Hattusa | A Capital do desaparecido Império Hitita que hoje é uma das principais atrações arqueológicas da Turquia
Hattusa, antiga capital do Império Hitita, é uma das mais impressionantes atrações arqueológicas da Turquia. Situada perto da vila de Boğazkale, na província de Çorum, a cerca de 200 quilómetros a leste de Ancara, esta cidade milenar oferece aos visitantes uma experiência única: a possibilidade de caminhar entre vestígios de uma civilização que rivalizou com o Egito e a Mesopotâmia durante a Idade do Bronze.
Foto: Bernard Gagnon -CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=37792370
A inscrição de Hattusa como Património Mundial da UNESCO em 1986 reforça a importância histórica e cultural deste local, que se destaca pela monumentalidade das suas estruturas e pela riqueza dos seus arquivos.
Este não é apenas um destino para entusiastas da arqueologia, mas uma oportunidade de contacto direto com uma civilização que moldou o curso da história antiga. A sua importância diplomática, a sofisticação das suas construções e a riqueza documental tornam este sítio arqueológico uma paragem obrigatória para quem deseja compreender melhor as raízes do mundo moderno.
Hattusa remonta ao início do segundo milénio a.C., quando os hatitas, povo indígena da região, estabeleceram ali uma cidade-estado. Por volta de 1700 a.C., o rei Anitta de Kussara conquistou e destruiu Hattusa, deixando uma inscrição que amaldiçoava quem tentasse reconstruí-la. Ironicamente, foi o rei Hattusili I, também de Kussara, quem reocupou e transformou a cidade na capital do Império Hitita no século XVII a.C. A cidade atingiu o seu apogeu no século XIV a.C., ocupando cerca de 1,8 km² e tornando-se um centro político, religioso e diplomático de grande influência.
A arquitetura de Hattusa é marcada por muralhas ciclópicas, portões cerimoniais e templos monumentais. O Portão dos Leões, o Portão das Esfinges e o Portão do Rei são exemplos notáveis da engenharia hitita, construídos com blocos de pedra maciços e adornados com relevos simbólicos. Estes elementos não impressionam apenas pela escala, mas também revelam aspetos da religiosidade e da organização social dos hititas, permitindo perceber que a cidade dividia-se em duas zonas principais: a cidade baixa, onde se localizavam os grandes templos e armazéns, e a cidade alta, que abrigava os palácios e santuários reais.
Foto: World History Encyclopedia / Carole Raddato - CC BY-NC-SA 4.0
Foto: :China Crisis - CC BY-SA 2.5, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=826252
Foto: Wikimedia Commons / Carole Raddato - CC BY-NC-SA 4.0
Um dos achados mais significativos em Hattusa foi o conjunto de mais de 30.000 tábuas de argila inscritas em escrita cuneiforme, descobertas nos arquivos reais. Estes documentos revelam tratados internacionais, como o célebre Tratado de Kadesh com o Egito, considerado o mais antigo acordo de paz escrito da história. Além disso, os textos oferecem informações sobre leis, práticas administrativas e crenças religiosas, evidenciando uma sociedade complexa e altamente organizada, com uma rede diplomática que se estendia por todo o Médio Oriente.
A poucos quilómetros de Hattusa encontra-se o santuário de Yazılıkaya, um templo ao ar livre esculpido num desfiladeiro rochoso. Ali, deuses hititas estão representados em procissão, gravados nas paredes de pedra com uma precisão que desafia o tempo. Este local complementa a visita à capital hitita, oferecendo uma visão mais íntima da espiritualidade e da arte religiosa daquele povo. A paisagem envolvente, composta por vales férteis e colinas suaves, contribui para a atmosfera singular da região.
O mistério da Pedra Verde de Hattusa
A Pedra Verde de Hattusa é um bloco cúbico de nefrita, de cor verde escura, situado nas ruínas do Grande Templo da antiga capital hitita, localizada na atual Turquia. Este artefacto enigmático tem fascinado arqueólogos e visitantes, não apenas pela sua aparência distinta, mas também pelo mistério que envolve a sua função original. Alguns especialistas sugerem que poderia ter servido como base de uma estátua, trono cerimonial ou altar religioso, embora nenhuma dessas hipóteses tenha sido confirmada. A pedra é única na região, o que levanta a possibilidade de ter sido transportada de locais distantes, como as montanhas Taurus. Para os habitantes locais, é conhecida como a “pedra dos desejos”, acreditando-se que possui propriedades mágicas capazes de realizar desejos secretos daqueles que nela colocam as mãos.
Foto: Wikimedia Commons / Bangolicious
Como visitar
Visitar Hattusa exige alguma preparação, mas é perfeitamente viável. A forma mais fácil de o fazer é apanhando um voo de Lisboa ou Porto para Ancara e a partir daí marcar, junto de um operador turístico local, uma excursão organizada que inclua transporte, guia e visitas aos principais pontos arqueológicos.
Recomenda-se também uma passagem pelo Museu das Civilizações da Anatólia, em Ancara, que abriga artefactos essenciais para compreender o contexto histórico de Hattusa.
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