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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Sex | 16.01.26

Este inverno descubra Banff, o coração (gelado) das Montanhas Rochosas Canadianas

Banff, no coração das Montanhas Rochosas canadianas, transforma‑se no inverno num verdadeiro cenário de sonho, coberto de branco, com neve fofa, lagos congelados, majestosas montanhas e florestas silenciosas. A região combina natureza imponente, atividades ao ar livre e uma oferta hoteleira de excelência. É ideal para quem procura um destino de inverno confortável, cheio de atividades e visualmente inesquecível. 

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A vila de Banff é o ponto de partida natural para explorar a região. Pequena, acolhedora e rodeada por montanhas, oferece lojas, cafés, restaurantes e um ambiente que mistura o espírito alpino com a cultura canadiana. É fácil, a partir daqui, aceder às principais atrações de inverno, incluindo o Sunshine Village Ski & Snowboard, conhecido pelas suas pistas extensas e pela qualidade da neve, muito apreciada por esquiadores e snowboarders. A montanha oferece percursos para todos os níveis e vistas amplas sobre o Parque Nacional de Banff.

O Banff Gondola, que sobe até ao topo da Montanha Sulphur, é outra experiência imperdível. No inverno, a montanha ganha um ambiente particularmente sereno, e a vista sobre o vale coberto de neve é impressionante. À noite, a atração transforma‑se com o Banff Gondola Nightrise, uma experiência multimédia que combina luz, som e projeções inspiradas na cultura indígena.

Os parques naturais que rodeiam Banff ampliam ainda mais as possibilidades de descoberta. O Parque Nacional de Banff é o mais conhecido, mas os Parques de Jasper e Yoho, acessíveis pela Icefields Parkway, uma estrada considerada por muitos uma das estradas mais bonitas do mundo, e pela Trans-Canada Highway 1, oferecem paisagens igualmente marcantes. No inverno, locais como Athabasca Falls, no Parque Nacional de Jasper, ganham formas de gelo que moldam a água e as rochas de maneira única. Já o Emerald Lake, no Parque Nacional de Yoho, congela parcialmente, criando um contraste entre o branco da neve e o verde profundo da água que permanece visível. Em vários pontos da região, surgem também, durante o inverno, grutas de gelo formadas naturalmente pelo frio e pela erosão. São muito procuradas por quem gosta de fotografia e caminhadas, pois apresentam formas e cores únicas, de extraordinária beleza.

Perto de Banff, o desfiladeiro Johnston Canyon é um dos trilhos mais populares da região. No inverno, as cascatas congeladas transformam o percurso num corredor gelado, onde é possível caminhar por passadiços suspensos e observar formações cristalizadas que mudam de ano para ano. É um dos locais mais bonitos da região e acessível mesmo para quem não tem experiência em caminhadas de inverno.

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Como visitar 

Visitar Banff  é mais simples do que parece. O percurso habitual é voar para Calgary, com escala numa cidade europeia ou canadiana. A partir do aeroporto, a viagem até Banff demora cerca de hora e meia por estrada, seja num carro alugado ou através de um serviço de shuttle. No inverno, é importante verificar as condições das estradas e optar por veículos equipados para neve.

Onde se hospedar

Quem viaja com um orçamento mais apertado, encontra várias opções económicas de hospedagem. O Banff International Hostel é uma dessas opções. Oferece dormitórios e quartos privados simples, pequeno‑almoço incluído e uma localização prática para quem quer explorar a região.

Se, por outro lado, procura uma estadia de luxo, o Fairmont Chateau Lake Louise pode ser a resposta. Situado junto ao Lake Louise (Lago Louise), oferece uma combinação de conforto, vistas privilegiadas e experiências exclusivas. No inverno, o hotel monta um Ice Bar ao ar livre, organiza passeios de trenó puxado por cavalos e serve um Afternoon Tea com vista para o lago congelado. O hotel inclui o SPA Basin Glacial Waters, uma experiência termal contemporânea inspirada nos elementos naturais e acessível apenas a hóspedes. O conceito baseia‑se em banhos termais de imersão, integrados num ambiente que combina design moderno com a paisagem montanhosa, promovendo bem‑estar e revitalização.

Mesmo que não fique aqui hospedado, vale a pena conhecer o hotel e tomar pelo menos uma bebida quente no bar, depois de visitar o Lake Louise.

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Roteiro de 6 dias em Banff no inverno

Dia 1 – Chegada a Banff e descoberta da vila

Depois do check‑in no alojamento escolhido em Banff, aproveite para explorar a vila. As ruas principais têm lojas de produtos locais, cafés acolhedores e vistas maravilhosas para as montanhas.  É um bom dia para se ambientar ao clima, que no inverno pode ser rigoroso, e para organizar os dias seguintes. Percorra a Banff Avenue, visite o Whyte Museum, almoce ou jante num restaurante local com pratos típicos das Montanhas Rochosas e não deixe de passar pela loja da Beavertails e experimentar a popular iguaria canadiana, em formato de rabo de castor, servida quente com coberturas doces ou salgadas.

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Dia 2 – Banff Gondola e experiência Nightrise

Comece o dia com uma subida no Banff Gondola até ao topo da Montanha Sulphur. A vista panorâmica sobre o vale coberto de neve é um dos pontos altos da viagem. No topo, há passadiços que permitem caminhar até ao Sanson’s Peak e um centro interpretativo com exposições sobre a região.

À tarde visite as Banff Upper Hot Springs, que permanecem abertas no inverno.

Ao final do dia, regresse ao Banff Gondola para a experiência Nightrise. À noite, o topo da montanha transforma‑se com luzes, projeções e som, criando uma atmosfera completamente diferente da visita diurna.

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Dia 3 – Johnston Canyon e Ice Caves

Dedique este dia ao Johnston Canyon, um dos trilhos mais populares da região. No inverno, as cascatas congeladas criam um cenário impressionante. O percurso até às Lower Falls é relativamente fácil e acessível; quem tiver mais resistência pode continuar até às Upper Falls, onde as paredes de gelo são ainda mais imponentes.

Dependendo das condições e da disponibilidade de guias, é possível visitar grutas de gelo naturais que surgem no inverno em zonas específicas do canyon ou em áreas próximas. Estas formações variam de ano para ano e só devem ser visitadas com acompanhamento profissional.

Dia 4 – Athabasca Falls, Emerald Lake e Fairmont Chateau Lake Louise

Este dia é dedicado a explorar os arredores.
Comece cedo e siga pela Icefields Parkway em direção ao Parque Nacional de Jasper. As Athabasca Falls, mesmo parcialmente congeladas, mantêm um caudal impressionante e são um dos locais mais fotografados da região no inverno.

Depois, siga para o Parque Nacional de Yoho e visite o Emerald Lake. No inverno, parte do lago congela, criando um contraste marcante entre o branco da neve e o verde profundo da água que permanece visível.

Ao final da tarde, siga para Lake Louise. Visite o lago, faça o check‑in no Fairmont Chateau Lake Louise ou apenas passe pelo ice bar para tomar uma bebida quente. 

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Dia 5 – Sunshine Village Ski & Snowboard ou Tube Park

Passe o dia a fazer esqui ou snowboard (há pistas para iniciantes e para avançados). Aproveite as vistas, os restaurantes e o après-ski do Mad Trapper's Saloon.

Se viaja com crianças ou se não está interessado no esqui, mas ainda assim quer divertir-se na neve, o Tube Park,  um parque na Estância de Ski Lake Louise, é uma boa opção. Aqui pode desfrutar de tubing (deslizar montanha abaixo em boias), com pistas preparadas, um "magic carpet" para subir sem esforço e vistas deslumbrantes.

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Dia 6 – Fairmont Chateau Lake Louise 

Se tiver possibilidade de se hospedar pelo menos uma noite no Fairmont Chateau Lake Louise reserve o último dia para aproveitar tudo o que o hotel tem para oferecer: passeio de trenó puxado por cavalos ao redor do lago, patinagem no gelo no lago congelado, Chá das Cinco (Afternoon Tea) com vista para o Lake Louise e o SPA Basin Glacial Waters, um circuito termal exclusivo para hóspedes.

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Sex | 16.01.26

Do azeite dourado às raizes do cubismo: Descubra Horta de Sant Joan

Horta de Sant Joan é uma vila medieval da Terra Alta, na Catalunha, conhecida pela sua beleza natural, pelo património histórico e pela ligação íntima a Pablo Picasso, que aqui encontrou inspiração decisiva para a sua arte.

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Localizada na província de Tarragona, Horta de Sant Joan é um dos doze municípios desta região. Conserva um centro histórico medieval declarado bem cultural de interesse nacional. As suas ruas de pedra e casas antigas revelam uma herança de séculos, enquanto a beleza da sua paisagem guarda marcas de episódios mais sombrios como a Batalha do Ebro, que manchou de sangue a região durante a Guerra Civil Espanhola. A montanha de Santa Bárbara e o verde dos campos de oliveiras, confere ao lugar uma atmosfera única, com uma forte tradição vinícola e denominação de origem própria.

 “Tudo o que sei aprendi em Horta” - Pablo Picasso

A ligação de Pablo Picasso a Horta de Sant Joan é um dos elementos mais marcantes da identidade local. O pintor visitou a vila pela primeira vez em 1898, acompanhado do amigo Manuel Pallarès, e regressou em 1909. Foi aqui que Picasso afirmou: “Tudo o que sei aprendi em Horta”. A experiência da vida rural, a observação da natureza e da arquitetura vernacular inspiraram os seus primeiros passos rumo ao cubismo. Hoje, o Centro Picasso de Horta de Sant Joan preserva essa memória, exibindo reproduções e documentos que testemunham a importância da vila na formação artística do mestre.

Entre as atrações que o visitante pode conhecer em Horta de Sant Joan, destacam-se o centro histórico com a Praça da Catalunha, o Convento de Sant Salvador, o Centro Picasso, o Ecomuseu dels Ports dedicado ao património natural e cultural da região, e os trilhos pedestres que permitem explorar o Parque Natural dels Ports.

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Compreender a IDENTITAD do azeite

 
A gastronomia local, baseada em azeite e vinho da Terra Alta, torna a visita uma verdadeira imersão na cultura catalã.
 
O azeite IDENTITAT, produzido em Horta de Sant Joan, é um exemplo notável desta ligação entre tradição, cultura e inovação na olivicultura catalã. 
 
A marca distingue-se pela autenticidade dos seus métodos e pela valorização da identidade local, oferecendo experiências únicas que vão muito além da simples degustação de azeite.
 

O projeto IDENTITAT, localiza-se em plena região da Terra Alta, onde se cultivam olivais centenários. As variedades de azeitona utilizadas são a empeltre, arbequina e picual, todas certificadas pelo CCPAE como biológicas e provenientes de árvores que resistem ao clima seco da região. Cada variedade confere ao azeite características próprias: a suavidade frutada da arbequina, a intensidade da picual e a delicadeza da empeltre, que é típica da Terra Alta. Esta diversidade permite criar azeites monovarietais de elevada qualidade, premiados em concursos regionais e internacionais.

O melhor de tudo é que na IDENTITAT, os visitantes podem participar em provas de azeite, conduzidas no lagar e no espaço de degustação, onde vão aprender a distinguir aromas, sabores e texturas e depois a criar o seu próprio azeite, escolhendo as suas variedades preferidas de azeitona. No fim podem levar para casa uma garrafa personalizada de azeite IDENTITAT. Outro momento alto é a  preparação da clotxa, prato tradicional da região, feito com pão sem miolo, recheado de tomate, cebola, alho e sardinha assada, regado com azeite virgem. Esta atividade aproxima os visitantes da realidade agrícola e reforça a ideia de que o azeite não é só um produto, mas uma expressão da terra e da identidade de quem o cultiva.

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Como visitar e onde se hospedar

Viajar de carro desde Portugal, atravessando a fronteira em direção a Tarragona é a melhor opção para quem quer visitar Horta de Sant Joan. Esta rota dá ao viajante maior liberdade para apreciar as diferentes paisagens da Península Ibérica e conhecer com calma os bonitos povoados que se encontram pelo caminho. 

Outra hipótese é voar de Lisboa ou Porto até Barcelona e depois alugar um carro e conduzir até Horta de Sant Joan. O percurso leva cerca de 2 horas e 30 minutos.

O Hotel La Torre del Visco é uma excelente opção de alojamento. Localizado em Fuentespalda, na comarca vizinha de Matarraña, este hotel  pertence à prestigiada rede Relais & Châteaux e permite chegar facilmente a Horta de Sant Joan e explorar toda a região da Terra Alta e o Parque Natural dels Ports.

Itinerário de 3 dias  para conhecer Horta de Sant Joan e a Terra Alta

Dia 1 – Horta de Sant Joan

Comece a manhã com um passeio pelo Centro histórico medieval, passe pela Praça da Catalunha e visite a igreja de Sant Salvador. Siga depois para o Convento de Sant Salvador d’Horta, edifício franciscano com séculos de história, ligado a tradições religiosas e culturais locais.
Na parte da tarde visite o Centro Picasso, espaço dedicado à ligação do pintor à vila, com reproduções, documentos e testemunhos da sua estadia em Horta. Passe de seguida no Ecomuseu dels Ports para uma introdução ao património natural e cultural da região, ideal para compreender a relação entre o homem e a paisagem.
Termine o dia com uma caminhada até a montanha de Santa Bárbara. Aproveite a vista panorâmica sobre a vila e os campos, e descubra o cenário que inspirou Picasso.
 

Dia 2 – Terra Alta

No segundo dia descubra as Rotas do vinho da Terra Alta. Visite adegas locais, como Herencia AltésVenta d’Aubert, para conhecer os vinhos com denominação de origem, especialmente os brancos de Garnacha.

Passe pelos espaços ligados à Batalha do Ebro e à memória da Guerra Civil Espanhola que marcou profundamente a região.

Visite localidades como Bot ou Gandesa, que também guardam património histórico e tradições culturais. Aproveite para degustar os pratos típicos da região acompanhados de azeite e vinho da Terra Alta.

Dia 3 - Parque Natural dels Ports

No terceiro dia explore o Parque Natural dels Ports, faça uma caminhada ou trilho pedestre para apreciar a biodiversidade e os impressionantes relevos montanhosos. O Parque Natural dels Ports oferece rotas pedestres com diferentes níveis de dificuldade, que pode explorar facilmente a partir de Horta de Sant Joan.

Percursos fáceis e familiares

  • Ermita de Santa Bàrbara – Muntanya de Santa Bàrbara (Horta de Sant Joan): circuito de cerca de 3,8 km, fácil e acessível, que permite subir até à montanha de Santa Bárbara e apreciar vistas sobre a vila e os campos.
  • La Franqueta – La Marbrera (Arnes): percurso circular de 3,3 km, ideal para famílias, com zonas de piquenique e paisagens de pinhais.
  • La Franqueta loop (Arnes): cerca de 4,7 km, também fácil, atravessando áreas de floresta mediterrânica.

Percursos de dificuldade média

  • Els Estrets d’Arnes: um dos lugares mais singulares do parque, onde o rio abre caminho entre paredes abruptas. É uma rota muito apreciada por quem gosta de caminhadas em cenários selvagens.
  • Pas de la Maladona (Horta de Sant Joan): trilho que exige alguma subida e pequenas passagens com apoio, mas acessível a quem tem experiência básica de caminhada. Oferece vistas amplas sobre os Ports.

Percursos mais exigentes

  • Rotas longas pelos Ports: há itinerários que atravessam zonas mais remotas do maciço, como a “Ruta dels Estels del Sud”, que liga diferentes localidades e refúgios. São percursos de vários dias, recomendados apenas para caminhantes experientes  
  • Trilhos de alta montanha: algumas rotas levam a cumes elevados, com desníveis significativos e paisagens impressionantes, ideais para quem procura desafio físico e contacto profundo com a natureza 

 

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O The Travellight World visitou Horta de Sant Joan e o Azeite IDENTIDAD  a convite do Hotel La Torre del Visco - Relais e Chateâux 

Qui | 15.01.26

Acredita que esta igreja foi construída sem usar um único prego?

No coração mais profundo dos fiordes noruegueses, longe das rotas principais e da agitação turística, abrigada no vale de Laerdal, um antigo braço interior do majestoso Sognefjord, ergue-se a Borgund Stavkirke, uma impressionante igreja medieval construida sem o uso de um único prego.

Imagem 12Foto: CC BY-SA 2.0 / Olivier Bruchez - https://www.flickr.com/people/73293249@N00

A pequena aldeia de Borgund é silenciosa e discreta, e a igreja surge num promontório rodeado por montanhas indomadas e uma paisagem que parece ter sido apenas tocada pelo tempo. A sua localização não é acidental: situava-se ao longo da antiga Kongevegen, a “Estrada do Rei”, uma rota de comércio e peregrinação que ligava o leste ao oeste da Noruega. A silhueta escura e intricada da igreja destaca-se contra o céu e o verde do vale com uma força arrebatadora. Não se assemelha a nada que se possa ver na Europa. É a essência de uma arquitetura que nasceu e desapareceu nestas terras.

Vista de perto, cada detalhe da Borgund Stavkirke revela uma história em camadas. Construída por volta do ano 1180 sem o uso de um único prego, a sua estrutura é um triunfo da carpintaria nórdica, sustentada por complexas uniões de madeira e cavilhas. As suas paredes são formadas por “stav”, postes de sustentação, em madeira, cravados diretamente no solo, que deram origem à designação “stavkirke” (igreja de madeira).

Imagem 14Foto: Stave Church - https://www.stavechurch.com/borgund-stave-church/?lang=en

O que a torna verdadeiramente única são as suas decorações extraordinárias. Os capitéis dos postes estão esculpidos com motivos semelhantes aos encontrados nas pedras rúnicas vikings. Ao olhar para as cabeças de dragão que sobressaem das cumeeiras do telhado, destinadas a afastar os maus espíritos, percebe-se a herança clara das casas longas e dos navios dos antepassados. Estes elementos não são meros ornamentos, mas provas tangíveis de uma fusão religiosa singular. Os construtores noruegueses do século XII não abandonaram abruptamente o seu legado pagão, mas adaptaram-no e fundiram-no com a nova fé cristã. Os dragões, outrora símbolos de poder e proteção no mundo viking, tornam-se aqui guardiões da casa de Deus. No interior, a atmosfera é ainda mais intensa: a luz ténue, o aroma secular da madeira de pinho e a sensação de estar dentro de um navio Viking criam um ambiente poderoso e místico.

Ao contrário de muitas outras igrejas de madeira que foram modificadas ou reconstruídas ao longo dos séculos, a Borgund chegou até nós em extraordinárias condições de conservação. Tal deve-se, em grande parte, ao facto de, já em 1868, ter sido construída uma nova igreja nas proximidades, tornando a stavkirke desnecessária para as funções religiosas quotidianas. Este “abandono funcional” foi, paradoxalmente, a sua salvação, preservando-a de intervenções modernas e transformando-a num monumento a conservar em vez de adaptar. Atualmente, está protegida pela Sociedade para a Preservação dos Antigos Monumentos Noruegueses.

Imagem 15Foto: CC BY-SA 4.0 / Bjørn Erik Pedersen 

No seu interior, ainda é possível ver inscrições rúnicas deixadas por visitantes medievais, testemunhos diretos e comoventes de quem por ali passou. Visitar Borgund não é contemplar uma reconstrução, mas sim observar a mesma madeira, as mesmas esculturas e respirar a mesma história que viajantes e peregrinos noruegueses testemunharam ao longo de mais de 800 anos. É uma autenticidade rara e preciosa que faz desta igreja não apenas uma paragem, mas um dos destinos mais singulares e memoráveis da Noruega.

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Qua | 14.01.26

Já conhece o Centro de Artes Villa Portela?

Espaço cultural da cidade de Leiria, a emblemática Villa Portela, construída no final do século XIX como residência burguesa rodeada de jardins românticos, foi durante décadas símbolo de modernidade e elegância na cidade. Sofreu depois um período de abandono, até ser  adquirida pelo município e passar por uma profunda renovação que, respeitando o seu valor patrimonial, transformou-o num Centro de Artes, hoje aberto a todos.

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Mandada erguer em 1894 por Roberto Charters Henriques d’Azevedo, foi concebida como um chalé de inspiração suíça e vitoriana, rodeada por uma vasta área ajardinada. O edifício, com três pisos e mais de vinte divisões, destacou-se desde cedo pela sua modernidade, sendo uma das primeiras casas em Leiria a possuir casa de banho com águas quentes e frias. Originalmente, funcionava como residência e casa de veraneio da família Charters d’Azevedo, integrando também dependências agrícolas, cocheiras, estufas e um lago, numa combinação entre moradia burguesa e quinta de produção própria  

Com o passar do tempo, a propriedade foi sendo abandonada, até que em 2017 foi adquirida pelo Município de Leiria. Em 2019, foi classificada como Monumento de Interesse Público, o que abriu caminho para a sua reabilitação. O projeto de renovação transformou o espaço num Centro de Artes, que hoje acolhe exposições, residências criativas, oficinas, biblioteca e espaços de convívio. A intervenção respeitou o valor histórico e arquitetónico do edifício, preservando o charme oitocentista e adaptando-o às necessidades contemporâneas da cultura e da comunidade 

Os jardins da Villa Portela são um dos seus maiores atrativos. Com cerca de 17 mil metros quadrados, incluem um parque arborizado, um lago romântico e diversas espécies vegetais que conferem ao espaço um valor ecológico e paisagístico único. Estes jardins, outrora parte integrante da vida familiar e agrícola da propriedade, são hoje um espaço de lazer e contemplação, aberto ao público e integrado na dinâmica cultural da cidade 

Outro elemento que reforça a ligação da Villa Portela à vida cultural de Leiria é o café instalado no espaço, gerido pela livraria Arquivo, uma das mais conhecidas e dinâmicas da cidade. Esta cafetaria funciona como ponto de encontro, onde se cruzam literatura, arte e convívio, prolongando a experiência cultural para além das salas de exposição. A presença da Arquivo reforça o papel da Villa Portela como centro de cultura e pensamento.

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Desde a sua inauguração, a programação tem sido marcada por mostras de grande relevância, como a atual exposição “Sonho Manifesto! Em Leiria, todas as árvores são pinheiros”, com curadoria de Rita Gaspar Vieira e Sandra Vieira Jürgens, que pode ser vista até 31 de Janeiro de 2026. Esta exposição integra o programa de circulação da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE) e reune obras de artistas como Maria Helena Vieira da Silva, Ângelo de Sousa, Ana Vieira, Ana Hatherly, Álvaro Lapa e Francisco Tropa. O Centro de Artes tem também acolhido projetos em parceria com instituições de referência, como a Fundação de Serralves.

A sua  programação inclui ainda concertos, residências criativas, oficinas e atividades educativas, que procuram envolver públicos diversos e estimular a participação cultural . O Centro de Artes funciona como laboratório de ideias, onde artistas locais e nacionais encontram espaço para experimentar e dialogar com a comunidade. A entrada gratuita, anunciada pelo município, reforça a missão de tornar a cultura acessível e de transformar a Villa Portela num verdadeiro “oásis” cultural no coração de Leiria.

Imagem 19Foto: Centro de Artes Villa Portela - https://centrodeartesvillaportela.pt/espacos-expositivos/

Os eventos realizados neste lugar têm contribuído para consolidar Leiria como cidade cultural, valorizando o património histórico do edifício e dos jardins, ao mesmo tempo que projetam novas formas de criação artística. A diversidade da programação, que vai da arte plástica à música e às oficinas criativas, garante que o espaço se mantenha vivo e relevante para diferentes públicos.

A Villa Portela é, assim, um exemplo de como o património histórico pode ser recuperado e reinventado. É um lugar onde passado e presente dialogam, preservando a memória de uma cidade ao mesmo tempo que se projetam novas formas de criação artística e comunitária.

 

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O The Travellight World visitou Leiria a convite do Haven Nature Hotel & Villas

 

Seg | 12.01.26

Os hotéis de neve mais belos (e caros) da Europa 

Representando o auge do turismo de luxo, estas unidades hoteleiras oferecem experiências únicas que combinam tradição, exclusividade e paisagens alpinas deslumbrantes. 

Estes hotéis não são apenas locais de estadia, mas verdadeiros símbolos de requinte, onde o preço elevado reflete a qualidade do serviço e a localização privilegiada. Descubra aqui os melhores e quanto custam por noite.

Badrutt’s Palace Hotel,  St. Moritz, Suíça

> 1.000 € por noite. Inaugurado em 1896, é sinónimo de glamour alpino, com suites voltadas para o lago gelado, um spa de referência e eventos exclusivos como corridas de cavalo no gelo. | Foto: Badrutt’s Palace Hotel

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Cheval Blanc Courchevel, França

1.500–2.000 € por noite. Pertencente ao grupo LVMH, oferece acesso direto às pistas, suites com mordomo privado e um restaurante com estrela Michelin. É considerado um dos hotéis mais caros da Europa, onde o requinte se alia ao ambiente exclusivo da estância. | Foto: Cheval Blanc Courchevel

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Kulm Hotel, St. Moritz, Suíça

> 900 € por noite. Destaca-se pelo seu papel no nascimento do turismo de inverno e pelo serviço altamente personalizado, complementado por um spa panorâmico.| Foto: Kulm Hotel

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Aurelio Hotel, Lechq, Áustria

1.000–1.500 € por noite. Disponibilizam chalés privados, spa alpino e um ambiente reservado para uma clientela exigente. | Foto: Aurelio Hotel

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Carlton Hotel St. Moritz, Suíça

> 1.200 € por noite. Reforça a exclusividade ao disponibilizar apenas suites e um spa de 1.200 metros quadrados. | Foto: Carlton Hotel St. Moritz

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The Chedi Andermatt,  St. Moritz, Suíça

800–1.200 € por noite. Conjuga design contemporâneo com influências asiáticas, oferecendo piscinas aquecidas interiores e exteriores e uma gastronomia premiada. | Foto: The Chedi Andermatt

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The Omnia, Zermatt, Suíça

700–1.000 € por noite. Proporciona uma experiência distinta: situado sobre um rochedo com acesso por túnel e elevador, oferece vistas únicas para o Matterhorn e uma atmosfera intimista. | Foto: The Omnia

Imagem 10Gstaad Palace, Gstaad, Suíça

1.400–1.500 € por noite. É um dos hotéis mais icónicos e luxuosos dos Alpes suíços. Inaugurado em 1913 é ainda hoje administrado pela família Scherz. Combina a atmosfera charmosa da montanha com elegância clássica, sendo frequentemente o destino escolhido por celebridades e viajantes mais exigentes. | Foto: Gstaad Palace

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Hôtel Barrière Les Neiges, Courchevel, França

1.200–1.300 € por noite. É um dos hotéis mais exclusivos dos Alpes franceses, oferecendo acesso direto às pistas de esqui da lendária Bellecôte e combinando luxo francês com o charme alpino. | Foto: Hôtel Barrière Les Neiges,

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Sex | 09.01.26

Montenvers | O emblemático comboio vermelho de Chamonix

O Train du Montenvers, emblemático comboio vermelho de Chamonix, que funciona desde 1909, é uma das formas mais agradáveis de conhecer as montanhas francesas. Mais curto e menos famoso e mediático do que outros percursos alpinos, como o Bernina Express, oferece, ainda assim, uma experiência autêntica e a oportunidade de apreciar de forma  tranquila a paisagem do maciço do Mont Blanc.

ImagemFoto: Train du Montenvers - https://www.montenverstrain.com/en/the-train-in-pictures/

Uma viagem agradável e panorâmica

A viagem no comboio de Montenvers começa na estação central de Chamonix, a Gare du Montenvers, localizada a poucos minutos a pé das ruas principais. O embarque é simples: bilhetes verificados, portas abertas e cada passageiro escolhe o seu lugar nas carruagens vermelhas, que mantêm o estilo tradicional mas estão bem conservadas. O trajeto é direto, sem paragens intermédias para passageiros.

O comboio arranca devagar e mantém uma velocidade constante durante toda a subida. Como funciona com cremalheira (um terceiro carril dentado), não há acelerações bruscas nem solavancos. A inclinação é acentuada em vários trechos e isso permite ter uma noção clara da diferença de altitude entre o vale e o planalto de Montenvers. Durante o percurso, o comboio atravessa zonas de floresta, passa por túneis curtos e por secções onde o vale fica totalmente visível. Em alguns momentos é possível identificar Chamonix, as pistas de esqui e parte do maciço do Mont Blanc.

A viagem dura cerca de vinte minutos  e termina a 1.913 metros de altitude (veja o vídeo em baixo para ficar com uma ideia do percurso).

 

 
 
 
 
 
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Uma publicação partilhada por Ana Maria Barreto (@thetravellightworld)

Ao sair da carruagem, a primeira coisa que se nota é a diferença de temperatura e a amplitude da paisagem. A estação de Montenvers está organizada de forma prática: há painéis informativos sobre o Mer de Glace (Mar de Gelo),  mapas dos trilhos e indicações para o Glaciorium, para o teleférico que desce até à Grotte de Glace (gruta de gelo) e para os vários miradouros.

A vista para a Mer de Glace, o maior glaciar de França, é o ponto central da visita. O glaciar é visível logo a partir da plataforma principal, e há informações sobre a sua evolução ao longo das décadas, incluindo marcações que mostram o nível do gelo em diferentes anos, ajudando a perceber a dimensão da retração do glaciar.

As vistas sobre o mar de gelo e sobre os picos circundantes, como os Drus e as Grandes Jorasses, impressionam. O glaciar não é apenas uma mancha branca; tem tons de cinzento, azul e fendas profundas que se percebem mesmo à distância. O ambiente é sereno e menos saturado do que noutros pontos turísticos dos Alpes, o que torna a experiência ainda mais especial.

O Glaciorium apresenta explicações sobre a formação dos glaciares, o movimento do gelo e o impacto das alterações climáticas. É uma visita rápida, mas útil para contextualizar o que se vê lá fora. A descida até à Grotte de Glace faz‑se por teleférico e depois por escadas. A quantidade de degraus varia todos os anos, porque depende da altura do glaciar. Dentro da gruta, o gelo é iluminado e há pequenos corredores escavados manualmente, que permitem observar as camadas internas.

Além das atrações principais, Montenvers tem trilhos bem sinalizados para quem gosta de caminhar. Alguns levam de volta a Chamonix, outros seguem em direção ao Plan de l’Aiguille. São percursos de dificuldade variável, mas todos começam junto à estação, o que facilita a organização da visita. É importante que quem for percorrer estes trilhos no inverno, venha bem preparado e com calçado adequado para enfrentar o frio e o terreno gelado.

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Vale a pena explorar um pouco Montenvers. O local é belíssimo, principalmente no inverno. Com sorte pode até avistar um veado a alimentar-se e outros animais e pássaros que integram a fauna local.

Quem desejar almoçar ou até pernoitar por aqui, tem no Refuge du Montenvers, um hotel histórico, uma excelente opção. 

No regresso, o comboio desce pelo mesmo percurso. A viagem porém, mantém o interesse pois permite rever a paisagem com outra luz, sobretudo ao final da tarde. 

Para quem deseja descobrir os Alpes de forma mais tranquila, com história, natureza, vistas grandiosas e menos pessoas, o Train du Montenvers é uma escolha que merece ser considerada.

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Guia prático para visitar o Train du Montenvers

Horários

Os horários variam ao longo do ano, ajustando‑se às condições de neve e à afluência turística.
Em geral no inverno e início da primavera as partidas são menos frequentes, normalmente de 30 em 30 minutos. No verão e no outono há mais comboios, com partidas a cada 20 minutos.

É aconselhável verificar o horário no próprio dia, pois pode haver alterações devido ao estado do glaciar ou às condições meteorológicas.

Preços

Os preços também variam consoante a época e o tipo de bilhete.
O bilhete simples que inclui só a viagem de comboio, custa cerca de 30,00€, o bilhete combinado que normalmente incluí Ida e volta no comboio, acesso à telecabine para a Grotte de Glace (quando aberta) e a entrada no Glaciorium, custa à volta de 50,00€.

Existem tarifas reduzidas para crianças, jovens e famílias. Quem possuir o Mont Blanc Multipass ou passes de esqui de Chamonix também pode beneficiar de descontos.

Melhor altura para visitar

Não há uma melhor altura para fazer esta viagem, todas as estações tem o seu encanto, tudo depende do que quiser privilegiar. Pessoalmente acho mais especial fazer esta viagem no inverno porque há menos visitantes, o ambiente é mais silencioso e neve torna tudo mais bonito e mágico. A desvantagem é que pode encontrar algumas atrações encerradas devido ao tempo. 

Se é amante de caminhadas o verão é melhor época para ir a Montenvers, pois terá o acesso à Grotte de Glace e aos trilhos pedestres mais facilitado. 

Trilhos e caminhadas

  • Montenvers – Plan de l’Aiguille: percurso panorâmico, de dificuldade média.
  • Montenvers – Chamonix: descida longa mas acessível, ideal para quem prefere regressar a pé.
  • Montenvers – Mer de Glace: trilho curto, mas com escadas íngremes, que leva até à gruta.
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