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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Qua | 23.03.22

Figueira da Foz | Para além da praia e do carnaval

Localizada a meio caminho entre Lisboa e Porto, a Figueira da Foz, é sempre um destino agradável. Seja para férias ou apenas para um passeio de fim de semana, esta bonita cidade costeira tem muito para oferecer ao visitante. É verdade que é mais movimentada no verão quando a sua extensa praia se enche de banhistas ou no carnaval quando os foliões invadem as ruas, mas a verdade é que o seu encanto permanece inalterado em qualquer estação do ano.

fullsizeoutput_64d3Foto: Travellight e H. Borges

Mesmo num dia cinzento, a ameaçar chuva, é um prazer passear pela Figueira da Foz.

São quilómetros e quilómetros de praia e mar que se abrem à nossa frente, numa paisagem monumental que nos  recorda o porquê desta cidade ser há séculos uma estância balnear de referência.

A região onde hoje fica a Figueira da Foz começou por ser povoada no século XI pelo Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, junto à foz do rio Mondego, o mesmo rio que atravessa Coimbra e desagua no Oceano Atlântico.

Pouco a pouco esta localidade cresceu e em 1771 era já uma vila. No século XIX, muito graças ao porto e aos visitantes que queriam desfrutar das magníficas praias, duplicou a sua população e transformou-se numa cidade. Para acomodar tanta gente, foi construído o Bairro Novo, de frente para o mar, inspirado em  Arcachon e Biarritz, com hotéis, restaurantes, bares e vários casinos (chegaram a ser quatro).

Hoje, aquele que foi o mais antigo de toda a Península Ibérica, inaugurado em 1884 com o nome de Theatro-Circo Saraiva de Carvalho, tem um aspeto moderno, mas continua a ser uma referência na Figueira da Foz.

O edifício que abrigava o Casino Oceano, também ainda lá está, no Bairro Novo, com a sua fachada belle époque, mas agora desprovido das suas funções originais.

E é igualmente no Bairro Novo que encontramos um dos mais belos edifícios da Figueira — O Palácio Sotto Mayor, construído no século XX, por ordem de Joaquim Sotto Mayor, um rico empresário português que, no seu regresso do Brasil, visitou a cidade e encantou-se por ela. Para construir a sua moradia, contratou o arquiteto Gaston Landeck que a desenhou à imagem dos palacetes franceses. O seu interior, dizem, é deslumbrante, mas infelizmente (segundo me informaram) só pode ser visitado, com marcação, nos meses de verão.

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Paralela à Avenida 25 de Abril, a marginal da cidade, encontramos a praia mais conhecida  da Figueira: a Praia do Relógio, cujo nome vem da proximidade do areal à Torre do Relógio. Faz parte da faixa central do maior areal urbano do país — a praia da Claridade, e quem a visita dispõe de vários passadiços em madeira para fazer o caminho até ao mar.

A forte ondulação que se faz sentir naquela zona reúne condições ideais para a prática do surf e os vários recintos desportivos também disponibilizados junto à marginal permitem que ali sejam disputados vários campeonatos internacionais. A par de outras oito praias do concelho, a praia do Relógio é distinguida com a bandeira azul e o título de “praia acessível”.

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Nas imediações encontra-se o Forte de Santa Catarina, que data do século XVI. Fez parte de um triângulo defensivo constituído pelo Forte dos Palheiros e pela Fortaleza de Buarcos e, como estes edifícios, foi construído para defender a foz do rio Mondego e a cidade dos ataques dos piratas.

A função estratégica de defesa do Forte foi perdida durante o século XIX, mas este continuou a ajudar a navegação marítima graças ao seu pequeno farol.

Dentro do forte encontramos uma pequena capela que homenageia Santa Catarina e no exterior um grande espelho de água que realça a beleza do local.

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Caminhando pela marginal, na direção oposta ao Forte de Santa Catarina chegamos a Buarcos.

Em 1342 quando foi constituída vila, Buarcos era mais importante do que a Figueira da Foz, mas foi perdendo a sua relevância quando a Figueira cresceu mais e se tornou também ela uma vila em 1771.

Hoje, Buarcos pode ser parte integrante da Figueira da Foz mas, é inegável que continua a manter uma identidade muito própria e vários pontos de interesse.

Desde logo, a lembrar a sua importância e prestígio, temos a Fortaleza de Buarcos e os seus baluartes. Três ainda se mantém em boas condições: Baluarte da Conceição, Baluarte de S. Pedro e Baluarte da Nazaré. Um quarto baluarte — o do Rosário, que defendia a baía a Sul, não teve a mesma sorte.

Os três baluartes ainda existentes deverão ser da época do Infante D. Pedro, do duque de Coimbra e do Senhor de Buarcos (séc. XV).

O acesso à povoação e ao bonito casario era feito por duas portas dissimuladas na muralha, ainda hoje bem visíveis.

Buarcos tem a particularidade de ter dois pelourinhos devido à integração da pequena vila de Redondos (que já não existe). O pelourinho de Buarcos fica no Largo do Pelourinho de Baixo e o pelourinho dos Redondos, no Largo do Pelourinho de Cima.

O Núcleo Museológico do Mar é mais um ponto de interesse. Criado em 2003, tem como principal objetivo homenagear os pescadores da comunidade e recordar a sua história e as dificuldades do ofício. Aqui podemos descobrir como eram os barcos utilizados na pesca, os trajes tradicionais da região e muito mais.

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Na zona alta de Buarcos, na Rua do Castelo, encontramos a Torre dos Redondos, local onde se situava o castelo que protegia a vila. O edifício foi demolido em 1854 e hoje só restam as ruínas da torre.

Descendo a rua e virando para a Rua dos Redondos, encontramos o Teatro da Trindade com a sua elegante fachada exterior, de estilo marcadamente neo-manuelino. Foi inaugurado em 1910 e o seu interior tem a particularidade de ser uma réplica, em tamanho reduzido, do teatro de Lisboa com o mesmo nome.

Continuando a descer podemos ver a Igreja da Misericórdia, construída no século XVI, durante o reinado de D. Manuel I e a Igreja de São Pedro, reconstruida após o grande terramoto de 1755.

Outra coisa que é difícil não notar enquanto percorremos as ruas de Buarcos, são os painéis de azulejo — a maioria, representando santos católicos — que decoram as paredes exteriores das casas.

Parece que foram ali colocados após o terremoto de 1755 que destruiu toda a cidade, porque os  proprietários acreditavam que protegeriam as suas casas de futuros desastres naturais.

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Um pouco longe do centro, o Parque Florestal da Serra da Boa Viagem, é o lugar a visitar por aqueles que  procuram espaços verdes e belas paisagens. Tem miradouros e equipamentos de usufruto público, associados às atividades desportivas. Aqui podemos caminhar, correr, andar de bicicleta, observar a flora e descobrir a fauna da região.

Fica a sugestão!

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