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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Sex | 08.03.19

As portuguesas que desbravaram o mundo na época dos Descobrimentos

No espírito do Dia Internacional da Mulher, hoje quero honrar as tantas vezes esquecidas mulheres dos Descobrimentos Portugueses. Espíritos aventureiros que destruíram estereótipos e fizeram história.


São mulheres incríveis que, nas minhas viagens para descobrir o mundo, me inspiram a ir sempre mais longe

 

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As mulheres estiveram sempre presentes nas aventuras marítimas, mas poucos sabem, por exemplo, que o Infante D. Henrique levou uma moura como intérprete nas suas viagens a África ou que Bartolomeu Dias tinha quatro mulheres no seu barco quando passou o Cabo da Boa Esperança.

”

Que sempre houve e sempre haverá mulheres corajosas e com espírito de aventura, todos sabemos, mas quando as naus partiam para a Índia, nem a sociedade estava preparada para essas audácias femininas, nem a lei o permitia. Sabe-se, no entanto, que algumas, mais ousadas, cortavam o cabelo, vestiam-se de homem e embarcavam, enganando dessa forma as autoridades.

 

Se por acaso eram desmascaradas, a sorte destas mulheres dependia do capitão. Podiam ser castigadas, ficar prisioneiras num compartimento fechado ou toleradas com benevolência. Se ainda navegavam perto das ilhas da Madeira e Açores, geralmente eram deixadas lá.

 

Vasco da Gama, por exemplo, mostrou-se sempre muito rigoroso quanto à presença de mulheres a bordo e chegou a decretar que as passageiras clandestinas, encontradas nas naus da Carreira da Índia, recebessem açoites em público logo que chegassem a Goa. Este castigo chegou a ser aplicado pelo menos a três mulheres aventureiras.

 

O espetáculo acabou por impressionar negativamente Vasco da Gama, que mais tarde se arrependeu e quis compensar as raparigas da humilhação sofrida. Deixou-lhes uma boa quantia em testamento que lhes serviu de dote e permitiu que arranjassem marido. Ficaram todas a viver na Índia.

 

Antónia Rodrigues é um dos casos mais conhecidos e documentados de entre as mulheres que se destacaram nessa época.

Esta mulher, nascida em Aveiro numa família muito pobre, foi entregue pela mãe a uma tia que morava em Lisboa e que a maltratava muito. Antónia resolveu então fugir e tentar a sua sorte o mais longe possível. Cortou o cabelo, comprou roupas de homem e foi oferecer-se ao mestre de uma caravela que ia zarpar para o norte de África, carregada de trigo destinado a abastecer os portugueses que viviam no castelo de Mazagão. O mestre aceitou “aquele rapaz” que dizia chamar-se António Rodrigues e distribuiu-lhe tarefas de grumete.

 

Durante a viagem trabalhou com muito afinco e recebeu elogios de toda a gente. Ao chegar a Mazagão porém, viu-se envolvida numa rede de intrigas e não pôde voltar para bordo. Como não era pessoa que se atrapalhasse, assentou praça como soldado e depressa se distinguiu pela sua destreza e valentia. O pior era à noite… a única hipótese de continuar a desempenhar o seu papel sem ser descoberta era dormir vestida! Deitava-se sempre de camisa e ceroulas 😀

 

Os bons serviços prestados valeram-lhe ser promovida a cavaleiro e nessa qualidade tinha de sair do castelo para combater em campo aberto. De arma em punho, notabilizou-se pelas proezas cometidas e ganhou fama.


Como associava à bravura uma simpatia natural e um trato amigável, começou a despertar paixões entre as poucas raparigas que viviam em Mazagão. Nessa altura é que tudo se complicou… Uma família que tinha uma filha solteira começou a convidar aquele jovem e amável cavaleiro para jantar e passar o serão, cobrindo-o de presentes, na esperança de que ele quisesse casar com a filha.
Receando ser descoberta, Antónia preferiu confessar toda a verdade. Um casal bondoso recolheu-a e as candidatas a namoradas tornaram-se suas amigas. Algum tempo depois arranjou noivo e regressou a Lisboa casada e feliz.


O rei Filipe II tomou conhecimento da sua história e recompensou-a com uma tença (pensão vitalícia) de “cinco mil réis”, pelos feitos que durante cinco anos alcançou na praça-forte de Mazagão, em Marrocos, enfrentando os ataques diários dos mouros, como “espingardeiro de cavalo e de pé, em trajos de soldado”.

 

Se quiserem saber mais sobre as mulheres da época dos Descobrimentos leiam o livro “”Mulheres Navegantes no tempo de Vasco da Gama” da historiadora Fina d’’Armada — prémio Mulher Investigação Carolina Michaelis de Vasconcelos em 2005”.

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