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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Qua | 28.09.16

O Magnifico Mont Saint-Michel

Conta a lenda que o Arcanjo Miguel apareceu numa pequena ilha rochosa localizada na foz do Rio Couesnon, na França, por volta do ano 708 e ordenou que fosse construida ali uma grande abadia. A dificuldade da tarefa seria uma prova de fé.

A prova foi superada e hoje neste local encontramos um verdadeiro testemunho do engenho humano.

fullsizeoutput_4168  Foto: Pxhere

Desde miúda que tenho uma grande devoção por São Miguel Arcanjo, por isso uma visita ao maior santuário que lhe foi dedicado, o lendário Mont Saint-Michel era importante para mim. Posso dizer que a experiência valeu muito a pena.

A pequena ilha, acessível a pé na maré baixa, fica praticamente no meio do nada mas é fácil de chegar até lá a partir de Paris. Basta apanhar o TGV para Rennes e de Rennes apanhar um autocarro para o Mont Saint-Michel. 

O autocarro pára no exterior da cidade fortificada. Temos de sair e caminhar até à entrada. De longe é possível vislumbrar logo toda a ilha e a magnifica Abadia no seu topo. E a imagem impressiona! É um verdadeiro cartão postal.

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  Fotos: Travellight e H. Borges

A construção, mesmo de acordo com os padrões atuais não terá sido nada fácil. Não só a abadia e a cidade envolvente foram construídas sobre um afloramento de granito na baía, como também tem de enfrentar repetidamente as marés mais altas de toda a Europa. O desnível entre maré baixa e maré alta, segundo me disseram, pode chegar até aos 15 metros.

A aparência do Mont Saint-Michel varia muito conforme a época do ano, as fases da lua, o dia e a hora da visita, por isso cada pessoa pode ter uma experiência diferente. É possível encontrar a ilha totalmente envolvida pela água (como todas as ilhas normais) ou então isolada no meio de um imenso areal. Também já vi fotos em que a ilha parece estar no meio de uma enorme pastagem. É muito interessante, quase mágico. 😊

Vejam em baixo 2 perspetivas diferentes da ilha, para verem como o cenário pode mudar:

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Declarado Património Mundial pela UNESCO em 1979, o Mont Saint-Michele foi, durante séculos, um reduto estratégico para Bretões e Franceses, nunca tendo sido conquistado, nem mesmo pelos Ingleses durante a Guerra dos Cem Anos. É um local carregado de História e de histórias.

Uma das mais curiosas é que depois da Revolução Francesa o Mont Saint-Michel foi transformado numa prisão que só encerrou em 1863. Vestígios desse tempo ainda estão presentes na ilha.

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A pequena cidade medieval localizada na parte baixa do monte é encantadora, apesar de muito turística... Assim que atravessamos as muralhas de acesso à parte interior passamos logo por uma rua estreita que oferece tudo o que podemos esperar encontrar numa atração popular: restaurantes e lojas de lembranças. Por todo o lado há postais, medalhinhas, camisolas, chocolates, vinhos, biscoitos, etc, etc. Eu aproveitei e experimentei logo os famosos “galettes brettones”, um doce típico da região 😋.

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Para chegarmos à abadia temos de subir por um numero incontável de escadas (já repararam na quantidade de atrações que ficam no topo de montes, montanhas e encostas? Para viajar temos de estar em forma, uff! 😅)

A subida custa mas vale a pena, a abadia é magnifica! Visitas guiadas (em várias línguas) estão disponíveis para quem estiver interessado em conhecer melhor a história do local, mas como eu tinha lido bastante sobre o Monte antes de lá chegar resolvi explorar por conta própria.

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O caminho a seguir está bem sinalizado e conduz-nos através de uma série de divisões como salões, criptas, claustros e jardins internos. Os espaços estão agora vazios — com exceção de algumas esculturas e vitrais — mas os detalhes medievais permitem imaginar como era a vida ali há centenas de anos atrás.

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Durante o percurso acabamos por chegar a um terraço de onde podemos observar, não só as antigas muralhas de pedra, as arcadas imponentes e as torres de fortificação da cidade, mas também uma vista panorâmica da baía. 

Quando a maré está baixa é possível percorrer a pé o imenso areal, mas esta atividade pode ser perigosa. É preciso conhecer bem a região para evitar os locais onde a areia é movediça e saber de cor os horários da maré — Se a pessoa se distrai pode ficar numa situação bem complicada...

Os moradores locais dizem que as marés sobem à velocidade de cavalos a galopar. É muito, muito rápida, por isso se estiverem interessados em realizar este passeio, o melhor é contratar um guia especializado. O balcão de apoio ao turista tem uma lista com vários nomes. 

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Ficar hospedado na cidade é possível, mas não fica barato. Eu pessoalmente achei o hotel e restaurantes muito caros (medíocres até) para a comida e serviço que ofereciam, mas não deixei que isso estragasse o meu bom humor, afinal de contas, talvez eu tivesse tido azar nas minhas escolhas e depois a comida podia não prestar mas o vinho não era nada mau. 😃

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A vantagem de pernoitar aqui é poder assistir ao pôr do sol na baía e poder apreciar a cidade vazia durante a noite, sem as centenas de turistas que a “ocupam” durante o dia.

Quando o sol se põe, os autocarros de excursão partem e a cidade esvazia-se. Quem fica por lá tem a sensação de ter a cidade toda para si. A animação dá lugar ao silêncio e as ruas ficam serenas,  misteriosas, quase assustadoras. Sentes um arrepio na espinha quando imaginas os fantasmas de monges e antigos prisioneiros que morreram ali (mas isso sou eu e a minha imaginação fértil 😜).

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Tchau!

Travellight

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