Visitar Gaspésie, cidade situada na província do Quebeque, no Canadá, é mergulhar num território onde a natureza dita o ritmo. A região é conhecida pelas suas falésias calcárias, trilhos de montanha, praias selvagens e vida marinha abundante, mas também tem grande importância histórica, tendo sido um dos primeiros pontos de desembarque de exploradores europeus na América do Norte.
Gaspésie é uma península que se estende para o Golfo de São Lourenço e oferece uma combinação impressionante de mar, montanhas e florestas. Longe dos grandes centros urbanos, é um destino onde reina a tranquilidade e as paisagens de cortar a respiração. A sua costa recortada, aldeias pitorescas e parques nacionais tornam a região uma das mais belas e autênticas do Canadá.
Marcada pela presença das comunidades Mi'kmaq e pela tradição francófona, a cultura local acrescenta profundidade à experiência de viagem.
Entre as atrações mais emblemáticas de Gaspésie está a Rocher Percé, uma formação rochosa monumental que se ergue do mar como um arco natural esculpido pelas ondas. Esta imagem transformou-se no símbolo da região e pode ser admirada a partir da vila de Percé ou a partir do mar, num passeio de barco. Outro destaque é o Parque Nacional Forillon, na extremidade da península, onde é possível fazer caminhadas junto a falésias, observar baleias e visitar faróis históricos. O Geoparque de Percé, com a sua plataforma de vidro suspensa a 200 metros de altitude, também é imperdível.
As grutas da região, embora menos conhecidas, são igualmente fascinantes. Algumas estão localizadas em zonas costeiras e podem ser exploradas por barco ou caiaque, revelando formações geológicas únicas e recantos escondidos. A visita às grutas é geralmente feita com guias locais, que explicam a origem das formações e garantem a segurança dos visitantes. Estas experiências são particularmente recomendadas durante os meses de verão, quando o clima é mais ameno e o acesso é facilitado.
Foto: Flickr / Airflore / CC BY-NC-ND 2.0.
Foto: Flickr /Mariam Taleb / CC BY-NC-ND 2.0.
Como visitar
De Portugal, a melhor forma de chegar a Gaspésie é voar até Montreal ou Quebec, e depois alugar um carro e seguir viagem até à península, num percurso que dura cerca de nove a dez horas (é uma bela road-trip!). Alternativamente, há autocarros e comboios que ligam Montreal a cidades próximas de Gaspésie, embora o automóvel seja mais flexível para explorar a região.
Melhor época para visitar
A melhor época para visitar Gaspésie é de junho a setembro, quando as temperaturas são agradáveis e a maioria das atrações está aberta. Durante este período, os parques nacionais oferecem atividades ao ar livre, os restaurantes servem pratos locais com peixe fresco e frutos do mar, e as aldeias costeiras ganham vida com festivais e mercados. É aconselhado reservar alojamento com antecedência, especialmente em Percé e Gaspé, que são os pontos mais procurados.
Para mais inspiração e ideias para passeios, férias e fins de semana em Portugal e no mundo, espreitem a minha página de Instagram
Hattusa, antiga capital do Império Hitita, é uma das mais impressionantes atrações arqueológicas da Turquia. Situada perto da vila de Boğazkale, na província de Çorum, a cerca de 200 quilómetros a leste de Ancara, esta cidade milenar oferece aos visitantes uma experiência única: a possibilidade de caminhar entre vestígios de uma civilização que rivalizou com o Egito e a Mesopotâmia durante a Idade do Bronze.
Foto: Bernard Gagnon -CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=37792370
A inscrição de Hattusa como Património Mundial da UNESCO em 1986 reforça a importância histórica e cultural deste local, que se destaca pela monumentalidade das suas estruturas e pela riqueza dos seus arquivos.
Este não é apenas um destino para entusiastas da arqueologia, mas uma oportunidade de contacto direto com uma civilização que moldou o curso da história antiga. A sua importância diplomática, a sofisticação das suas construções e a riqueza documental tornam este sítio arqueológico uma paragem obrigatória para quem deseja compreender melhor as raízes do mundo moderno.
Hattusa remonta ao início do segundo milénio a.C., quando os hatitas, povo indígena da região, estabeleceram ali uma cidade-estado. Por volta de 1700 a.C., o rei Anitta de Kussara conquistou e destruiu Hattusa, deixando uma inscrição que amaldiçoava quem tentasse reconstruí-la. Ironicamente, foi o rei Hattusili I, também de Kussara, quem reocupou e transformou a cidade na capital do Império Hitita no século XVII a.C. A cidade atingiu o seu apogeu no século XIV a.C., ocupando cerca de 1,8 km² e tornando-se um centro político, religioso e diplomático de grande influência.
A arquitetura de Hattusa é marcada por muralhas ciclópicas, portões cerimoniais e templos monumentais. O Portão dos Leões, o Portão das Esfinges e o Portão do Rei são exemplos notáveis da engenharia hitita, construídos com blocos de pedra maciços e adornados com relevos simbólicos. Estes elementos nãoimpressionam apenas pela escala, mas também revelam aspetos da religiosidade e da organização social dos hititas, permitindo perceber que a cidade dividia-se em duas zonas principais: a cidade baixa, onde se localizavam os grandes templos e armazéns, e a cidade alta, que abrigava os palácios e santuários reais.
Foto: World History Encyclopedia / Carole Raddato - CC BY-NC-SA 4.0
Foto: :China Crisis - CC BY-SA 2.5, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=826252
Foto: Wikimedia Commons / Carole Raddato - CC BY-NC-SA 4.0
Um dos achados mais significativos em Hattusa foi o conjunto de mais de 30.000 tábuas de argila inscritas em escrita cuneiforme, descobertas nos arquivos reais. Estes documentos revelam tratados internacionais, como o célebre Tratado de Kadesh com o Egito, considerado o mais antigo acordo de paz escrito da história. Além disso, os textos oferecem informações sobre leis, práticas administrativas e crenças religiosas, evidenciando uma sociedade complexa e altamente organizada, com uma rede diplomática que se estendia por todo o Médio Oriente.
A poucos quilómetros de Hattusa encontra-se o santuário de Yazılıkaya, um templo ao ar livre esculpido num desfiladeiro rochoso. Ali, deuses hititas estão representados em procissão, gravados nas paredes de pedra com uma precisão que desafia o tempo. Este local complementa a visita à capital hitita, oferecendo uma visão mais íntima da espiritualidade e da arte religiosa daquele povo. A paisagem envolvente, composta por vales férteis e colinas suaves, contribui para a atmosfera singular da região.
O mistério da Pedra Verde de Hattusa
A Pedra Verde de Hattusa é um bloco cúbico de nefrita, de cor verde escura, situado nas ruínas do Grande Templo da antiga capital hitita, localizada na atual Turquia. Este artefacto enigmático tem fascinado arqueólogos e visitantes, não apenas pela sua aparência distinta, mas também pelo mistério que envolve a sua função original. Alguns especialistas sugerem que poderia ter servido como base de uma estátua, trono cerimonial ou altar religioso, embora nenhuma dessas hipóteses tenha sido confirmada. A pedra é única na região, o que levanta a possibilidade de ter sido transportada de locais distantes, como as montanhas Taurus. Para os habitantes locais, é conhecida como a “pedra dos desejos”, acreditando-se que possui propriedades mágicas capazes de realizar desejos secretos daqueles que nela colocam as mãos.
Visitar Hattusa exige alguma preparação, mas é perfeitamente viável. A forma mais fácil de o fazer é apanhando um voo deLisboa ou Porto para Ancara e a partir daí marcar, junto de um operador turístico local, uma excursão organizada que incluatransporte, guia e visitas aos principais pontos arqueológicos.
Recomenda-se também uma passagem pelo Museu das Civilizações da Anatólia, em Ancara, que abriga artefactos essenciais para compreender o contexto histórico de Hattusa.
Para mais inspiração e ideias para passeios, férias e fins de semana em Portugal e no mundo, espreitem a minha página de Instagram
Vulgarmente conhecida como "ponte invertida", a Ponte do Aqueduto de Veluwemeer é famosa pela sua engenharia, que contraria as estruturas habituais das pontes.
Veluwemeer está localizada nos Países Baixos, a cerca de 70 quilómetros de Utrecht, no Lago Veluwe, perto da pequena cidade de Harderwijk. Na verdade esta ponte é uma passagem subterrânea que liga o trafego rodoviário do continente à Flevolândia, a maior ilha artificial do mundo, construída a partir de terrenos recuperados na região.
Inaugurado em 2002, o Aqueduto de Veluwemeer mede 25 metros de comprimento e 19 metros de largura e tem uma profundidade de água de 3 metros, suficiente para permitir a passagem de pequenas embarcações.
Enquanto os barcos navegam acima do nível da rua, em baixo circulam quase 30 mil veículos por dia. Existem ainda ciclovias e passagens que permitem a travessia do tráfego pedonal e de bicicletas.
Porque foi escolhido este projeto e não o de uma ponte ou túnel mais tradicional?
De acordo com o site Interesting Engeneering, durante a fase de planeamento do projecto, foram consideradas pontes levadiças e um serviço de ferry, como possíveis soluções para permitir que a estrada atravessasse totalmente o lago. No entanto, estas ideias foram todas rejeitadas, acabando por ser selecionada a nova abordagem de construção de um pequeno aqueduto que tornaria o tráfego sobre a estrada N302 — uma autoestrada muito importante na região — mais eficiente. Com esta solução, o fluxo de tráfego nunca seria interrompido pelos horários de uma ponte levadiça ou por um serviço de ferry.
Um túnel convencional, também foi considerado, mas exigia muito tempo de construção e mais despesas, em comparação com a solução do aqueduto. O mesmo problema enfrentou a construção de uma ponte tradicional. Embora seja uma solução mais típica para o problema, foi considerada demasiado dispendiosa quando comparada com o custo mais razoável da solução do aqueduto.
Como funciona a ponte?
Na maior parte da autoestrada N302 que atravessa o lago, a estrada é elevada acima da linha de água por um troço de barreiras artificiais, mas no curto vão de 17 m,no aqueduto, a estrada mergulha brevemente, abaixo da superfície do lago. Assim, ao contrário das pontes levadiças, a ponte aquática de Veluwemeerpermite um fluxo ininterrupto de tráfego tanto por baixo, na estrada, como sobre o aqueduto.
Com origens que remontam ao período Paleolítico, Matera, situada na região da Basilicata, no sul da Itália, é uma das mais antigas cidades do mundo continuamente habitadas. Esculpida nas encostas do desfiladeiro de Gravina, é conhecida pelos seus famosos “Sassi”, bairros inteiros compostos por habitações escavadas na rocha calcária, que testemunham milhares de anos de história humana.
Fotos: H. Borges / The Travellight World
A história de Matera é marcada por contrastes. Durante séculos, os seus habitantes viveram em grutas sem eletricidade ou saneamento, o que levou a cidade a ser apelidada de “vergonha da Itália” nos anos 50. No entanto, a partir da década de 1980, iniciou-se um processo de reabilitação que culminou com o reconhecimento dos Sassi como Património Mundial da UNESCO em 1993 e a nomeação de Matera como Capital Europeia da Cultura em 2019.
As casas de Matera são o elemento que distingue esta cidade de todas as outras. Escavadas diretamente na rocha, muitas delas mantêm a fachada de pedra e interiores frescos, ideais para suportar o clima quente da região. Estas habitações trogloditas, organizadas em labirintos de vielas e escadarias, formam um cenário quase surreal. Algumas foram transformadas em museus, como a Casa Grotta di Vico Solitario, que recria a vida quotidiana dos antigos moradores.
Entre as atrações imperdíveis da cidade estão a Catedral de Matera, com a sua arquitetura românica apuliana e vistas deslumbrantes sobre o Sasso Barisano, e a igreja rupestre Santa Maria de Idris. O miradouro de Murgia Timone também é uma paragem obrigatória. Oferece uma vista panorâmica sobre a cidade e sobre o desfiladeiro, sendo o local ideal para apreciar o pôr do sol.
Matera é uma cidade única, perfeita para descobrir num fim de semana prolongado. Explorar a cidade exige alguma preparação física, já que há muitas escadas para subir e descer, mas três dias são suficientes para conhecer com calma as suas principais atrações e absorver a sua atmosfera especial.
Veja em baixo a minha sugestão de roteiro.
Roteiro de 3 dias
Dia 1: A Cidade dos Sassi e a história de Matera
Comece a visita com uma caminhada pelo bairro histórico do Sasso Barisano, o mais restaurado dos dois Sassi. As ruas estreitas e sinuosas revelam casas escavadas na rocha calcária, muitas delas transformadas em lojas, cafés e ateliers de artesanato.
Visite a Casa Noha, um pequeno museu gerido pelo FAI (Fundo Italiano para o Ambiente), que oferece uma introdução audiovisual à história de Matera, desde a pré-história até à sua redescoberta como Património Mundial da UNESCO.
Dirija-se depois à Trattoria del Caveoso, situada no Sasso Caveoso, para saborear pratos típicos da região da Basilicata. Não deixe de experimentar o orecchiette com molho de carne ou o cavatelli com cogumelos e trufas. O ambiente é acolhedor e rústico, com mesas inseridas em antigas cavernas.
Depois do almoço suba até à Civita, o ponto mais alto entre os dois Sassi, onde vai encontrar a Catedral de Matera, dedicada à Madonna della Bruna. Construída no século XIII, a catedral apresenta elementos românicos e barrocos, e oferece vistas panorâmicas sobre os bairros escavados na rocha. Depois, desça até à Piazza Vittorio Veneto e explore o Palombaro Lungo, um impressionante reservatório subterrâneo que abastecia a cidade com água potável. A visita guiada revela a engenhosidade hidráulica dos antigos habitantes.
Para jantar, o Ristorante Francesca, localizado numa gruta elegante no Sasso Caveoso, é uma boa opção. A cozinha combina tradição e sofisticação, com pratos como cordeiro com ervas, ravioli recheado com ricotta e sobremesas artesanais.
Matera tem muitas opções de alojamento, desde hoteis, B&B´s e alojamentos locais, mas se quer que a sua estadia seja épica, escolha o Aquatio Cave Luxury Hotel, um hotel escavado na rocha, com quartos que combinam design contemporâneo e tradição rupestre. O spa subterrâneo e a localização privilegiada no coração dos Sassi tornam este alojamento ideal para uma estadia memorável em Matera.
Dia 2: Igrejas rupestres e paisagens da Murgia
Comece o segundo dia com uma travessia da ponte suspensa que liga os Sassi ao Parque da Murgia Materana, uma área protegida de grande valor arqueológico e natural. Explore trilhos que conduzem a antigas igrejas rupestres, como a Santa Maria de Idris, escavada na rocha e parcialmente integrada na paisagem, e a San Giovanni in Monterrone, com frescos medievais bem preservados. Suba até ao Miradouro Murgia Timone, de onde se obtém uma vista panorâmica sobre Matera, com os Sassi a parecerem uma escultura viva.
Regresse à cidade para almoçar no restaurante L’Abbondanza Lucana, conhecido pela sua cozinha autêntica e ingredientes locais. Experimente o baccalà alla materana (bacalhau com tomate e pimentos) ou o agnello con peperoni cruschi (cordeiro com pimentos secos crocantes).
Dedique a tarde ao Sasso Caveoso, o bairro mais preservado e menos turístico. As ruas mantêm o traçado original e muitas casas continuam em estado semi-rupestre. Visite a Casa Grotta di Vico Solitario, uma reconstrução fiel de uma habitação típica dos Sassi nos anos 1950, com mobiliário e utensílios originais. Depois, reserve tempo para visitar a Cripta del Peccato Originale, situada fora do centro. Esta igreja rupestre do século IX é decorada com frescos bíblicos de grande valor artístico, sendo apelidada de “Capela Sistina da arte rupestre”. Esta visita requer reserva prévia e transporte privado ou táxi.
Termine o dia a jantar num restaurante como o Vitantonio Lombardo, o único restaurante com estrela Michelin em Matera. Situado numa gruta elegante, oferece uma experiência gastronómica inovadora com pratos que reinterpretam a cozinha tradicional da região da Basilicata, no sul da Itália. O menu de degustação é uma excelente forma de explorar os sabores locais com criatividade.
Dia 3: Apreciar a cultura e relaxar
Guarde para o último dia a visita ao Museu Nacional de Arte Medieval e Moderna da Basilicata, instalado no elegante Palazzo Lanfranchi, no Sasso Barisano. O museu alberga obras de artistas locais e nacionais, incluindo peças de Carlo Levi, autor de “Cristo parou em Eboli”, cuja ligação a Matera é profunda. Depois, passeie pela Via Ridola, uma das ruas mais animadas da cidade, com lojas de artesanato, livrarias e cafés. É o local ideal para comprar cerâmica típica, tecidos bordados ou produtos gastronómicos da região.
Almoce no restaurante La Gatta Buia, situado numa gruta restaurada com ambiente descontraído. A cozinha oferece especialidades como risotto de cevada com legumes da estação ou carne de porco preto com puré de batata trufado.
Regresse ao hotel para desfrutar de uma tarde de relaxamento no spa subterrâneo do Aquatio Cave Luxury Hotel. O circuito inclui banho turco, piscina aquecida e tratamentos inspirados em ingredientes locais, como azeite e argila. Se preferir continuar a explorar, visite pequenas galerias de arte contemporânea ou o Laboratório de Cerâmica Artistica, onde pode observar artesãos a trabalhar ao vivo.
Para o jantar de despedida, dirija-se à Osteria al Casale, situada nos arredores de Matera. O ambiente rural e acolhedor é perfeito para saborear pratos como o ravioli de ricotta com molho de tomate fresco ou o cordeiro assado com ervas da Murgia. A carta de vinhos inclui estrelas da região de Basilicata como o Aglianico del Vulture.
Como visitar
Para chegar a Matera a partir de Portugal, o mais prático é voar de Lisboa ou Porto até Bari, a cidade mais próxima com aeroporto internacional. A partir do aeroporto de Bari, se não quiser alugar um carro, pode apanhar um autocarro direto até Matera. A viagem dura cerca de 1 hora e 15 minutos e o bilhete, dependendo do operador, pode ficar por apenas 5 € por pessoa. Cotrap é o operador que costuma oferecer o melhor preço.
Para mais inspiração, roteirose ideias para passeios, férias e fins de semana em Portugal e no mundo, espreitem a minha página de Instagram
Os Fofos de Belas são um doce tradicional português criado em meados do século XIX, na vila de Belas, quando a Casa do Pão-de-Ló começou a produzir esta iguaria. A receita, dizem, nasceu da ideia de enriquecer o pão-de-ló com creme pasteleiro, dando origem a um bolo leve e húmido, recheado e polvilhado com açúcar em pó. Inicialmente conhecidos como “Fartos de Creme”, estes bolos rapidamente conquistaram fama entre os habitantes de Lisboa, que os procuravam durante os passeios de domingo à região. Desde então, a receita tem sido transmitida de geração em geração, mantendo-se fiel à sua origem.
Hoje, os Fofos de Belas são considerados um ex-líbris da doçaria regional sintrense e um símbolo da identidade gastronómica nacional.
Foto: Teleculinária
Aprenda aqui a preparar
INGREDIENTES
Para a massa
4 ovos
225 g de açúcar
150 g de farinha de trigo
½ colher de chá de fermento em pó
Raspa de 1 limão
Manteiga para untar
Farinha para polvilhar
Para o creme
4 colheres de sobremesa de amido de milho (maizena)
5 dl de leite
90 g de açúcar
3 gemas de ovo
Açúcar em pó para polvilhar
PREPARAÇÃO
Massa
Pré-aqueça o forno a 180 ºC.
Unte pequenas formas com manteiga e polvilhe com farinha.
Bata bem os ovos até ficarem em espuma. Adicione o açúcar aos poucos e continue a bater.
Peneire a farinha com o fermento e envolva delicadamente no preparado de ovos.
Acrescente a raspa de limão.
Distribua pelas formas e leve ao forno durante cerca de 30 a 35 minutos, até estarem cozidos e dourados. Apesar de tradicionalmente, os Fofos de Belas serem feitos em pequenas formas individuais, pode, se preferir, usar uma assadeira grande e depois cortar o bolo em círculos.
Retire, deixe arrefecer e desenforme.
Creme
Dissolva a maizena no leite frio. Leve ao lume, mexendo sempre, até engrossar.
Junte o açúcar e as gemas, mexendo bem para não talhar.
Deixe arrefecer.
O creme deve ser colocado apenas quando os bolos já estão frios, para não amolecer demasiado a massa.
Visitar o Palácio de Queluz é como atravessar um véu no tempo e entrar num cenário onde a história se mistura com o encanto. A beleza dos seus jardins, a riqueza dos seus interiores e a importância histórica que encerra fazem dele um monumento imperdível para quem aprecia património cultural.
Fotos: H. Borges / The Travellight World
É em Queluz, entre Lisboa e Sintra, ergue-se esta joia da arquitetura setecentista. Um palácio que parece ter sido desenhado para sonhar. Outrora refúgio de verão do Infante D. Pedro de Bragança, que viria a ser rei consorte de D. Maria I, o edifício nasceu sobre os alicerces de uma antiga casa de campo e foi crescendo com o passar dos anos, ganhando formas e brilhos de um dos últimos grandes palácios rococó da Europa.
A sua arquitetura dança entre o barroco tardio e o rococó, com toques neoclássicos que surgem como notas finais numa melodia visual. Mateus Vicente de Oliveira deu-lhe forma, e Jean-Baptiste Robillion acrescentou-lhe alma, com detalhes que fazem cada sala respirar sofisticação. Não é por acaso que lhe chamam o “Versailles português” — há uma harmonia entre os espaços, uma elegância que se sente mais do que se vê.
Os jardins são um capítulo à parte: desenhados com precisão, adornados com estátuas que parecem contar mitos antigos, fontes que murmuram segredos e lagos que espelham o céu. O Jardim de Malta, com os seus canteiros simétricos e esculturas em chumbo, é um convite à contemplação. Ali, outrora, a corte celebrava com música, luz e fogo-de-artifício, numa festa contínua entre arte e natureza.
Dentro do palácio, cada sala é uma viagem ao passado. A Sala do Trono, a dos Embaixadores, o Salão de Baile — todos guardam ecos de passos reais, de vozes cerimoniais, de momentos que moldaram o país. A Capela Palatina, dourada e serena, revela a espiritualidade da época, enquanto os aposentos privados, como o Boudoir da Rainha, deixam entrever o lado mais íntimo da realeza.
Queluz também foi palco de episódios marcantes da política portuguesa. Após o incêndio da Real Barraca da Ajuda, tornou-se residência oficial da Família Real, acolhendo D. Maria I e, mais tarde, D. João VI. Foi morada até à partida para o Brasil, e depois abrigo de D. Carlota Joaquina, num tempo de intrigas e exílios.
Mesmo após o incêndio de 1934, que destruiu parte dos seus interiores, o palácio renasceu com obras de restauro e hoje abre as suas portas como museu e monumento nacional. Uma das alas, o Pavilhão de Dona Maria, é ainda utilizada como residência oficial para chefes de Estado em visita a Portugal, mantendo viva a sua função diplomática.
O Palácio Nacional de Queluz não é apenas pedra e memória, é antes um lugar onde o passado respira, onde a beleza se revela em cada detalhe, e onde o visitante pode, por instantes, sentir o pulsar de uma época que deixou marcas profundas na alma portuguesa.
Alberobello é famosa pelos seus trulli, casas de pedra com telhados cónicos, mas também pela gastronomia típica da Puglia. Entre os pratos mais representativos está uma massa artesanal que pela sua forma original é chamada de orecchiette, que significa “pequenas orelhas”. A massa costuma ser servida com cime di rapa (grelos de nabo), azeite virgem e alho. É uma receita simples, deliciosa, que se tornou símbolo da região
Veja em baixo a receita
Ingredientes
(para 4 pessoas)
400 g de orecchiette
500 g de cime di rapa (ou grelos de nabo)
2 dentes de alho
4 colheres de sopa de azeite virgem extra
4 filetes de anchova em conserva (opcional, mas tradicional)
Pimenta vermelha seca (q.b.)
Sal grosso (q.b.)
Preparação
Lave bem os grelos de nabo, retirando os talos mais duros. Coza as verduras em água com sal durante cerca de 5 minutos.
Na mesma água, junte as orecchiette e deixe cozer até ficarem al dente.
Enquanto isso, aqueça o azeite numa frigideira, junte o alho picado, as anchovas e a pimenta vermelha. Deixe refogar até as anchovas se desfazerem.
Escorra a massa e as verduras, reservando um pouco da água da cozedura
Junte tudo na frigideira, envolva bem e, se necessário, adicione um pouco da água reservada para ligar o molho.
Sirva de imediato, regado com mais azeite, se desejar.
Alberobello é uma cidade singular no sul de Itália, famosa pelas suas casas em pedra chamadas trulli que lhe conferem um carácter único e encantador.
Fotos: H. Borges e Travellight
Situada na região da Puglia, Alberobello é uma pequena localidade com cerca de 10 mil habitantes, reconhecida como Património Mundial da UNESCO desde 1996. A sua história remonta ao século XV, quando a área foi colonizada por agricultores sob o domínio dos Condes de Conversano. Para evitar o pagamento de impostos ao Reino de Nápoles, os condes ordenaram que as casas fossem construídas sem argamassa, permitindo a sua rápida demolição em caso de inspeção fiscal. Assim nasceram os trulli, estruturas engenhosas que se tornaram símbolo da cidade.
Os trulli são construções circulares feitas com pedra calcária local, empilhada a seco, com telhados cónicos. Estas casas mantêm o interior fresco no verão e quente no inverno, demonstrando uma arquitetura adaptada ao clima e aos recursos da região. A sua aparência pitoresca, com paredes brancas e telhados em pedra cinzenta, transforma Alberobello num cenário quase mágico.
Entre as principais atrações turísticas destaca-se o Rione Monti, o bairro mais famoso da cidade, onde se encontram mais de mil trulli alinhados em ruas estreitas e sinuosas. Outro ponto de interesse é o Rione Aia Piccola, mais tranquilo e autêntico, onde ainda vivem habitantes locais. A Igreja de Sant’Antonio, construída em forma de trullo, é uma visita obrigatória, assim como o Trullo Sovrano, o único trullo de dois andares aberto ao público como museu. A Casa Pezzolla, um complexo de trulli interligados, abriga o Museu do Território, que conta a história e cultura da região.
Alguns trulli de Alberobello distinguem-se por apresentarem pictogramas pintados nos seus telhados cónicos, geralmente em cal branca. Estes símbolos, de origem incerta, incluem cruzes, corações, estrelas, signos zodiacais e figuras esotéricas. Acredita-se que tenham funções de proteção espiritual ou que expressem crenças religiosas e populares dos antigos habitantes. Embora não haja consenso sobre o seu significado, os pictogramas conferem aos trulli uma dimensão mística e reforçam o seu carácter único. É possível observar vários destes símbolos no bairro Rione Monti, especialmente nos trulli mais antigos e bem preservados.
A Basílica Minore dei Santi Medici Cosme e Damiano é o principal templo religioso de Alberobello e um dos seus marcos arquitetónicos mais imponentes. Localizada na Piazza Curri, a basílica destaca-se pelas suas duas torres sineiras e pela fachada em estilo neoclássico, construída com pedra calcária local. O edifício atual foi projetado pelo arquiteto Antonio Curri em 1885 e concluído em 1914. No seu interior, encontram-se esculturas em madeira dos santos padroeiros, Cosme e Damiano, bem como um relicário com fragmentos ósseos dos mesmos. Todos os anos, nos dias 27 e 28 de setembro, realiza-se uma peregrinação em honra dos santos, atraindo fiéis de toda a região.
Construída em 1797 por Francesco d’Amore, a Casa d’Amore é outro marco importante da cidade. É considerada um símbolo da libertação de Alberobello do domínio feudal, pois foi a primeira casa da cidade erigida com argamassa após o decreto real que reconheceu Alberobello como cidade régia.
Roteiro de um dia
Alberobello não é uma cidade muito grande e o seu centro histórico é compacto o suficiente para visitar num único dia.
Neste caso, o ideal é começar com um passeio matinal pelo Rione Monti, explorando as lojas de artesanato e subindo até ao miradouro Belvedere Santa Lucia para uma vista panorâmica da cidade. Visite depois o Trullo Sovrano, o único trullo de dois andares, transformado em museu. A exposição mostra como se vivia nestas casas e inclui mobiliário original o que permite compreender melhor a história local.
Ao almoço, recomendo o restaurante La Cantina, conhecido pela sua cozinha tradicional pugliese ou, se quiser algo mais prático e rápido, uma paragem numa caseificio ou salumeria, lojas em Alberobello que vendem queijos e fumados locais. Muitas oferecem a opção de criar um panino (sanduíche) na hora, com os deliciosos produtos que vendem.
Após o almoço, explore o Rione Aia Piccola, menos turístico e mais residencial, onde os trulli são habitados por locais. Aqui encontrará os trulli com pictogramas pintados nos telhados. Siga depois para a Casa d’Amore e por fim, termine com uma visita à Basílica Minore dei Santi Medici Cosme e Damiano, padroeiros da cidade. Admire a arquitetura neoclássica e o interior decorado com esculturas e relíquias dos santos.
Para um jantar requintado, o restaurante Evo, com pratos contemporâneos inspirados na tradição, é uma excelente escolha. Experimente o polvo grelhado com puré de batata fumado ou o risotto de funcho e laranja, não se vai arrepender!
Termine o dia com um passeio noturno pelas ruas iluminadas de Alberobello, e veja os trulli ganhar uma atmosfera ainda mais mágica sob a luz suave.
Se desejar prolongar a estadia, e sentir como é o dia a dia nesta cidade única, tem opções de hospedagem, para todas as bolsas. O Le Alcove Luxury Hotel, um hotel de charme, instalado em trulli restaurados com elegância e conforto moderno, é uma boa escolha, pois tem uma localização central que permite explorar a cidade a pé com facilidade e oferece uma combinação perfeita entre autenticidade e luxo.
Como visitar
De Portugal, a forma mais prática de chegar a Alberobello é voar até Bari, capital da região da Puglia. Existem voos diretos ou com escala a partir de Lisboa e Porto. De Bari, pode fazer uma excursão de um dia até Alberobello, com um dos vários operadores locais ou alugar um carro para uma viagem mais flexível e panorâmica pelo interior italiano.
Para mais inspiração, roteiros e ideias para passeios, férias e fins de semana em Portugal e no mundo, espreitem a minha página de Instagram
Localizado a apenas 20 minutos de Lisboa, o Praia do Sal Resort é um refúgio de serenidade junto ao estuário do Tejo, ideal para quem procura desacelerar e mergulhar na beleza natural de Alcochete. A sua mais recente oferta — o pacote “Natureza & Contemplação” — foi concebido para proporcionar uma estadia profundamente regeneradora, com destaque para atividades ao ar livre que valorizam o contacto com a biodiversidade envolvente e promovem a orniterapia, uma nova prática terapêutica.
Praia do Sal Resort | Foto: The Travellight World
Recentemente introduzida em Portugal pelo Grupo StayUpon, a orniterapia é uma abordagem inovadora que utiliza o poder das aves para promover o equilíbrio emocional e o bem-estar. Inspirada em práticas já reconhecidas internacionalmente, esta terapia propõe uma reconexão com o ritmo da natureza, através da escuta atenta do canto das aves e da contemplação dos seus comportamentos. Esta prática baseia-se na ideia de que o contacto com a natureza e, em particular, com as aves, pode induzir estados de relaxamento profundo, reduzir o stress e estimular a atenção plena.
Por meio da observação silenciosa, da identificação de espécies e da apreciação dos seus cantos, os praticantes estreitam a sua conexão com o ambiente natural, favorecendo o equilíbrio emocional e auxiliando na superação de estados de ansiedade e fadiga.
Dois especialistas franceses em ornitologia, Philippe J. Dubois e Élise Rousseau, autores da obra “Pequena Filosofia das Aves”, estiveram no início do corrente mês de novembro, no Praia do Sal Resort, para o lançamento deste programa, partilhando generosamente os seus conhecimentos, os fundamentos básicos desta prática e ajudando a orientar sessões de imersão na natureza.
“Os pássaros salvaram-me a vida”, é uma frase que Élise Rousseau diz ouvir com alguma frequência, especialmente de pessoas a passar por um processo de divórcio, de luto, ou outras fases difíceis da vida. Esses testemunhos levaram-na a compreender o poder transformador das aves e a forma como elas ajudam-nos a viver o presente, a praticar o verdadeiro carpe diem e a cultivar qualidades humanas essenciais, como humildade, paciência e discrição. Até mesmo o medo pode ser suavizado — observar aves noturnas, por exemplo, contribui para desmistificar a angústia associada à noite.
Élise Rousseau, Cecile Gonçalves (administradora do Grupo StayUpon) e Philippe J. Dubois | Foto: The Travellight World
Os benefícios da orniterapia são múltiplos e abrangem diversas dimensões da saúde. Para além de melhorar a concentração e a capacidade de escuta ativa, esta prática estimula a memória, a curiosidade e o sentido de pertença ao mundo natural. Em contextos clínicos ou de reabilitação, tem sido utilizada como complemento a terapias convencionais, oferecendo uma alternativa não invasiva e acessível.
Em Alcochete, a introdução da orniterapia pelo Grupo StayUpon representa um passo pioneiro na valorização do território como espaço terapêutico, reforçando o papel das Salinas do Samouco e da avifauna local como recursos naturais com potencial transformador para a saúde e qualidade de vida.
Birdwatching (e não só)
O exclusivo pacote “Natureza & Contemplação” da Praia do Sal Resort inclui uma visita às belas Salinas do Samouco, uma área protegida de elevado valor ecológico, onde é possível observar, ao longo do ano, centenas de espécies de aves em plena liberdade. Este local é um verdadeiro paraíso para os amantes de birdwatching, com trilhos que serpenteiam entre espelhos de água salgada e vegetação autóctone. A observação de aves torna-se aqui não apenas uma atividade de lazer, mas uma importante prática terapêutica — a orniterapia.
As Salinas do Samouco são um dos mais importantes refúgios de biodiversidade da região de Alcochete, acolhendo uma impressionante variedade de aves ao longo do ano. Este ecossistema salino, situado junto ao estuário do Tejo, é especialmente rico em avifauna, com destaque para espécies como o flamingo, o pernilongo, o alfaiate, o colhereiro e diversas variedades de garças e limícolas. A tranquilidade da paisagem e a abundância de alimento tornam este local ideal para a nidificação, repouso e alimentação de aves migratórias e residentes. A observação destas espécies em pleno voo ou em momentos de interação natural oferece uma experiência única de contemplação, sendo um dos principais atrativos para praticantes de birdwatching e, mais recentemente, de orniterapia.
Testemunho vivo da tradição salineira de Alcochete, a única salina ainda ativa na região mantém práticas ancestrais de extração de sal que respeitam o equilíbrio ecológico do território. Esta salina não só preserva o património cultural local como também contribui para a manutenção do habitat das aves, ao garantir zonas húmidas e espelhos de água essenciais à sua sobrevivência. A atividade salineira, aliada à conservação ambiental, permite que visitantes tenham contacto direto com uma paisagem produtiva onde o sal e as aves coexistem em harmonia.
Salinas do Samouco | Fotos: The Travellight World
Natureza e Contemplação
Além da visitaàs Salinas do Samouco, o pacote “Natureza & Contemplação”, válido para estadias entre 8 de Novembro de 2025 e 31 de Março de 2026, inclui:
1 noite de alojamento para duas pessoas num confortável apartamento;
Pequeno almoço;
Acesso à piscina interior do SPA;
1 tratamento de 60 minutos no SPA, acompanhado por sons autênticos de aves gravados nas salinas e no estuário do Tejo. O tratamento "Esfoliação com Areia e Rio" é para 2 pessoas e consiste numa esfoliação suave e revitalizante resultanteda fusão de sal marinho fino, areia vulcânica e óleos essenciais cítricos que renovam a pele deixando-a sedosa, luminosa e revigorada.
Um almoço ou jantar temático, no restaurante Omaggio, preparado pelo Chef Vitor Furtado, com uma carta denominada "Sabores em Voo sobre o Tejo”, completa a experiência da melhor maneira, criando uma refeição memorável que funde os sabores da cozinha italiana com os mais frescos ingredientes locais.
Praia do Sal Resort | Fotos: The Travellight WorldRestaurante Ommagio | Fotos: The Travellight World
Com esta proposta, o Praia do Sal Resort e o Grupo StayUpon posicionam Alcochete como um destino pioneiro na promoção da saúde através da natureza, reforçando o seu compromisso com o turismo sustentável e o bem-estar dos seus visitantes.
Para mais inspiração, recomendações de restaurantes e hoteis e ideias para passeios, férias e fins de semana em Portugal e no mundo, espreite a minha página de Instagram
O The Travellight World hospedou-se no Praia do Sal Resort e visitou as Salinas do Samouco a convite do StayUpon Hospitality Group
Com as eleições presidenciais marcadas para janeiro próximo, visitar o Palácio de Belém é uma oportunidade única para conhecer a residência oficial daquele que será o próximo Presidente da República Portuguesa. Este edifício histórico, situado em Lisboa, é não só um símbolo do poder político nacional, mas também um testemunho da riqueza patrimonial e artística do país.
Fotos: H.Borges e Travellight
Para visitar o Palácio de Belém é necessário fazer uma marcação prévia através dos contactos indicados no site oficial do Museu da Presidência. A visita guiada a este espaço percorre habitualmente a ala protocolar do Palácio, passando pela Sala das Bicas, Sala de Jantar, Sala Dourada, Capela, Sala Império, Sala dos Embaixadores e o Gabinete Oficial do Presidente da República. Já no exterior, visitam-se o Pátio dos Bichos e os jardins do Buxo, das Tileiras e da Cascata, permitindo descobrir recantos surpreendentes e histórias curiosas.
O Palácio
O primeiro Palácio de Belém, mais pequeno que o atual, foi mandado construir em 1559, por D. Manuel de Portugal, filho dos condes de Vimioso. No século XVIII, D. João V adquiriu a propriedade e remodelou-a profundamente, acrescentando cavalariças e ampliando os jardins. O edifício sobreviveu ao forte terramoto de 1755 e, após a implantação da República em 1910, foi escolhido como residência oficial do Presidente da República. Desde 2007, está classificado como Monumento Nacional.
Em termos de arquitetura, o palácio mistura estilos barroco e neoclássico, com uma planta retangular dividida em cinco partes. A fachada principal, voltada para a Praça Afonso de Albuquerque, é discreta mas cheia de charme, com varandas que dão para os jardins. O interior foi sendo decorado ao longo dos séculos XIX e XX, com salas protocolares bem ornamentadas, estuques, tapeçarias e mobiliário de época. Entre os espaços mais emblemáticos estão a Sala Dourada, usada para receções oficiais, e a Capela, que não apresenta decoração religiosa tradicional, mas sim uma intervenção artística contemporânea da pintora Paula Rego.
Durante o mandato do Presidente Jorge Sampaio, foi feita uma encomenda especial à artista, que resultou no ciclo “A Vida da Virgem Maria” — um conjunto de oito quadros a lápis pastel que retratam momentos marcantes da vida de Maria, como a Anunciação, o Nascimento de Cristo e a Assunção. Estas obras substituíram a decoração anterior e conferem à capela uma dimensão artística única, onde a espiritualidade se cruza com a expressão visual intensa e pessoal de Paula Rego. Embora o espaço já não seja utilizado para culto, continua acessível ao público como parte integrante da visita ao palácio.
Os Jardins
Quem passeia por Belém, e nunca entrou no Palácio, talvez não imagine que por detrás dos muros escondem-se belos jardins, com muito mais para contar do que apenas cerimónias protocolares.
Criado no século XVI e redesenhado com traçado geométrico no tempo de D. Maria I, por volta de 1780, o Jardim do Buxo é o maior dos jardins do Palácio e, em tempos,chegou a ter o rio Tejo aos pés, a poucos metros de distância. Hoje, continua a ser um dos locais mais utilizados para receções oficiais, especialmente nos dias de sol, quando a varanda principal se abre para este cenário verde. Por baixo dessa varanda, encontramos outro ponto de interesse: uma casa de fresco decorada com esculturas, estuques e bancos de pedra ideais para sentar e descansar em dias de grande calor.
O Jardim das Tileiras, o Jardim da Cascata, entre outros, compõem o conjunto paisagístico do Palácio, misturando estilos e épocas. Cada um tem o seu carácter: uns mais formais, outros mais românticos, mas todos com detalhes curiosos, como grutas renascentistas, fontes ornamentadas e esculturas imponentes.
O Jardim da Cascata, originalmente concebida como viveiro de aves exóticas e espaço de lazer da corte é particularmente interessante.
Mandado construir por D. Maria I entre 1780 e 1785, integra-se na tradição dos jardins palacianos europeus, onde o espetáculo da natureza se aliava à arquitetura decorativa. Este jardim não era apenas um espaço verde, mas uma verdadeira instalação artística e cenográfica. Íncluía uma cascata artificial e luxuosas gaiolas para aves raras trazidas de várias partes do Império português
Após décadas de abandono, o jardim foi alvo de uma reabilitação promovida pela Presidência da República com apoio do Turismo de Portugal, tendo sido devolvido ao público em 2009 como espaço para exposições e pequenos espetáculos.
O Pátio dos Bichos
Este pátio foi concebido como parte de um conjunto de espaços destinados ao recreio da família real. Servia para acolher animais exóticos e funcionava como uma espécie de pequeno jardim zoológico privado da corte, muito comum em palácios europeus da época, refletindo o gosto pela curiosidade natural e pela ostentação de espécies raras, muitas vezes trazidas das colónias.
Era um local de lazer, onde a corte podia observar os animais e desfrutar de momentos de descontração num ambiente controlado. Com o passar do tempo, e sobretudo após a transformação do palácio em residência oficial do Presidente da República, o pátio perdeu essa função zoológica, mas manteve o nome e o valor histórico, ajudando a compreender melhor o quotidiano da corte portuguesa e o modo como os espaços eram usados para afirmar prestígio e domínio sobre o mundo natural.
O Museu
O Palácio Nacional de Belém étambém casa do Museu da Presidência, um espaço que convida à descoberta da história política contemporânea de Portugal, com uma abordagem acessível.
O museu, criado com o intuito de aproximar os cidadãos da instituição presidencial, apresenta exposições permanentes e temporárias que abordam temas como os símbolos do Estado e os momentos marcantes da democracia portuguesa. Mostram os presidentes que passaram pelo cargo, os seus objetos pessoais, documentos históricos e até os presentes protocolares que receberam ao longo dos mandatos.
Como visitar
Para visitar o Palácio Nacional de Belém, é necessário planear com alguma antecedência, já que as visitas são limitadas a determinados dias e horários. As visitas guiadas decorrem exclusivamente aos sábados, com sessões às 10h30, 11h30, 14h30, 15h30 e 16h30. O palácio está encerrado à segunda-feira e em feriados como 1 de janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de maio e 25 de dezembro.
É necessário fazer uma reserva prévia e verificar se há alterações de última hora devido à agenda presidencial, que pode condicionar ou cancelar visitas. A marcação de visitas faz-se por telefone (213 614 980) ou e-mail (museu@presidencia.pt) e está sujeita a confirmação por parte do Museu da Presidência da República, que será garantida até às 17h da sexta-feira anterior.
O bilhete geral custa 5 €, com descontos, entre outros, para estudantes e seniores.
À entrada, todos os visitantes passam por uma revista de segurança efetuada pela PSP, sendo proibida a entrada com objetos perigosos. O circuito da visita pode incluir salas históricas, jardins e exposições temporárias, dependendo da disponibilidade e da agenda oficial.
Para mais inspiração e ideias para passeios, férias e fins de semana em Portugal e no mundo, espreitem a minha página de Instagram
Situado a 901 metros de altitude, o Eagle Nest Eco Lodge ergue-se sobre o vale de Gudbrandsdalen, rodeado pelas majestosas cadeias montanhosas de Rondane, Dovrefjell e Jotunheimen. A localização oferece uma vista panorâmica deslumbrante sobre rios serpenteantes, florestas de pinheiros e paisagens culturais vivas, evocando os contos folclóricos noruegueses de Asbjørnsen e Moe.
A arquitetura da cabana de madeira é uma fusão entre o moderno e o tradicional e toda a sua estrutura estende-se oito metros no ar, criando a sensação de flutuar sobre o vale. O interior foi cuidadosamente decorado com elementos artesanais da região, como portas de antigas quintas, prateleiras entalhadas à mão e ardósia local. A cozinha, feita em pinho das montanhas, está toda equipada, permitindo aos hóspedes preparar refeições. No pátio exterior da cabana, um jacuzzi e uma lareira prometem noites mágicas eaconchegantes.
O Eagle Nestestá aberto todo o ano, convidando os visitantes a desfrutar das quatro estações em pleno. No inverno, a neve e o frio criam uma paisagem branca digna de cartão de Boas Festas ; na primavera, o verde das árvores renova a paisagem; o verão oferece noites luminosas intermináveis; e o outono pinta os arredores com tons vibrantes e ventos suaves.
Atividades
Nas redondezas, há várias atividades e atrações para explorar. A poucos quilómetros encontram-se o topo da montanhaPillarguri, a cabana de Marcello Haugen e o Parque Nacional de Rondane, ideal para caminhadas e observação da natureza.
Como chegar
A cidade mais próxima é Otta, a cerca de3 horas e 45 minutos de comboio, de Oslo.
De Otta pode apanhar um taxi até ao Eagle Nest. São cerca de sete quilómetros por uma estrada de montanha até ao parque de estacionamento, seguido depois por uma curta caminhada. Recomenda-se contactar previamente os anfitriões para coordenar a chegada e obter instruções detalhadas sobre o acesso ao lodge.
Fotos: Eagle Nest Eco Lodge
Para mais inspiração e ideias para estadias em hotéis, passeios, férias e fins de semana em Portugal e no mundo, espreitem a minha página de Instagram
Mokokawa, cascata localizada na região de Banggai, em Sulawesi Central, na Indonésia, é um destino ainda pouco conhecido fora do país, mas tem vindo a atrair cada vez mais visitantes pela sua beleza e paisagem única, criada pela água a escorrer suavemente por terraços naturais, formados por camadas de rocha calcária.
Foto: Instagram @kulturdomestik
A cascata foi durante muito tempo conhecida apenas pelos habitantes locais, que a utilizavam como ponto de descanso e fonte de água fresca durante caminhadas pelas colinas. Só recentemente começou a ser promovida como destino turístico, mantendo ainda um ambiente preservado e livre de grandes infraestruturas. A ausência de construções comerciais e a vegetação densa que a rodeia tornam a experiência autêntica e serena, ideal para quem procura atrações menos concorridas.
Ao chegar à cascata, os visitantes são recebidos por um cenário de rara beleza: água límpida a cair de cerca de 10 metros de altura, formando um lago de tom verde-turquesa. O som da água, o canto dos pássaros e a sombra das árvores tropicais criam um ambiente propício à meditação, ao descanso ou simplesmente à contemplação. É comum encontrar viajantes a fazer piqueniques ou a mergulhar nas piscinas naturais, aproveitando a frescura da água proveniente das montanhas.
Chegar a Mokokawa, não é fácil, mas o esforço vale a pena. Primeiro tem de se voar até Jakarta ou Bali, dois dos principais pontos de entrada na Indonésia. A partir daí, é necessário apanhar um voo doméstico para Luwuk (Aeroporto Syukuran Aminuddin Amir - LUW). O tempo de voo varia entre uma a duas horas, dependendo da origem.
Chegando a Luwuk, o percurso até à cascata continua por estrada, num trajeto de cerca de 30 quilómetros até à zona florestal de Hanga-Hanga. A estrada é acessível por carro, embora algumas secções sejam estreitas e sinuosas. O último trecho é feito a pé, através de uma caminhada de 30 a 45 minutos por trilhos naturais, atravessando riachos e zonas rochosas. Apesar de exigir algum esforço físico, o trilho é acessível a caminhantes iniciantes e faz parte da experiência.
A entrada não é cara, custa 250.000 IDR por pessoa (à volta de 13 euros) e o local raramente está cheio, mesmo em épocas altas.
A visita ao local é recomendada especialmente durante a manhã, quando a luz suave atravessa a vegetação e forma neblinas ligeiras sobre a água.
Onde se hospedar
A Cascata Mokokawa não dispõe de grandes comodidades turísticas, o que reforça o seu carácter selvagem e pouco explorado, mas para os mais aventureiros, existe a possibilidade de acampar nas zonas planas próximas desde que se leve o equipamento necessário e se respeite o ambiente.
Para mais inspiração e ideias para passeios, férias e fins de semana em Portugal e no mundo, espreitem a minha página de Instagram