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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Qua | 08.09.21

Escapadinha de fim de semana a Viseu

A bonita cidade de Viseu tem vários títulos: “Cidade Jardim”, a “Melhor Cidade para Viver em Portugal” ou “Cidade das Rotundas”, mas ela é muito mais do que os seus títulos. É uma cidade que nos conquista com a sua história, monumentos, boa gente, boa comida e bom vinho. O que mais podemos desejar num destino de férias?

fullsizeoutput_5dc9Fotos: Travellight e H. Borges

Hospedei-me na Pousada de Viseu, antigo hospital da cidade que depois de recuperado foi convertido em hotel e assim que pousei a mala, parti logo à descoberta.

Bastou descer por umas escadas que atravessavam um parque de estacionamento e rapidamente me vi no centro histórico. Era muito cedo e as ruas estavam praticamente vazias. Pude observar por isso, com toda a calma e sossego, os detalhes arquitetónicos, as vielas sinuosas, os monumentos e os vários murais de arte urbana.

Passei pela Porta de Soar — uma, das sete portas originais das muralhas que o rei D. João I mandou construir para proteger a cidade dos vários ataques das tropas castelhanas.

Fica no topo da Rua Nunes de Carvalho e é uma majestosa estrutura do século XV, encimada por uma pedra de armas e por uma figura de São Francisco, santo tutelar da porta, que nos convida a entrar no antigo burgo medieval de Viseu. A ladear a porta podemos ainda observar o que resta da imponente muralha, cuja construção demorou cerca de 70 anos, tendo sido terminada apenas no reinado de Afonso V, adquirindo por isso o nome de muralha Afonsina.

Deambulando pelas ruas vi uma pequena capela do séc. XVIII, dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, a Fonte das Três Bicas e uma lage de pedra trabalhada que adorna o pavimento da Antiga Judiaria.

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Ao chegar ao adro da imponente Sé Catedral fiquei surpreendida com a quantidade de carros estacionados que enchiam a Praça… confesso que estragaram um pouco o encanto daquele lugar onde também fica a a Igreja da Misericórdia e o Museu Nacional Grão Vasco.

A Catedral de Santa Maria de Viseu foi edificada no início do século XII, associada a um paço condal e a um castelo, e sofreu, entre os séculos XIII e XVII inúmeras transformações que explicam os diferentes estilos (romano, gótico, barroco) que hoje apresenta. No seu interior podemos observar o primeiro claustro renascentista de Portugal e uma magnifica “abóbada de nós” do século XVI, bem como o braço relicário de São Teotónio, primeiro santo português. No piso superior, na antiga Sala Capitular, encontra-se um Museu dedicado ao Tesouro da Sé.

Do lado esquerdo da catedral fica o Museu Nacional Grão Vasco, fundado em 1916 que abriga obras do admirável pintor renascentista português Vasco Fernandes (conhecido como Grão Vasco) e de outros pintores, como Columbano Bordalo Pinheiro, José Malhoa ou Alfredo Keil.
Atualmente está também patente uma exposição temporária muito interessante intitulada “Identidades Portuguesas - Pintura de Viagens”

De frente para a catedral, surge-nos a bonita igreja da Misericórdia. Edificada no século XVI, guarda no seu interior um magnifico órgão de tubos da segunda metade do século XVIII e uma tela pintada a óleo da autoria de José de Almeida Furtado — o “Pintor Gata”, artista viseense do século XIX. Este edifício alberga, ainda, um núcleo museológico com um acervo composto por mais de uma centena de objetos que dá a conhecer a história e as figuras que ao longo de séculos deram corpo a uma das instituições mais antigas do país.

Contornei a Catedral e cheguei até ao Largo São Teotónio. Continuei a andar e alcancei a Praça D. Duarte onde se encontra a estátua deste Rei, nascido em Viseu em 1391.

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Por esta altura já era hora de almoço e resolvi parar no Restaurante Porta 64 para comer. O serviço foi muito bom e a comida excelente, principalmente o arroz de costeletinhas em vinha de alhos.

De barriga cheia e alma feliz, voltei ao passeio e caminhei até à Rua Formosa, a mais nobre via da cidade de Viseu. Existe aqui um estátua dedicada ao escritor Aquilino Ribeiro, um filho da terra, e do outro lado, quase no final da rua, protegida por um piso de vidro, encontramos uma pequena parte de uma antiga muralha romana.

Um pouco mais à frente, numa rotunda, encontram-se vestígios de outra parte da muralha.

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Viseu é uma cidade que remonta à Idade do Ferro e foi conquistada pelos romanos que a ocuparam,  apesar da forte oposição dos lusitanos liderados por Viriato que por cinco anos desafiaram as legiões romanas, antes de Decimus Junius Brutus estabelecer ali um acampamento.

A cidade honra este herói lusitano até hoje, com uma estátua que recorda a sua proeza, na chamada Cava de Viriato.

…E por falar em Cava de Viriato, este é um dos maiores mistérios da história da cidade de Viseu e da arqueologia portuguesa. É uma das mais emblemáticas obras de engenharia da Península Ibérica e corresponde a um monumento de planta octogonal, composto por oito taludes em terra, associados a fossos de água.

Até hoje subsistem muitas dúvidas sobre o porquê e quem foi o autor de tão possante monumento, mas parece que a sua associação a Viriato não passa de uma lenda…

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Um pouco distante do centro histórico fica o Parque do Fontelo, um jardim renascentista, de influência italiana, que pertenceu ao Antigo Paço Episcopal. É um espaço verde muito agradável, com lugar para fazer piqueniques e praticar desporto.

Adorei a escultura do lobo que está empoleirado numa rocha alta. Pensei que havia alguma lenda por trás desta figura, mas ao pesquisar descobri que afinal não há lenda nenhuma.
Aparentemente este lobo fazia parte da estátua original do Viriato, mas os responsáveis da altura não gostaram e mandaram retirar o animal do monumento. Foi aí que alguém se lembrou de pôr o lobo no Fontelo. E ainda bem, porque ele fica muito bem lá!

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De regresso ao centro da cidade, a hora do lanche foi a desculpa perfeita para provar uma das especialidades locais — os doces viriatos 😋

Aproveitei também para dar uma volta pela Praça da República, conhecida como Rossio. O painel de azulejos que embeleza um dos lados da praça é absolutamente maravilhoso.

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Fiquei com pena de este ano, por causa da pandemia, ter sido cancelada a Feira de São Mateus, uma das feiras mais antigas de Portugal, mas paciência fica para o ano…

Viseu está localizada no coração da região do Dão, por isso uma visita ao Solar do Vinho do Dão ou antigo Paço Episcopal é praticamente obrigatória.
O Solar remonta ao século XII e foi a residência permanente dos bispos de Viseu até ao início do século XX. É uma Casa cheia de histórias, que alberga hoje a Comissão Vitivinícola Regional do Dão e é o local de partida de uma das rotas mais sensoriais de Viseu — a Rota do Vinho do Dão

Quem gosta de andar de bicicleta e visita Viseu, tem também a possibilidade de percorrer a maior ciclovia de Portugal.
A Ecopista do Dão, como é chamada, fica localizado na antiga linha férrea do Dão (desativada em 1988) e é o local perfeito para descobrir paisagens deslumbrantes, antigas estações de comboios, pontes, o rio Dão e o rio Paiva e até uma locomotiva a vapor.
A ciclovia começa na Rua Adelino Azevedo Pinto em Viseu e termina na estação ferroviária de Santa Comba Dão, tem uma extensão de 49 km (98 km de ida e volta).

Como podem ver, motivos bons não faltam para visitar esta bonita cidade do Centro de Portugal!

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Tchau!
Travellight

2 comentários

  • Obrigada Zé,
    Beijinho e Bom fim de semana
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