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Qua | 29.01.20

Mardi Gras | O louco carnaval de New Orleans

Embora ninguém saiba ao certo quando ocorreu a primeira celebração do Mardi Gras nos Estados Unidos, a maioria dos historiadores acredita que aconteceu a 3 de março de 1699 quando os exploradores franceses Bienville e Iberville chegaram à área onde hoje é o Louisiana, trazendo consigo a tradição francesa do carnaval.

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Nas décadas seguintes, esta celebração ganhou fama e atualmente é uma das principais, se não mesmo a principal, festa de todo o estado do Louisiana.

Visitar New Orleans nesta época é garantia de muita animação. A festa começa muito antes da Terça-Feira Gorda ... 29 dias antes, para ser exata. Durante um mês inteiro antes do feriado católico de quarta-feira de cinzas, toda a cidade (e o estado da Louisiana) está em modo de carnaval.

Durante este período, desfiles grandes e pequenos enchem as ruas e a música é uma constante.

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Nos cafés há um delicioso cheiro a canela que emana dos tradicionais king cakes (bolos rei) que são consumidos no carnaval.

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As casas e varandas estão enfeitadas com as tradicionais cores verde, roxo e dourado e por todo o lado as pessoas desejam-nos “Happy Mardi Gras!"

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É fácil de participar nos desfiles (difícil mesmo é ficar de fora!). Perucas coloridas, colares de contas e chapéus são obrigatórios.

Cada desfile é realizada por um clube conhecido como krewe. Os krewes fazem festas ao longo do ano, mas o Mardi Gras é o evento para o qual todos se preparam.

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Eu sabia, do que eu tinha visto nos filmes e na televisão, que existe em New Orleans, a tradição de atirar colares de contas às raparigas que desfilam, mas não sabia que para além disso eles atiram peluches e outras coisas personalizadas com o símbolo de um krewe específico.

As pessoas agem de forma bastante competitiva para conseguir esses objetos (estão a ver as damas de honor a tentar apanhar o bouquet da noiva? É mais ou menos a mesma coisa, só que muito pior 😂). Ao contrário do que eu pensava (novamente por causa dos filmes e da televisão) as mulheres não precisam de mostrar o peito para conseguir os colares de contas. Há sempre muitas pessoas que os distribuem livremente.

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O clima é quente, há muito barulho, muito álcool, música, dança (até batalhas de dança)… Participar nestes desfiles não é para os fracos de coração e eu não os recomendo a quem não gosta de confusão.

Durante o mês do carnaval o Bairro Francês mostra todo o (estranho) encanto de New Orleans: músicos de rua a tocar em quase todas as esquinas, alguns deles vestidos com roupas de outros séculos, varandas de ferro forjado e persianas antigas atrás das quais luzes fantasmagóricas parecem surgir à noite... Quase que consegues imaginar Tennessee Williams a escrever “Um eléctrico chamado desejo” numa daquelas casas — afinal o conhecido dramaturgo viveu por mais de 40 anos neste bairro.

Depois há as casas de voodu, as lojas de vampiros, de bruxaria e todo o tipo de coisas paranormais. Passear no Bairro Francês de New Orleans é como andar num sonho … ou num pesadelo — dependendo do ponto de vista. A atmosfera é surreal!

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A oferta de álcool é imensa e intensa, principalmente na Bourbon Street, a rua mais famosa da cidade. Os bares, segundo me disseram, nunca fecham. É uma festa constante, 24 horas por dia, 365 dias por ano. É caótico.

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Aquela loucura toda, a certa altura, tornou-se demasiada para mim por isso preferi afastar-me um pouco e explorar as lindas casas do Garden District. Gostei de ver as cores suaves e apreciar a sua bonita arquitetura. Esta zona histórica de New Orleans, que já acolheu Mark Twain, hoje abriga outra escritora famosa — Anne Rice, a autora de “Entrevista com o Vampiro” tem uma casa aqui.

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A leste do bairro francês fica Faubourg-Marigny, conhecida como a zona hipster de New Orleans, principalmente a Frenchman Street que está cheia de estúdios de tatuagem, lojas vintage, mercados de rua e clubes de música onde tocam jazz e blues ao vivo. O ambiente aqui é bem mais agradável e sossegado que na Bourbon Street.

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Gostei de New Orleans, da sua história, música, atmosfera misteriosa e surreal, gostava de lá voltar, mas talvez não para o Mardi Gras. Reconheço que é uma experiência extraordinária, mas 1 vez para mim já foi o suficiente 😃

 

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