulheres, esta aviadora fora de série, teve uma vida curta, tendo desaparecido em algum lugar do Oceano Pacifico a 2 de julho de 1937 quando tentava circum-navegar o globo. O seu avião e o seu corpo nunca chegaram a ser encontrados.

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Valentina Tereshkova

Apesar de não ser muito conhecida, Valentina Tereshkova merece um lugar na lista de mulheres inspiradoras porque em 1963, tornou-se a primeira mulher a viajar no espaço.
A 16 de junho de 1963, aos 26 anos, Tereshkova partiu da Rússia no Vostok 6 e circulou a Terra 48 vezes em menos de três dias, registando mais tempo de voo do que todos os astronautas americanos tinham até essa data. Levou mais 19 anos até que a segunda mulher pudesse viajar até o espaço novamente. O que é ainda mais impressionante é que, de entre 400 candidatos e cinco finalistas, ela foi a escolhida para pilotar o Vostok 6.

12734049_Cabul_Afeganistão_redCassie De Pecol

Cassie De Pecol, na altura com 27 anos, tornou-se notícia em fevereiro de 2017 quando cruzou o Iémene num autocarro às 4 da manhã e com essa passagem concluiu o seu objetivo de se transformar na primeira mulher documentada a viajar por todos os países do mundo. Ela quebrou dois recordes mundiais do Guinness: foi a primeira pessoa (independentemente do género) a fazer a viagem mais rápida deste tipo e a primeira mulher a visitar todas as 196 nações soberanas.

Ela chamou a esta missão "Expedição 196" e durante o seu percurso serviu como embaixadora do International Institute of Peace Through Tourism, reunindo-se com ministros e estudantes de todo o mundo para divulgar a importância do turismo sustentável.


De Maria de Lourdes Braga de Sá Teixeira a Cassie De Pecol, estas mulheres (e tantas outras), com os seus esforços para alcançar aquilo que muitos achavam impossível, provaram-nos que nunca devemos deixar os contratempos, os “nãos” e as dificuldades, pautar a nossa vida e atrapalhar os nossos objetivos.

Feliz Dia da Mulher!

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