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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Inspiração, informação e Dicas de Viagem

Sex | 17.04.20

Muchas gracias Luis...

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Patagónia Express abriu-me a porta a Luis Sepúlveda. Ler o livro foi como descobrir um amor que nos arrasa ou uma paixão que nos atropela. A seguir veio O Velho Que Lia Romances de Amor, depois a História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar e tantos outros.

Assim que começava um livro não o conseguia deixar. Devorava as histórias em poucas horas, e mesmo estas pareciam minutos.
Luis Sepúlveda levava-me em viagem por lugares que eu ainda não conhecia e por outros que já pertenciam às minhas memórias. E tal como numa conversa longa com um bom amigo eu voltava a encontrar-me no fim do mundo, na Terra do Fogo, sob os céus infinitos da Patagónia Chilena, a ver os pedaços de gelo que se desprendiam do glaciar Gray e como enormes diamantes flutuavam até à praia onde o silencio era absoluto.

Recordo até hoje Ladislao Eznaola, que navega incansavelmente pelos canais à procura de um navio fantasma; o pequeno Panchito Barria, que morreu de tristeza; Bruce Chatwin, Coloane, Butch Cassidy e Sundance Kid... uma série de personagens excecionais, reflexões, contos, lendas e encontros que se entrelaçam no majestoso cenário do Hemisfério Sul, onde a aventura não é apenas possível ainda, mas é a dimensão diária da vida.
Pareciam notas de viagem, mas eram também notas de como se deve viajar. Como conhecer o mundo, Como olha-lo e como ama-lo.

Sepúlveda falava sobre política, reivindicava poesia e fazia os seus personagens pensarem em si mesmos e na sua história. Colocava-os em territórios virgens, não idílicos, que serviam de desculpa para falar sobre ativismo ambiental — mais evidente no Mundo do Fim do Mundo, História de um cão chamado Leal ou na História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, mas presente em todos eles.

Como me encantava com as suas histórias e aventuras onde tecia os fios da narrativa para dar vida a personagens pitorescos e tramas impregnadas de paixões e ideais. Ideais pelos quais ele tanto lutou.

Hoje volto a pegar nos seus livros e os meus sonhos levam-me ao universo ardente do deserto de Atacama onde rosas brotam da areia uma vez por ano para murchar depois de algumas horas sob o calor do sol e nos lembrar que a vida geralmente não passa de uma forma estoica de resistência.
Volto até à selva amazónica brasileira, até aos Lençóis Maranhenses, ao prazer de tomar uma cerveja gelada na noite de Ipanema, ao gosto de um guarapo tomado à beira do rio Fonce, na Colômbia e ao delicioso sabor de um cordeiro assado em Perito Moreno.

Revejo as livrarias da Avenida Corrientes em Buenos Aires; o mercado portuário de Montevidéu e a cidade de Hamburgo. Sinto tudo novamente… e agradeço a Sepúlveda por me continuar a transportar até lá, principalmente nestes dias em que só podemos viajar nas palavras e na imaginação.

"Nunca mais ficaria sozinho. Coloane transferira os seus fantasmas, personagens, índios e emigrantes de todas as latitudes que habitam a Patagónia e a Terra do Fogo, seus marinheiros e vagabundos. Todos vão comigo e permitem-me dizer em voz alta que viver é um ótimo exercício. ”

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