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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Qua | 14.07.21

Memórias de um fim de semana em Cannes

Quando se pensa em Cannes, pensa-se em glamour, em estrelas da 7ª arte, em vestidos de gala e no azul do mar mediterrâneo... mas será que vale a pena visitar esta antiga vila de pescadores que vive o ano inteiro da fama que retira de um festival de cinema que dura menos de 15 dias?

Bom, depende do que se procura… Mas se o vosso interesse é relaxar no sul da França, comer bem, beber bom vinho, nadar, apanhar sol e passear, e não se importam de gastar algum dinheiro com isso, então sim. Uns dias aqui podem ser verdadeiramente inesquecíveis!

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Recordo-me de passar um fim de semana prolongado em Cannes, num verão, há uns anos atrás. Já conhecia, mas só de passagem, nunca tinha chegado a ficar lá hospedada. Sempre achei que a cidade era pequena demais… e demasiado sobrestimada. Mas sou obrigada a confessar que, quando abri a janela de manhã e dei de cara com o azul brilhante do mar mediterrâneo e com o passeio La Croisette, que o abraça, fiquei irremediavelmente apaixonada.

O que é que eu posso fazer? O mar conquista-me sempre :-)

Não demorei a responder ao seu chamado. Saí cedo do hotel, passei no Mercado de Forville para comprar ingredientes para um belo piquenique, e segui para o porto Quai Laubeuf para apanhar um ferry para a Ile Sainte Marguérite, uma das duas ilhas de Lérins.
Nas visitas anteriores a Cannes não tinha tido tempo de conhecer Saint Honorat e Sainte Marguérite, mas agora não havia porque não o fazer.

A viagem demorou só 15 minutos.

Sainte Marguerite é a maior das duas ilhas e apesar de ter apenas 3 km de comprimento por 1 km de largura, abriga um património natural excecional composto por 150 hectares de floresta de eucaliptos e pinheiros de Aleppo e um fundo do mar de notável transparência.

Existe um percurso botânico que podemos seguir para observar as várias espécies de árvores e plantas marinhas, e a oeste da ilha fica a lagoa Bateguier — um santuário de aves migratórias.

A ilha não tem vestígios dos seus primeiros ocupantes, os ligurians, nem dos romanos que os seguiram. A partir do século V e por mil anos, esteve nas mãos dos monges de Lérins, que ergueram uma capela em homenagem a Sainte Marguerite e deram à ilha o seu nome atual.

A posição estratégica de Sainte Marguerite foi determinante para a construção do Fort Royal, uma estrutura defensiva construída pelos franceses e ampliada pelos espanhóis (que ocuparam a ilha durante a Guerra dos 30 Anos).

De novo nas mãos dos franceses, o forte foi convertido em prisão e teve alguns “hóspedes” famosos como o Homem da Máscara de Ferro, que segundo consta, esteve ali preso durante 10 anos…
Algumas celas foram preservadas e podem ser visitadas juntamente com o Museu Marítimo adjacente que reúne uma importante coleção de arqueologia subaquática e terrestre, destroços de barcos encalhados ao largo das ilhas, bem como uma maqueta que mostra o sistema hidrológico das cisternas romanas.

Visitei o Fort Royal e o museu e depois dei uma volta pela floresta e pelas margens rochosas da ilha. Acabei por parar numa das pequenas enseadas e sentei-me a apreciar a vista e as iguarias que tinha no meu cesto de piquenique.

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Ainda era cedo e eu queria ir até Ile St Honorat, mas descobri que para isso tinha de voltar a Cannes e apanhar um novo barco — não há ferry entre ilhas :-(

Regressei então ao continente e optei por deixar a visita a Saint Honorat para outro dia. Fui antes até à Plage du Midi — uma praia pública localizada do outro lado do porto de Cannes, que tem uma grande extensão de areia e menos pessoas do que as praias privadas.

O tempo estava ótimo e o mar convidava a banhos, por isso fiquei por ali, a aproveitar o que a Côte d’Azul tem de melhor: O sol e a praia.

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Ao fim da tarde subi a colina até Le Suquet, o centro histórico de Cannes.

Este bairro de ruas sinuosas e muitas escadas é um labirinto onde antes viviam pescadores. Hoje porém, está ocupado por bares, lojas e restaurantes como o Table 22 (Rue St Antoine 22) que na happy hour, oferece um prato de petiscos (estilo tapas), com uma vasta seleção de vinhos. É uma ótima opção para jantar.

As principais atrações do bairro são a Église Notre Dame d'Esperance, uma igreja do século XVI que é um dos ícones de Cannes e o Museu de la Castre, que está localizado no topo da colina, ao lado da igreja, num castelo que pertenceu aos monges de Lérins
O museu exibe todo o tipo de objetos de arte e antiguidades, e a sua torre tem uma das melhores vistas da cidade. Assisti ali ao por do sol, antes de ir jantar.

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A vida noturna de Cannes é agitada (pelo menos antes da pandemia era…). Há muitos bares espalhados pelo centro da cidade e em Le Suquet, e também casas noturnas famosas como Le Bâoli  ou Medusa, situadas na La Croisette ou bem perto. Se decidirem ir a uma destas casas preparem-se para gastar, porque as bebidas não são nada baratas e uma mesa então, ui…

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Comecei o dia seguinte tarde, devagar, a recuperar de uma noite longa, com um passeio pela Croisette. Admirei a forma como o sol da manhã iluminava o mar, parecendo transforma-lo em prata e caminhei até ao promontório Pointe-de-la-Croisette. Depois segui para o Palais des Festivals sede do festival de cinema, aproveitando para espreitar as lojas que se encontram pelo caminho.

Se Los Angeles tem o seu "Passeio da Fama" no Hollywood Boulevard, Cannes tem o seu Chemin des Etoiles em frente ao Palais des Festivals, onde as estrelas deixam as suas assinaturas e as marcas das suas mãos.
Uma fã da 7ª arte como eu, não podia deixar de passar por aqui :-)

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Já era hora de almoço quando comecei a fazer o caminho de volta, por isso parei no Restaurante La Mandala para uma refeição com vista para o mar.

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Terminado o almoço resolvi apanhar mais uma vez o barco, desta vez para a Ilha de Saint Honorat.

Saint Honorat é o lar de um pequeno grupo de monges cistercienses que vivem e cuidam dos jardins do pequeno mosteiro da ilha desde o século V.
No centro de visitantes é explicado que, entre as orações, os monges cuidam de oito vinhas e vários olivais. O mosteiro produz um pinot noir altamente cobiçado que é servido no Festival de Cannes e se quisermos podemos fazer uma prova de vinhos, mas temos de marcar com antecedência.

O mosteiro em si é fechado ao público, mas a visita à igreja gótica é permitida.

Na ponta oriental da ilha fica uma fortaleza construída entre os séculos XI e XIV que do topo tem uma vista bonita para Cannes.

Saint-Honorat é um lugar calmo e tranquilo. Não há automóveis e a regra de silêncio em torno do mosteiro, juntamente com um número limitado de visitantes, garante o sossego total.

É muito agradável passear pelas pequenas praias e enseadas. Apanhar sol, tomar banho ou fazer snorkel. 

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Regressei a Cannes totalmente relaxada e preparei-me para o jantar no incontornável Restaurant La Palme d'Or.
Foi uma boa experiência gastronómica e uma das minhas melhores memórias de Cannes.

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Guardei para o último dia a visita ao parque florestal Croix-de-Garde, um recanto verde no coração da cidade.
É um parque bonito que fica a poucos minutos da Croisette e é um pequeno paraíso para quem gosta de caminhar e apreciar a flora mediterrânea.

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No final da viagem, posso dizer que Cannes me “convenceu”.

Fui feliz lá… e não me importo nada de voltar :-)

 

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Tchau!

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