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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Dom | 28.02.21

Alfajores | Os biscoitos mais populares da Argentina

fullsizeoutput_5662Foto: vintagekitchennotes.com

Os alfajores são um dos doces mais populares da Argentina. Estes pequenos biscoitos amanteigados recheados com diferentes sabores, e muitas vezes, cobertos com chocolate, coco ralado ou açúcar de confeiteiro, tem origem árabe, mas foram trazidos para a América Latina pelos colonos espanhóis e rapidamente ganharam adeptos na Argentina.

INGREDIENTES

150 g de manteiga sem sal
200 g de açúcar
2 gemas de ovo, à temperatura ambiente
1 ovo inteiro
1 colher (de sopa) de conhaque
140 g de farinha
250 g de amido de milho
½ colher (de chá) de fermento em pó
Algumas gotas de extrato de baunilha
Raspas de ⅓ de limão
1 chávena de doce de leite
Coco ralado para enfeitar (opcional)

PREPARAÇÃO

Numa tigela grande, usando uma espátula ou batedeira ou uma colher de pau, misture a manteiga e o açúcar até ter uma mistura cremosa.

Adicione as gemas e o ovo inteiro e misture bem para incorporar.
Adicione o conhaque, o extrato de baunilha e as raspas de limão. Misture bem.

Em seguida, acrescente a farinha, o fermento e o amido de milho, aos poucos, mexendo muito bem. A massa no final deve ficar muito macia e sedosa, mas não pegajosa.

Deixe descansar por 10 minutos e pré-aqueça o forno a 170º C .

Numa superfície enfarinhada, estenda a massa até ter cerca de meio centímetro de espessura.

Usando um cortador redondo, corte círculos e coloque-os numa bandeja untada com manteiga ou forrada com papel vegetal.

Asse por 10 a 12 minutos ou até começar a dourar. Retire do forno e deixe esfriar completamente.

Com uma colher ou com um saquinho de pasteleiro, recheie metade dos biscoitos (com a face plana para cima) com doce de leite. Pressione levemente com outro biscoito, formando os alfajores.

Com o dorso de uma colher, alise as laterais, limpando o doce de leite que tiver transbordado.

Coloque o coco ralado num pratinho e role as laterais dos alfajores para obter uma camada uniforme.

Os alfajores estão prontos a servir!

 

Receita retirada com pequenas adaptações do site vintagekitchennotes.com

Sex | 26.02.21

Sonhar com… Experiências únicas na Argentina

Da riqueza cultural de Buenos Aires ao maravilhoso Glaciar Perito Moreno, passando pelas Cataratas do Iguaçu e pela Tierra del Fuego, há imensas coisas incríveis para conhecer e fazer na Argentina!

Estas são algumas das melhores.

1. Ver o Glaciar Perito Moreno

Extensão do grande Manto de Gelo Meridional que preenche os vales andinos entre a Argentina e o Chile, o "Moreno" - que leva o nome de um famoso explorador argentino - é um dos mais espetaculares glaciares do mundo. É dos poucos que se tem conseguido manter estável, sem diminuir, devido ao aquecimento global. Por vezes cria até uma ponte de gelo que, mais tarde, minada pelas águas em baixo, desaba com grande drama e comoção.

fullsizeoutput_565eTodas fotos: PxHere

2. Percorrer a Ruta Nacional 40

A estrada mais famosa da Argentina cruza o país de um extremo a outro e vai da fronteira com a Bolívia até ao Estreito de Magalhães.
Pode começar e terminar na cidade de Rio Gallegos capital da província argentina de Santa Cruz (Região da Patagónia ) ou na província de Jujuy no extremo Norte. Pelo caminho podemos ver rebanhos de guanacos e ovelhas e passar por 11 províncias em três regiões. Vemos também rios, grandes lagos, desertos de sal, vulcões, pontes, glaciares e 20 reservas naturais e parques nacionais — 5 deles considerados Património da Humanidade pela UNESCO: O Parque Nacional Los Glaciares, La Cueva de las Manos, Parque Provincial de Ischigualasto,  Parque Nacional  Talampaya e Quebrada de Humahuaca. 
Percorrer esta estrada é uma grande aventura, com muita cultura, ecoturismo, gastronomia, vinho e muito mais!

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3. Visitar as Cataratas do Iguaçu

Na fronteira da Argentina com o Brasil, inseridas num Parque Nacional, encontramos as impressionantes Cataratas do Iguaçu.

De Puerto Macuco podemos descer cerca de 100 metros até chegar ao desfiladeiro do rio Iguaçu, onde é possível ir de barco até à base do Salto Três Mosqueteiros e até à Garganta do Diabo — a queda de água mais importante e mais bonita do Parque Nacional.

O Peñón de la Bella Vista, tal como o nome indica, oferece algumas das melhores vistas das Cataratas e a selva envolvente com os seus tucanos, papagaios e macacos contribui para uma verdadeira imagem de cartão postal.

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4. Explorar a Costa Atlântica

A longa costa atlântica da Argentina não é conhecida por muitos viajantes, mas vale a pena conduzir pela Ruta 3 de Buenos Aires até Rio Gallegos. Os principais locais da rota incluem Chubut; as praias do Rio Negro em Las Grutas; a península Valdés e o porto San Julián, na Patagónia — por onde passou o navegador português Fernão de Magalhães.

A odisseia pelo litoral argentino é facilitada por excelentes opções de estadia, com bons hotéis nos principais portos.

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5. Explorar Salta e os Vales Calchaquíes

Os vales Calchaquíes formam um sistema de vales e montanhas no noroeste da Argentina e são considerados um dos lugares mais belos do país. São também o local onde se estabeleceram os índios pertencentes ao grupo étnico Diaguita-Cacano dos Calchaquíes, por isso uma viagem por esta região oferece aos visitantes a rara oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o passado indígena da Argentina.

Por aqui encontramos pequenos pueblos, desfiladeiros impressionantes e atrações como a cidade vinícola de Cafayate ou o sítio arqueológico de Quilmes, que foi destruído pelos conquistadores espanhois durante o século XVII.

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6. Visitar Ushuaia e a Tierra del Fuego

No norte do Canal de Beagle, o Parque Nacional Terra do Fogo oferece aos visitantes a oportunidade de percorrer trilhas ao longo de rios e baías cénicas. É ideal para caminhadas, escalada, observação de aves e pratica de desportos aquáticos como andar de caiaque para visitar as praias mais remotas.
Quem gosta de acampar pode pernoitar no parque, nos acampamentos de Pipo, Ensenada e Lago Roca.

A cidade de "fim do mundo" de Ushuaia está empoleirada na costa do Canal de Beagle e é cercada pelas Montanhas Le Martial. Para além do cenário deslumbrante, a capital da Terra do Fogo oferece uma interessante cultura local, tradições e história. O Museu do Fim do Mundo e o Museu Marítimo de Ushuaia, merecem igualmente uma visita.

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7. Ficar num rancho argentino

Ranchos nas Pampas ou nas profundezas da Patagónia, geridos por famílias tradicionais, aceitam hóspedes e ajudam o visitante a sentir o “gostinho” da vida próxima da natureza.

Selar um cavalo e acompanhar um gaúcho para o ajudar a recolher gado ou apenas apreciar a vista, observar os pássaros e ver o horizonte distante, é uma experiência inesquecível, assim como o sabor de um bom churrasco argentino preparado ao ar livre.

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8. Conhecer a região dos Siete Lagos

A Ruta de los Siete Lagos é uma estrada que passa por sete lindos lagos, muitos dos quais com elegantes pousadas, de estilo alpino, nas suas margens. São 107 quilómetros da Villa La Angostura a San Martín de los Andes, que passam por belas florestas de faias, locais perfeitos para a pesca de trutas, boas áreas para caminhadas e locais idílicos para piqueniques.

moreno_lake_southern_argentina_landscape_spring_horizon_nature_holiday_calm-728373.jpg!d9. Apaixonar-se por Buenos Aires

O centro de Buenos Aires combina bonitas avenidas do início do século XIX que imitam a elegante Paris, com bairros de ruas estreitas e pequenas praças.
É impossível não ficar apaixonado pela atmosfera boémia de lugares como La Boca ou San Telmo, —onde o tango é rei,  ou pelo histórico Monserrat, local da Plaza de Mayo e da Casa Rosada.

Numa única viagem, é quase impossível experimentar tudo o que Buenos Aires tem para oferecer, mas assistir a uma apresentação de dança de rua e caminhar pelo colorido Caminito, visitar o tesouro da arte contemporânea exibida no MALBA ou as apresentações espetaculares do Teatro Colón, é uma excelente maneira de começar!

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Qui | 25.02.21

Caril de Beringela

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Este caril de beringela é um dos pratos mais populares no sul da Índia onde se privilegiam as receitas vegetarianas. É habitualmente servido com arroz basmati e pão naan.

INGREDIENTES

2 beringelas grandes

¼ chávena de óleo de abacate (vende-se aqui)

1 cebola grande, picada

3 dentes de alho grandes, picados

1 colher (de sopa) de gengibre fresco picado

1 pimenta malagueta, picadinha

1 e ½ colher (de chá) de cominho em pó

¾ de colher (de chá) de sal

½ colher (de chá) de coentro moído

½ colher (de chá) de açafrão moído

1 / 2 colher (de chá) de pimenta cayenne (opcional)

2 tomates médios, picados

⅓ chávena de coentros frescos picados

1 colher (de sopa) de sumo de limão

½ colher (de chá) de garam masala (vende-se aqui)

PREPARAÇÃO

Pré-aqueça o forno a 200 º C. Forre uma travessa grande com papel de alumínio.

Corte as beringelas em quatro pedaços e pique os pedaços com um garfo. Coloque na travessa já preparada e leve ao forno por 55 minutos, virando uma ou duas vezes, até as beringelas ficarem bem assadas.

Tire do forno e deixe esfriar. Raspe a polpa e pique. Deite fora a pele.

Enquanto isso, aqueça o óleo de abacate numa frigideira grande em fogo médio. Adicione a cebola e cozinhe, mexendo sempre, até começar a dourar, 5 a 8 minutos. Adicione o alho, o gengibre e a malagueta. Cozinhe cerca de 2 minutos.

Junte o cominho, o sal, os coentros, o açafrão e a pimenta cayenne. Em seguida, adicione os tomates. Cozinhe por 4 a 5 minutos, mexendo sempre, até que os tomates se comecem a desfazer. Adicione a beringela picada, os coentros, o sumo de limão e o garam masala. Cozinhe, mexendo sempre, por cerca de 3 minutos mais.

Retire do fogo e sirva com arroz branco.

 

Receita retirada com algumas adaptações do site www.eatingwell.com

Qui | 25.02.21

Palácio Samode | Índia

Localizado nas colinas silenciosas de Aravalli, no Rajastão, a cerca de uma hora de carro de Jaipur , o Palácio Samode e é um dos lugares mais belos que podemos visitar na Índia.

fullsizeoutput_563aFotos: Travellight e H. Borges

Cheio segredos para serem descobertos, o Palácio Samode é uma joia arquitetónica com quase 500 anos de existência. É um edifício incrível que passou, ao longo do tempo, por várias encarnações.

Começou por ser um forte no século XVI, sem grande interesse, construído apenas para proteger os governantes locais. Foi o nobre Rawal Berisal quem decidiu, no inicio do século XIX, converte-lo num extravagante palácio.

Rawal Sheo Singh, um descendente de Rawal Berisal que também serviu como ministro do estado de Jaipur, continuou as obras e acrescentou o que hoje é a maior glória do Palácio de Samode - o lindo Darbar Hall pintado à mão e o impressionante Sheesh Mahal, ou Casa dos Espelhos.

Já no século XX, mais propriamente em 1987, o palácio foi remodelado pelos atuais proprietários e descendentes da família real de Samode e convertido num hotel de luxo para encantar os viajantes que buscam um pouco da realeza.
Para quem o visita, e aqui se hospeda, é uma verdadeira oportunidade de voltar ao passado e experimentar o modo de vida das antigas famílias reais indianas.

O encantamento de Samode começa assim que atravessamos a porta de entrada. Um pátio interior florido, arcos recortados, pequenos jardins, fontes, paredes adornadas com frescos e mosaicos pintados à mão, tanta riqueza…

Escadas estreitas de pedra, com vislumbres das encostas através de pequenas janelas, conduzem-nos através de um labirinto de corredores. Nunca sabemos o que vamos encontrar na próxima esquina.

Umas salas estavam decoradas em tons rosa, outras tinham tons suaves de azul ou amarelo, mas o mais magnífico de todos — o Sheesh Mahal — brilhava com os reflexos cintilantes de milhares de espelhos cortados em mosaico.

Seguindo caminho, continuamos a percorrer galerias com maravilhosos frescos e janelas secretas com persianas disfarçadas de murais.
Chegamos por fim ao Durbar Hall, um salão com cada centímetro da parede e do teto adornado por dezenas de cores vivas e palpitantes. As galerias do salão têm vista para o o Sheesh Mahal e cada uma tem um humor e um sentimento diferente.

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Depois da visita, vale a pena descer até a vila para ver o trabalho dos artesãos locais. Quem procura um souvenir especial para comprar, pode encontrar aqui têxteis, pulseiras e trabalhos em vidro e em metal.

Como Chegar:

Tours organizados, autocarros, comboio e táxis estão disponíveis a partir de Jaipur. A estação ferroviária mais próxima, Chomu, fica a 5 km de distância. O comboio de Jaipur leva cerca de meia hora a chegar.

 

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Qua | 24.02.21

Foi nesse instante

— Onde vamos agora?

— À Acrópole, é claro! Vir a Atenas e não visitar a Acrópole é um sacrilégio, meu caro!

— …Hummm, sim… Mas agora a sério, queres mesmo ir lá acima outra vez?

— É claro que sim! Eu sei que parece coisa de turista, mas para mim subir as escadas de mármore do Partenon é como abraçar a cidade. Não é possível entender Atenas, a sua relevância, o seu ser, o seu passado e o seu presente sem ir até lá…
Um dia disseram-me isso e eu concordo. É um lugar essencial para compreender a alma grega e sua beleza intemporal.

Ele deu uma gargalhada, — Fui eu que te disse isso!

— Pois foi. Ainda estávamos na fase da sedução… lembras-te?

— Como se fosse ontem… tu parecia que “bebias” as minhas palavras.

— Convencido! Acho que era mais o contrário  —  disse eu sorrindo e puxando-o pelo braço.

— Ok, ok, vamos…
Baixou a voz e sussurrou ao meu ouvido:  Até calha bem porque lá perto há uma coisa que te quero mostrar.

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Do animado e colorido mercado da Praça Monastiraki, onde nos encontrávamos, fomos subindo devagar até à Acrópole.

O barulho da cidade desapareceu e deu lugar à serenidade do charmoso bairro de Plaka. Mais um pouco e estávamos no topo, a olhar para o Partenon, para o Erecteion e para as Cariátides. A imaginar a Grécia Antiga em toda a sua glória e esplendor.

A imaginar quando Atenas, o berço da democracia, entrou na sua idade de ouro e floresceram ali os grandes pensadores, escritores e artistas.

Foi aqui que Heródoto cresceu, que Sócrates ensinou e que Hipócrates combateu com sucesso uma epidemia. Foi também aqui que Fídias criou as suas grandes esculturas, que Demócrito imaginou um universo de atómos e que Ésquilo, Eurípedes, Aristófanes e Sófocles deram fama à tragédia e à comédia.

Tantos legados importantes para a humanidade…

A vantagem de voltar várias vezes a um lugar, é que se consegue reparar em detalhes que numa primeira visita quase sempre te escapam. Seja por estares preocupada em ver o máximo possível, seja porque te distrais com as fotografias, seja porque te falta maturidade para apreciar convenientemente, seja porque for… Para mim, a segunda, a terceira, a quarta visita, são sempre melhores.

Percorrido todo o recinto arqueológico, ele agarrou-me na mão e dirigiu-me para a frente do Museu da Acrópole. Deixando a pequena multidão de turistas para trás, seguimos pela Rua Thrasylou que adiante se transforma na Rua Stratonos.

— Onde vamos? Perguntei, sem obter resposta.

Viramos à direita e subimos a colina até chegar a uma divisão na estrada. Mais cinco minutos a subir à direita e chegamos até uma igreja. Era a Igreja de St. George Stratonos (Igreja de São Jorge das Rochas).

— Era isto que me querias mostrar?

— Não! Vamos continuar a subir, disse-me, apontando para o lado esquerdo da igreja onde estava uma escadaria que parecia levar a um beco sem saída.

— Tens a certeza que sabes para onde me estás a levar? Isto não me parece muito seguro…

— Não confias em mim?

— Não!  Gritei eu a rir enquanto largava a correr pelas escadas acima.

Cansada e ofegante, parei um pouco para respirar e deixei que me apanhasse. Olhei para cima e fiquei surpreendida com a magnifica vista do Monte Licabeto.

Reuni forças e segui em frente, e…. De um momento para o outro fiquei cercada por casinhas brancas, com janelas e varandas decoradas com buganvílias e vasos de flor. Parecia que tinha deixado Atenas e chegara, como por magia, a Mykonos ou a qualquer outra ilha do arquipélago das Cíclades.

— O que achas? 

— É lindo! Não conhecia... Onde estamos?

— Em Anafiotika!

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Enquanto passeávamos por ali, ele contou-me a história do pequeno bairro.

Fiquei a saber que Anafiotika surgiu no reinado de Otto da Grécia — o príncipe da Baviera que, em 1832, se tornou o primeiro rei moderno do país. Nessa época foi necessário contratar muitos trabalhadores da construção civil e artesãos para trabalhar nas obras que o rei queria realizar no seu palácio e noutros edifícios da cidade. Estes acabaram por vir, na sua maioria, de Anafi, uma pequena ilha grega do arquipélago das Cíclades.

Sem ter onde ficar, alguns desses carpinteiros e pedreiros ocuparam o terreno rochoso localizado logo abaixo da Acrópole e começaram a construir casas semelhantes às que tinham na sua terra. É isto que explica o aspeto pitoresco e arquitetonicamente diferente deste bairro de Atenas.

Em meados do século XX, por causa de escavações arqueológicas, grande parte do bairro acabou por ser demolido e os seus habitantes foram obrigados a procurar habitação noutro local. Muitos dos edifícios foram igualmente desapropriados pelo Ministério da Cultura, deixando Anafiotika com apenas 45 casas (ainda habitadas), que hoje são consideradas património nacional.

Continuamos a subir a colina, passando pelas pequenas casinhas brancas com janelas e portas coloridas. Espreitamos os becos, apreciamos a arte urbana, sentimos o cheiro das flores e vimos dezenas de gatos que por ali andavam. Quase esquecemos que ainda estávamos no meio da agitada capital grega até chegarmos a um miradouro que se abria numa fabulosa vista sobre a cidade de Atenas.

Um músico de rua tocava uma antiga canção de Demi Roussos e ali perto uma senhora regava as suas plantas com a janela aberta. Do interior escapava um cheirinho bom de comida caseira.

Ficamos em silêncio, por momentos, a ouvir a música e a olhar para aquela imensa cidade…

Uma pessoa pode levar uma vida inteira para descobrir a Grécia, mas só leva um instante para se apaixonar por ela." — Henry Miller

Para mim, esse foi o instante.

Ter | 23.02.21

Costeletas de borrego marinadas à moda grega com batatas assadas

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Foto: mygreekdish.com

Tradicionalmente na Grécia, as costeletas de borrego são marinadas em azeite, mostarda, tomilho fresco, alho e raspas de limão. Temperadas com sal e pimenta e finalizadas com sumo de limão e orégão. Ficam deliciosas!

É costume também, adicionar batatas na mesma travessa, de modo a que fiquem embebidas em todos os sucos e aromas da carne.

Partilho aqui a receita para quem quiser experimentar!

 

INGREDIENTES

Para a marinada

8 costeletas de borrego (aprox. 700g )
1/3 de chávena de azeite
1 dente de alho
1 e 1/2 colher (de sopa) de mostarda
1 colher (de sopa) de tomilho fresco picado
1/2 colher (de chá) de orégão seco
1 colher (de sopa) de alecrim fresco picado (opcional)
Raspas de 1 limão
3-4 grãos de pimenta

 

Para as batatas

4 batatas de tamanho médio, cortadas em fatias
1 dente de alho grande picado
50 ml de azeite (1/4 de chávena)
80ml de água (1/3 de um copo)
1 colher (de chá) de orégão seco
sumo de 1 limão
1/2 colher (de chá) de sêmola de milho
sal e pimenta moída na hora

PREPARAÇÃO

Comece por preparar a marinada. Numa travessa pirex, coloque todos os ingredientes da marinada e misture. Adicione as costeletas e esfregue a carne com a marinada. Cubra com filme plástico e coloque no frigorífico por pelo menos 3 horas (o ideal é ficar toda a noite).

Retire as costeletas de borrego do frigorífico e pré-aqueça o forno a 200 ° C.
Corte as batatas em fatias e coloque-as numa travessa grande que possa ir ao forno. Reserve.

Numa tigela, junte os ingredientes acima indicados para preparar as batatas e misture. Despeje a mistura sobre as batatas e tempere bem com sal e pimenta. As batatas e as costeletas cozinham em momentos diferentes, por isso deve adicionar as costeletas de borrego mais tarde, cerca de 20-30 minutos antes do final do tempo de cozedura.

Asse as batatas no forno pré-aquecido por 40 minutos, até que uma bela crosta dourada se forme. Tire do forno, mexa um pouquinho para virar de cabeça para baixo, polvilhe com uma pitada de orégão e leve ao forno por mais 30 minutos.

Se todo o líquido foi absorvido e a travessa começar a ficar seca, adicione 1/4 de chávena de água quente, antes que as batatas dourem totalmente.

Retire as costeletas da marinada e tempere com sal e pimenta. Coloque as costeletas de borrego na mesma travessa (numa única camada) e asse por 20-25 minutos virando-as na metade do tempo de cozimento.
Deixe as costeletas descansar por 5-10 minutos e sirva, espremendo, no último momento, um limão e acrescentando uma pitada de orégão.

Bom apetite!

 

Receita adaptada do site:www.mygreekdish.com

Ter | 23.02.21

10 Ilhas gregas para visitar (assim que for possível)

Com mais de 200 ilhas rodeadas por águas cristalinas e praias, a Grécia sempre foi um dos principais destinos de férias para os turistas que buscam sol e mar. É por isso natural que seja um dos primeiros a recuperar quando as viagens internacionais regressarem à normalidade.

Existem ilhas para todos os gostos. Algumas são famosas pela sua vida noturna, outras pela sua História, outras pelo seu estilo de vida. Cada uma tem um caráter próprio e distinto. Muitas são sobejamente conhecidas e populares, outras só foram “descobertas” como destino de férias nos últimos anos.

Com tantas opções é difícil escolher, por isso para tentar ajudar quem está a planear um dia ir conhecer as Ilhas gregas, deixo aqui uma (pequena) lista com sugestões. Incluí 5 das ilhas mais populares e 5 “joias” menos conhecidas.

1. Santorini
Ideal para: Casais apaixonados e em lua de mel

Casinhas caiadas de branco e azul, muitas escadinhas estreitas, praias de areia preta, penhascos vertiginosos, vistas de tirar o fôlego e um pôr do sol épico. Santorini é aquilo que a maioria das pessoas imagina quando pensa em “ilhas gregas”.

Os casais apaixonados podem optar por ficar em Fira, a animada capital da ilha ou na mais tranquila e romântica Oia, onde é fácil (mas caro) encontrar quartos luxuosos com vista para a maravilhosa Caldeira. O lado leste da ilha tem habitualmente alojamentos mais em conta, mas perde-se um pouco da magia de Santorini…

Além de fazer um passeio de barco até Nea Kameni, andar pela cratera do seu vulcão fumegante e dar um mergulho nas fontes termais de Palia Kameni, não devem deixar de visitar a antiga cidade de Akrotiri e de fazer uma prova de vinhos nas vinícolas Domaine Sigalas e Vassaltis onde são cultivadas as excecionais uvas Assurtiko.

fullsizeoutput_561cFoto: PxHere

2. Creta
Ideal para: História, praia e caminhadas

É a maior ilha da Grécia e uma das que oferece mais atividades.
O local de nascimento de Zeus tem uma cultura local distinta, ruínas antigas e praias em abundância. O sol é praticamente garantido todo o ano, mas a primavera é ideal para passeios e caminhadas.
Para visitar tem o palácio minóico de Knossos, cidades como Chania e Rethymno, praias desertas incríveis, mesmo em agosto (especialmente na costa sul), as ruínas de Aptera e Malia e, para quem gosta de caminhar, mais de 50 desfiladeiros para explorar, entre os quais o desfiladeiro de Samaria, com 16 km de extensão.

Uma das caminhadas mais bonitas é a que atravessa o desfiladeiro de Aradena na região selvagem e acidentada de Sfakia, e termina em Marmara.

É difícil conhecer bem Creta numa única visita, e alugar um automóvel é a melhor opção para explorar o Oriente (a partir de Agios Nikolaos) e o Ocidente (a partir de Chania ou Rethymno).

fullsizeoutput_561dFoto: PxHere

3. Mykonos
Ideal para: Festas e vida noturna

Diz-se que Mykonos tinha clubes e festas ao nascer do sol muito antes da cultura rave ter sido sequer inventada. O seu espírito boémio tem se mantido vivo ao longo dos anos e hoje continua de boa saúde (embora as praias, antes desertas, agora tenham sido invadidas por turistas, hotéis de luxo e restaurantes). Um dos lugares mais badalados da ilha é o Scorpios, um bar de praia que recorda o melhor de Ibiza.

Mykonos tem mais de 20 praias e a melhor maneira de as explorar todas é alugar uma scooter e fazer a volta à ilha.

Little Venice é um dos lugares mais românticos da Ilha. É um bairro situado na beira do mar Egeu, cheio de casas pitorescas pintada de branco e muitas varandas coloridas (algumas das casas podem ser alugadas por turistas). Tem um encanto muito especial, principalmente ao por do sol.

Não devem igualmente deixar de ver os moinhos de vento, fazer um cruzeiro até à pequena ilha de Delos e visitar as ruínas do templo de Apolo.

fullsizeoutput_5626Foto: PxHere

4. Rhodes
Ideal para: Férias em família

Outrora o lar de uma das sete maravilhas do mundo — O Colosso, Rhodes é um dos principais destinos de férias do país.

Tem um maravilhoso centro histórico medieval, classificado como património mundial da UNESCO; uma boa seleção de resorts do tipo "tudo incluído"; muitos passeios turísticos para fazer; uma série de museus para visitar e belas praias para toda a família aproveitar o sol.

Entre as coisas imperdiveis a fazer em Rhodes inclui-se: Descobrir a antiga Acrópole de Lindos, explorar o Palácio do Grande Mestre, visitar o Museu de Arte Moderna Grega e ver o por do sol no Castelo Monolithos.

fullsizeoutput_561fFoto: PxHere

5. Corfu
Ideal para: Paisagens exuberantes e boa comida

Estrela das ilhas Jónicas. A cosmopolita capital de Corfu é uma encantadora mistura de influências coloniais venezianas, britânicas e francesas. A cidade velha com a sua fortaleza é património mundial da UNESCO e, no resto da ilha, os seus vilarejos em tons pastel, olivais e grandes casas, lembram a Toscana (mas com praia).

Em Agni, uma pequena vila de pescadores, podemos alugar um barco e navegar até bonitas enseadas como Nissaki, Agios Stefanos ou Kerasia. Já no interior, em Kerkira, podemos visitar Ambelonas, uma viticultura, restaurante e escola de culinária especializada em pratos locais incomuns, como porco assado com marmelo.

fullsizeoutput_5620Foto: PxHere

6. Hydra
Ideal para: Silêncio e tranquilidade

Hydra é uma das ilhas gregas mais bonitas, com uma arquitetura única que foi preservada devido a uma política de desenvolvimento urbanistico rigorosa. Casas pertencentes a figuras históricas ocupam as colinas de ambos os lados do pitoresco porto e há proibição total de carros e motas na ilha. Em vez disso, existem mulas para transportar todas as cargas de moradores e visitantes.

Para ir a uma das praias arenosas da ilha, é necessário alugar um táxi aquático, mas as águas de cor azul profundo, próximas do porto, são onde a maioria das pessoas vai nadar.

A vida noturna é básica, mas perfeita para quem procura férias tranquilas e relaxadas.

fullsizeoutput_5621Foto: PxHere

7. Syros
Ideal para: Atividades culturais

Em Syros, capital das Cíclades, há aldeias com casas caiadas de branco, mas a cidade de Ermoupoli é bastante colorida e resulta da herança de uma longa ocupação veneziana. Esse “sabor” italiano faz-se notar nas praças, nos palacetes e na ópera cuja sala foi inspirada no La Scala de Milão.

Syros acolhe festivais de animação, dança, arte digital, cinema, música clássica, jazz e rembetiko, um  estilo musical grego popularizado pelo músico local Markos Vamvakaris.

syros-island-1-1920Foto: greeka.com

8.Sifnos
Ideal para: Gastronomia

Sifnos deve a sua reputação gastronómica ao seu descendente mais famoso, Nicholas Tselementes, que escreveu o primeiro livro de receitas grego em 1910.

A ilha está cheia de olarias que produzem as caçarolas de barro usadas para o revitháda (grão de bico assado) e para o mastello (cordeiro com vinho tinto e endro).

Outros pratos típicos são assados ​​lentamente em forno de lenha no To Meraki tou Manoli, uma tradicional taverna sifiriana que se transformou numa verdadeira instituição local. Fica localizada na protegida baía de Vathy.

Na bela Artemonas, todos os caminhos levam a Teodorou, e aos seus doces de amêndoa.

No restaurante Ómega 3, podemos provar os ingredientes locais com um toque exótico e no Cantina, outro restaurante experimental, que está sob direção do Chef. Giorgos Samoilis (o mesmo do Ómega 3), as lagostas são colhidas diretamente do mar em Heronissos e servidas aos clientes no cais. É o equilíbrio certo entre o luxo discreto e a autenticidade intocada. O restaurante fica em Seralia, uma bonita baía abaixo da bela vila medieval de Kastro.

fullsizeoutput_5623Fotos: PxHere

9. Amorgos
Ideal para: Solitários e amantes da natureza

Não é fácil chegar a Amorgos. O barco pode levar mais de oito horas desde Atenas e quando se desembarca no porto de Katapola, uma placa anuncia: “Bem-vindo a Amorgos. Ninguém o vai encontrar aqui.”

Esta ilha escarpada das Cíclades sempre atraiu solitários, caminhantes, mergulhadores e peregrinos, que sobem a encosta do penhasco até ao Mosteiro de Hozoviotissa, equilibrado 300 metros acima do mar.

A água aqui tem um milhão de tons de azul e é tão surpreendentemente límpida que se consegue ver ouriços-do-mar a espreitar na costa rochosa. Até as trilhas de caminhada, com cheiro a salva fresca, são chamadas de “Caminhos Azuis”, porque o mar e o céu são visíveis em todas as direções.

A ilha tem uma vibração hippie e não é preciso ser necessariamente um solitário para se apaixonar por Amorgos. Existem muitos bares abertos durante todo o dia e até tarde como o Jazzmin, em Chora, perfeito para cocktails; o Pergalidi em Langada, ideal para infusões de ervas e jazz ou o Seladi em Katapola-Thalarias,, com vistas vertiginosas e um telescópio para observar as estrelas.

Existem poucos alojamentos em Amorgos que vão além de quartos básicos para alugar. O Vorina Ktismata é a exceção, com cinco apartamentos simples, mas bem decorados e vistas para Chora.

fullsizeoutput_5624Foto: PxHere

10. Folegandros
Ideal para: Encontrar a autenticidade grega 

Folegandros - que significa "duro como ferro" em grego antigo, é tão estéril quanto o nome sugere. Aqui não há praias com espreguiçadeiras alinhadas, apenas enseadas límpidas e de seixos, como Katergo, Ambeli e Livadaki.

Chora, uma das vilas mais bonitas da ilha, tem três praças cheias de cafés, restaurantes e pequenos bares. E do centro, degraus e degraus, em ziguezague, levam-nos bem para cima, até à igreja de Panagia.

Existem algumas boas opções de alojamento na ilha como o hotel Anemi, que fica a meio caminho entre o porto e a vila de Chora, tem um design moderno e oferece aulas de ioga; e o boutique hotel Blue Sand, localizado na encosta acima da praia Agali. 

Papalagi é um restaurante que se destaca em Folegandros. Situado nas rochas acima da baía de Agios Nikolaos, serve camarões grandes e polvos grelhados, numa esplanada virada para o mar.

A especialidade da ilha que não devem deixar de exerimentar é o matsata (um guisado feito de carne de cabra ou de coelho e macarrão caseiro).

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Ter | 16.02.21

Outros Carnavais

Há uns anos atrás, totalmente por acaso, deparei-me em Belém, Lisboa, com o Festival Internacional da Máscara Ibérica. Não tinha conhecimento da data do evento, por isso a surpresa foi grande quando de repente me vi cercada por um grupo animado de mascarados e foliões de varios países.

Muitas máscaras coloridas, algumas belas, outras assustadoras

Saquei do telemóvel e cliquei sem parar. Feliz como uma criança, vi os nosso Caretos, os Urthos e Buttudos da Sardenha, os Mazcaraos de Rozaes das Astúrias, grupos vindos do Brasil e de mais países da América Latina e tantos, tantos, outros, transformarem uma tarde normal numa tarde inesquecível, que hoje, dia de Carnaval, recordo aqui.

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fullsizeoutput_55a3Fotos: Travellight

 

Depus a Máscara

Depus a máscara e vi-me ao espelho. —
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

Sab | 13.02.21

Love Martini | O cocktail perfeito para o Dia dos Namorados ❤️

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É amor ao primeiro gole!

Este cocktail doce e frutado é perfeito para celebrar o Dia dos Namorados ❤️

INGREDIENTES

1/2 dose (ou 22ml) de Malibu Rum
1/2 dose (ou 22ml) Schnapps de Pêssego (ou outro licor de pêssego)
1/2 dose (ou 22ml) de Citron Vodka ou Vodka Simples
3 doses (ou 132ml) de sumo de frutos vermelhos
2 morangos, para enfeitar
Uma fatia de limão (opcional)
Açúcar na borda do copo (opcional)

PREPARAÇÃO

Para decorar, prepare com antecedência corações de morango. Corte um pequeno "v" no topo de um morango e em seguida, corte-o em fatias.

Passe a rodela de limão ao longo da borda do copo para molhá-lo e depois passe a borda num prato com açúcar.

Misture o rum Malibu, o licor de pêssego, a vodka e o sumo de frutos vermelhos numa coqueteleira (com gelo se o suco de frutos vermelhos não estiver frio e despeje no copo preparado).

Enfeite o seu Love Martini com alguns corações de morango e um morango na borda 🍓

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Receita adaptada do site: picturetherecipe.com

 

Sex | 12.02.21

Cenas do nosso filme de amor

Uma imagem começava a formar-se na linha do horizonte.
Afastei, com impaciência, o cabelo dos olhos que o vento insistia em tapar, e logo reconheci pelos seus contornos, o casario colorido e a bonita baía de Portofino.

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Depois do atraso do comboio que partia de Génova, eu tinha conseguido apanhar em Santa Margherita Ligure, quase por milagre, o último ferry do dia e finalmente relaxei, mas agora que estava tão perto de chegar, sentia o coração a bater desordenado… talvez pela antecipação do reencontro. Essa é a maior vantagem de uma relação à distância. Tudo parece novidade, tudo parece a primeira vez.

Desembarquei e, sem precisar de consultar a morada, dirigi-me para aquela que tinha sido a nossa casa no último verão.

Pousei a mala e olhei em volta.
Estava vazia.

Uma rosa vermelha em cima da mesa da sala chamou-me a atenção. Dei dois passos e agarrei-a.
Tinha um cheiro doce... Ao lado, estava um bilhete: “Estou no Chuflay, encontra-me lá”

Franzi a testa. “Então ele não podia ter esperado um pouco por mim? Eu não demorei assim tanto!”

Respirei fundo. Tirei o telemóvel do bolso e liguei-lhe. Nada… ninguém atendia do outro lado...

Pensei em não ir.

Sou dada a amuos fáceis (nem sempre justificáveis ), mas aqui, senti que a razão estava do meu lado. Tinha feito um esforço enorme para chegar até ali e estava cansada. Tinha apanhado um avião, um comboio, um barco e agora deparava-me com esta desconsideração??? Por favor! Quem é que não ficava irritado?

Olhei de novo para o bilhete e depois para a rosa.
“Estás a fazer uma tempestade num copo de água.”- Quase o ouvi dizer. “Porque é que tens de levar tudo a ferro e fogo ? “

É a minha natureza, não consigo evitar...

Respirei fundo novamente. Abri a janela e acalmei. Como era linda a vista!

Portofino é um dos poucos lugares no mundo que sempre me tira o fôlego. Quem o visita por um único dia pode ficar com a impressão de que é apenas um pequeno porto sobrelotado e sobrevalorizado, cheio de iates milionários e turistas, mas quando o conheces melhor, palavras não chegam para o descrever. É preciso estar lá, experimentar a energia, sentir a vibração!

Mesmo sem querer, vieram-me logo à cabeça os dias quentes de verão. As caminhadas em redor do porto, a Igreja de San Giorgio, as estátuas do Museo dei Parco, o Castello Brown…
Lembrei-me das gargalhadas soltas no Al Faro e da letra de "Un’ Estate Italiana", de Gianna Nannini e Edoardo Bennato, gritada em plenos pulmões, certa noite, no Mariuccia Bar.
Senti o sabor do prosecco bebido com vista para a famosa baía, no Summer Terrace do Belmont Splendido e do chianti acompanhado com presunto de Parma e queijo Valtellina, no Winterose.

Cada momento estava gravado no meu coração como se de uma câmara se tratasse.

Perdida nas minhas lembranças, troquei de roupa e preparei-me para sair. Era a golden hour, o sol estava-se a pôr e cobria tudo com o seu tom dourado. Apesar de ser Fevereiro, a temperatura estava bastante agradável e os restaurantes da Piazzetta começavam a encher-se de casais apaixonados que festejavam o Dia de São Valentim.

Entrei no Chuflay e lá estava ele, à minha espera. Com um sorriso caloroso e um abraço de saudade.

Na sala do restaurante tocavam "I Found My Love in Portofino"

"Ricordo un angolo di cielo
dove ti stavo ad aspettar
ricordo il volto tanto amato
e la tua bocca da baciar
 
I found my love in Portofino
quei baci più non scorderò
non è più triste il mio cammino
a Portofino I found my love"


Por esta altura, o meu mau humor já tinha passado. O coração estava aberto. Sem sombras. Sem escuridão. Pronto para ser feliz de novo.

Pronto para gravar mais uma cena do nosso filme de amor ❤️

Qui | 11.02.21

Bacalao al pil-pil | Uma especialidade do País Basco

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Bacalao (bacalhau) al pil-pil é um dos pratos mais emblemáticos, que podemos pedir num restaurante de Bilbau.

É um prato onde o bacalhau é frito com alho e azeite, até ao ponto dos óleos naturais do peixe se juntarem ao azeite e formarem um molho parecido com uma emulsão e a pele ficar crocante e começar a estalar. O nome “pil-pil” vem exatamente do som que o bacalhau faz na frigideira quando está a fritar.

Na receita que partilho aqui, o pil-pil tradicional é servido com uma compota de tomate.  

Ingredientes
- 2 lombos de bacalhau (entre 200 e 250 gr. cada)
- 2 dentes de alho
- 1 pimenta vermelha (opcional)
- Azeite de oliveira

Compota de tomate
- 2 colheres (de sopa) de azeite
- 1 colher (de sopa) de açúcar
- manjericão fresco
- Um punhado de tomates cereja
- sal
- 2 batatas cozidas

Preparação

Numa frigideira ou panela pequena, deite um pouco de azeite, doure os dentes de alho e a pimenta vermelha. Quando o alho estiver dourado, remova-o para um prato juntamente com a pimenta e reserve.
Adicione azeite suficiente para cobrir o bacalhau e introduza cuidadosamente os lombos de bacalhau, primeiro com a pele para baixo, por cerca de 2 minutos, vire-os cuidadosamente e deixe-os por mais 2 minutos. Remova-os com cuidado para um prato e reserve.

Desligue o fogo, despeje a mistura de azeite e do caldo, que resultou da fritura do bacalhau, numa tigela e deixe descansar por alguns minutos.

Na mesma panela, adicione duas colheres (de sopa) da mistura e, com um pequeno coador de cozinha, comece a fazer movimentos circulares para mexer o molho como se fosse uma maionese. Assim que o molho estiver homogéneo, adicione mais colheres da mistura de azeite e caldo de bacalhau e continue a mexer, repetindo o processo até ter uma quantidade suficiente de molho com uma textura homogénea. Se necessário adicione uma colher de sopa de água para ajudar a ligar melhor o molho. Reserve.

Compota de tomate
Numa frigideira coloque uma colher de sopa de azeite, os tomates cereja cortados ao meio e uma pitada de sal. Refogue por alguns minutos e depois adicione o açúcar. Baixe o fogo e deixe descansar por 8 a 10 minutos.

Descasque as batatas e cozinhe-as em água e sal.

Para servir, coloque a compota de tomate como cama, o lombo de bacalhau por cima e uma batata ao lado. Cubra parte do lombo com o molho pil pil.
Decore com um raminho de salsa, alho dourado e pimenta vermelha.

 

Receita retirada do site: lacocinadefrabisa.lavozdegalicia.es

Qua | 10.02.21

5 Dias em Bilbau

Arte, história, natureza e comida são sempre uma boa combinação e Bilbau, uma das cidades mais interessantes do País Basco, oferece tudo isso e muito mais. 5 dias pode ser pouco para explorar todos os seus segredos, mas são mais que suficientes para saber que precisamos de lá voltar!

fullsizeoutput_5573Foto: PxHere

Dia 1:  Centro Histórico

Nada como conhecer o passado de uma cidade para entender melhor o seu presente, por isso recomendo passar a manhã do primeiro dia em Bilbau a descobrir o bairro histórico Casco Viejo.
Comecem com uma visita ao Museu Arqueológico (Arkeologi Museoa). São vários andares cheios de fósseis e relíquias que nos conduzem por uma viagem ao passado da região. As exposições incluem joias e modelos das primeiras aldeias fortificadas e oferecem uma visão surpreendente de como as pessoas viviam durante o período romano.

Quando a hora do almoço chegar, vão ficar contentes por estar em Casco Viejo. É aqui que encontramos os mais autênticos bares de pintxos e os restaurantes que servem os pratos bascos tradicionais. Pintxos são a resposta do País Basco às tapas (são pequenos pedaços de pão cobertos com ingredientes como queijo, presunto, peixe ou vegetais).

restaurant_pintxos_cuisine_food-1323976.jpg!dFoto: PxHere

Caminhem de bar em bar para provar todos os sabores em pequenas doses ou parem para um longo almoço num dos vários restaurantes do bairro histórico; Há muitos escondidos em pequenas ruas sinuosas ou em praças bonitas como a Plaza Nueva.

Não deixem de provar um bacalao al pil pil (bacalhau frito com alho e azeite) ou um marmitako (ensopado de peixe).

Se estiverem à procura de um souvenir especial, visitem depois do almoço, as lojas de Casco Viejo. Parem no Sombreros Gorostiaga (VIktor Kalea, 9), uma loja de chapéus com mais de 160 anos, onde podem comprar txapelas tradicionais bascas. A Recuerda Bilbao (Plaza de Santiago, 3), também vende uma grande variedade de lembranças inspiradas na cultura local.

Durante a tarde, subam até à Basílica de Begoña, uma basílica do século XVI com toques góticos e renascentistas e visitem o Museu Basco (Euskal Museoa) para aprender mais sobre a cultura e história basca. O museu foi inaugurado em 1921 e está instalado num elegante edifício barroco com claustros centrais.


Dia 2: Arte

Dediquem o segundo dia à arte e comecem a manhã com uma paragem na maior atração turística de Bilbau — O Museu Guggenheim.

Este espaço fantástico, de aspeto futurista, foi projetado pelo arquiteto Frank Gehry e teve um grande impacto na arte local. O seu interior abriga uma das melhores coleções de arte moderna de Espanha. Inclui obras de artistas como Eduardo Chillida, Mark Rothko, Willem de Kooning, Anselm Kiefer, Clyfford Still e Richard Serra. Cheguem cedo e vão poder apreciar com calma uma miríade de instalações únicas, exposições temporárias de arte contemporânea e espetáculos de luzes fluorescentes.

Almocem no elegante restaurante Nerua Guggenheim, onde os pratos são eles próprios obras de arte e passem o inicio da tarde caminhando em redor do museu; Vão descobrir esculturas em grande escala, como "Puppy" de Jeff Koons, a aranha "Mamen" de Louise Bourgeois e a "Tall Tree & The Eye" de Anish Kapoor.

fullsizeoutput_5575Foto: PxHere

Continuem a dedicar o dia à arte, visitando o Museu de Belas Artes de Bilbau. O Museu fica no parque Doña Casilda e combina arquitetura antiga e moderna. Exibe arte basca, espanhola e europeia, desde a Idade Média até aos dias modernos. Em destaque estão artistas como El Greco, Francisco de Goya e Paul Gauguin.

Depois do museu sigam para o famoso Mercado La Ribera, um dos melhores lugares para comprar produtos regionais. Este mercado, inaugurado em 1929, ainda mantém toda a sua autenticidade e é fácil entabular uma conversa com um dos simpáticos vendedores que de bom grado nos dão conselhos sobre a qualidade dos produtos que queremos comprar.

Terminem o dia no bairro de Indautxu, que é conhecido pela sua vida noturna e também por abrigar um dos edifícios mais fascinantes da cidade: O Azkuna Zentroa, um antigo armazém de vinho e azeite que foi reconvertido e hoje é um centro cultural multifacetado.
O interior da 'Alhóndiga' (como é popularmente chamado) é uma viagem à imaginação do designer e arquiteto francês Philippe Starck, que está bem patente nas colunas e no átrio cheio de surpresas.


Dia 3: Mar, Montanha e Arte Urbana

O mar é uma parte importante de Bilbau e está presente em muitos aspetos da sua cultura, tradições e culinária.
Uma visita ao Museu Marítimo (Itsasmuseum) é por isso indispensável para compreender melhor toda esta região.

Ao almoço, mantenham o tema marítimo, e experimentem um dos excelentes restaurantes de frutos do mar da cidade. Se o orçamento não for problema, reservem mesa no restaurante Etxanobe. Se por outro lado não quiserem gastar tanto, optem pelo Restaurante Marisqueria Mazarredo, ou qualquer outro das redondezas, que também ficam bem servidos :-)

Depois do almoço, passem por mais um marco de Bilbau: A Ponte La Salve.
Foi construída no início da década de 1970 e atualmente faz a ligação entre o Guggenheim e os subúrbios da cidade. O arco vermelho que está por cima da ponte é do artista francês Daniel Buren e foi adicionado só em 2007.

fullsizeoutput_5576Foto: PxHere

A arte urbana também está muito presente na cidade e o mural “Giltza Bat” de Verónica e Christina Werckmeister, que vemos quando cruzamos a ponte em baixo, é um dos melhores exemplos disso.

Logo após a ponte, encontramos o Funicular de Artxanda, que nos leva até ao topo da montanha para admirar as vistas espetaculares da cidade.

… E não há nada como o ar fresco no topo de uma montanha para abrir o apetite. O Txakoli Simon (Camino San Roque, 89) é o lugar onde devem parar se quiserem saborear um belo bife txuleta basco!

Após o almoço, explorem o topo do Monte Artxanda. Caminhem pelo parque e descubram outra obra de arte urbana: uma enorme impressão digital do artista Juan José Novella.

De volta ao sopé da montanha, continuem a explorar a cidade a pé e a descobrir a sua impressionante arte de rua. Primeiro sigam para o oeste para Olabeaga, e vejam o ‘Soñar’ do artista SpY. Depois, sigam em direção à parte velha da cidade e, para verem murais de Bada, Fermín Moreno e Jorge Rubio percorram a Rua Bilbao La Vieja, a Rua Cortes e a Plaza Kirikiño.

 

Dia 4: Natureza

Bilbau tem parques e jardins tranquilos, onde podemos passear, relaxar, namorar ou parar para ler um livro.
No parque Doña Casilda, por exemplo, é fácil esquecer a agitação da cidade. Localizado no centro de Bilbau, este jardim de estilo inglês, oferece lagos serenos, árvores altas e uma pérgula encantadora. Duas vezes por ano, a sua fonte principal transforma-se no palco de um show de som e luz.

Almocem num dos muitos cafés e restaurantes próximos do parque e dediquem o resto do dia a descobrir os arredores da cidade. Aluguem um automóvel (ou marquem uma excursão de meio dia) e percorram a Costa Cantábrica. Ao longo das falésias de Matxitxako, vão ver a pequena ilhota de San Juan de Gaztelugatxe, que tem no seu topo uma capela construída no século XIII por marinheiros em homenagem ao seu santo, San Juan.

be17b7e2f654f1f29933427fbd76-1417325.jpg!dFoto: PxHere

Passem por Bermeo, um dos portos pesqueiros mais importantes da Costa Cantábrica, e por Mundaka, a meca do surf e porta de entrada para Urdaibai, território declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1984.

Parem em Gernika, a capital histórica de Biscaia, que inspirou Picasso a criar o seu famoso quadro e visitem a 'Árvore de Gernika', um importante símbolo da cultura e identidade Basca, e o Museu da Paz.


Dia 5: Degustação de vinhos em La Rioja

Agora que já viram a maioria dos principais pontos turísticos da cidade e conheceram um pouco dos arredores, que tal terminar em beleza com uma visita à famosa região vinícola do País Basco — La Rioja!

Aqui podem encontrar belas paisagens, vilarejos encantadores e uma grande variedade de bodegas (vinícolas) — desde as históricas às mais modernas — e até um excelente museu do vinho: o Vivanco Cultura del Vino.
A região vinícola está subdividida em três: Rioja Alta, que fica em Haro e nos seus arredores (onde a maioria das antigas adegas estão localizadas), Rioja Alavesa (que esconde algumas das aldeias mais bonitas como Guardia e Samaniego) e Rioja Baja (sudeste, uma região maior e mais árida cujo centro principal é Calahorra).

winery_wine_rioja-1225347.jpg!dFoto: PxHere

Os amantes da comida e do vinho vão se sentir no paraíso em Rioja, com pratos que satisfazem a alma, como costeletas de cordeiro assadas sobre videiras ou "menestras" de vegetais (ensopado de verduras).

Se só tiverem tempo para visitar uma área, escolham Haro, porque é aqui que se encontram as grandes e históricas vinícolas da região.

fullsizeoutput_5577Foto: Travellight

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Sex | 05.02.21

And Just Like That...

Li, a semana passada, que o Sex and The City ia regressar ao pequeno ecrã com um novo título... And Just like That...

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A novidade causou-me uma sensação semelhante à que me assalta quando me cruzo com um velho conhecido e ele me dá noticias de uma amiga que não vejo há anos…

Eu já não era propriamente uma adolescente “impressionável” quando a série passou na televisão portuguesa, mas ainda assim devo admitir que me inspirou, como acredito que tenha inspirado toda uma geração de jovens mulheres a conquistar Nova Iorque, Lisboa, Londres ou qualquer outra grande cidade do mundo.

Frases como “Men who are too good looking are never good in bed because they never had to be” pareciam-me, de repente, explicar muita coisa 😜

A série girava em torno de Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha, quatro personagens que falavam abertamente, e sem eufemismos, sobre as suas experiências (boas e más) com os homens. A sua vida parecia consistir em comer em bons restaurantes, beber cosmopolitans, fazer compras e discutir em detalhe o género masculino.
O senso de humor, leve e desinibido, transformou-a numa das séries mais revolucionárias da década de 1990 e consolidou o seu estatuto de culto. Foi um dos primeiros programas (que eu me lembro) a retratar mulheres que falavam de forma franca e sem complexos sobre sexo e isso abriu caminho para outros programas que foram bem mais longe.

Marcou uma época, mas hoje quando penso nisso, acho que Carrie Bradshaw — que na série escrevia uma coluna para o jornal fictício The New York Star — era a última pessoa a quem eu pediria conselhos sobre sexo e relacionamentos. Afinal, ela tinha um "dedo podre" para homens e a maior parte do tempo parecia realmente desconfortável com tudo que tivesse a ver com sexo…

No entanto, no final dos anos noventa, o universo idealizado de uma Nova Iorque onde Carrie e as suas amigas viviam, fascinava-me. E assim, numa das minhas primeiras visitas à cidade, achei que seria divertido passar um dia inteiro em Manhattan a percorrer os passos das personagens principais.

Comecei no West Village, no nr.º 66 da Perry Street, onde fica o apartamento que servia de cenário exterior à casa de Carrie Bradshaw (apesar de na série ela viver no Upper East Side…)

66_Perry_Street_Carrie_Bradshaw's_House_From_Sex_And_The_City_(1149739647)Foto: Rob Young, Wikimedia Commons

Entrei no The Pleasure Chest — a sex shop onde Charlotte comprou um vibrador (fica no West Village, na 156 7th Avenue South) e, claro, aproveitei para escolher uma lembrança para mim também 😉
Parei no 699 da Madison Avenue, numa das lojas do Jimmy Choo — um dos designers de calçado favoritos de Carrie. Mas aqui fiquei só a ver, porque os preços eram impossíveis.
Já na Magnolia Bakery, na 401 Bleecker Street, tive mais sorte e pude experimentar os cupcakes que Carrie e Miranda comiam na série. Vi também a Actor's Church, a igreja localizada na One East 29th Street (entre a Fifth Avenue e a Madison Avenue), onde a Samantha conheceu o “Friar Fuck" e por fim visitei a Louis K. Meisel Gallery, em 141 Prince Street, na Lower Manhattan, que na primeira temporada era o local de trabalho de Charlotte.

Guardei mais um lugar para visitar de noite: O Onieal's Bar and Restaurant (que na série era o bar Scout).

Anos mais tarde, noutra visita à cidade, conheci ainda o lugar onde foi gravado o ensaio de casamento de Carrie e Mr. Big — o Buddakan… Jantar ali, não teve nada a ver com a série, foi só uma coincidência. Por essa altura, já tinham ido à vida todas as minhas ilusões sobre a Nova Iorque de Sex and the City, onde uma jovem freelancer (que só escrevia uma coluna num jornal), podia morar sozinha, viver "fabulosamente” e comprar Manolo Blahniks todos os meses.

And Just Like That… 20 anos depois, o Sex and The City está de volta. O mesmo elenco — com uma baixa gravíssima — Kim Cattrall, não regressa na sua inesquecível Samantha Jones.

Estou curiosa para saber como se adapta uma série criada em 1998, em 2021. O mundo e as mentalidades evoluíram muito de lá para cá (ou será que não?)🤔

Coisas que eram vistas como naturais no Sex and The City do final do século, como o apelo constante ao consumo, talvez não façam mais sentido. As conversas de cariz sexual, que antes soavam a novidade e desafio, agora devem parecer banais (e até ingénuas?) à maioria das jovens.
E depois, será que o “politicamente correto” vai tirar a graça natural das personagens?

Será interessante ver como é feita a transição para uma realidade onde as redes sociais dominam. Se fosse hoje, provavelmente as personagens ainda se encontrariam para um brunch, mas seria para experimentar o menu vegan ou para comer uma torrada de abacate e postar no Instagram, enquanto discutiam as suas aventuras sexuais com o rapaz que conheceram no Tinder… No entanto Carrie e companhia limitada terão agora mais de 50 anos. As premissas, provocações e reflexões tem (necessariamente?) de ser outras.

É esperar para ver!

Qui | 04.02.21

Char Koay Teow de Penang | Um ícone da cozinha malaia

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O Char Kuey Teow é um prato tradicional malaio, com origens muito humildes. Foi criado na China, onde os seus principais ingredientes eram a carne de porco, o cebolinho, o molho de peixe e o molho de soja. No entanto, isso mudou quando imigrantes chineses o trouxeram para Penang, na Malásia, e começaram a incorporar frutos do mar e outros ingredientes comuns na região.

É uma receita rápida, fácil de preparar e fica uma delicia, experimentem e vão ver!

INGREDIENTES
(4 DOSES)

250 g de noodles
4 colheres (de sopa) de óleo
6 dentes de alho
20 camarões
4 colheres (de chá) de piri-piri
3 colheres (de sopa) de molho de soja
120 ml de água
240 g de rebentos de feijão mungo
80 g de linguiça
4 ovos
Pimenta preta a gosto
Sal a gosto
8 talos de cebolinho
40 berbigões (opcional)


PREPARAÇÃO

Numa panela, com água a ferver, coloque os noodles. Assim que estiverem cozinhados, coe com uma peneira e enxague em água fria. Reserve.

Pique finamente o alho, descasque os camarões, corte a linguiça e os talos de cebolinho em pedaços.

Divida os ingredientes em quatro porções iguais e frite cada porção separadamente. Use uma frigideira quente ou wok em fogo alto.

Aqueça a frigideira ou o wok no lume e adicione o óleo de cozinha quando a frigideira estiver quente. Acrescente o alho, mexa, acrescente os camarões e frite.
Adicione o piri-piri e mexa rapidamente. Adicione depois os noodles e 2 colheres (de chá) de molho de soja. Mexa bem por cerca de 1 minuto. Junte cerca de 1 colher (de sopa) de água e sal a gosto.

Acrescente os rebentos de feijão mungo e continue a fritar por cerca de 1-2 minutos. Junte a linguiça e misture bem com os demais ingredientes. Adicione outra colher (de sopa) de água e mexa bem.

Faça um buraco no meio da wok movendo o conteúdo para os lados. Adicione 1 colher (de chá) de óleo e o ovo. Adicione mais 1 colher (de chá) de molho de soja e a pimenta preta moída. Mexa o ovo até ficar meio cozido e bem misturado com os noodles.
Junte depois o cebolinho e o berbigão (opcional), mexa tudo bem antes de desligar o fogo e está pronto a servir.

 

Receita retirada com adaptações do site ingmar.app

 

Qua | 03.02.21

Batu Caves | Malásia

Com tempo livre em Kuala Lumpur, resolvi explorar os arredores da cidade e visitar as famosas cavernas Batu. Eu não tinha bem a certeza do que esperar, mas uns amigos tinham-me dito que valia a pena e que as cavernas eram incríveis, por isso não ia perder a oportunidade de as ver.

fullsizeoutput_5561Fotos: Travellight e H. Borges

Chegar foi fácil. Bastou apanhar o comboio em KL Sentral e em 30 minutos estava lá.

A imensa estátua dourada do Deus hindu Murugan, que fica à frente das belas formações naturais, prendeu logo a minha atenção. A primeira impressão que tive foi que neste lugar tudo era “excessivo”. Quase como uma atração da Disneyland.
Muitas esculturas coloridas, muitos macacos, muitas escadas, muita gente…
As cavernas em si, são realmente bonitas e interessantes de explorar, mas devo confessar que tudo o resto, me pareceu demasiado artificial.

Concentrei-me por isso no lado que achei mais positivo: o elemento natural — as cavernas.
Na verdade, existem 4 que são: a Caverna do Templo, a Caverna Escura, a Caverna da Vila e a Caverna Ramayana.

Diz-se que os primeiros habitantes deste local foram os Bersisi, ou a tribo Temuan, mas que só na década de 1860, quando os colonos imigrantes chineses, que vinham para a Malásia, começaram a extrair o abundante guano (fezes de aves e morcegos) das cavernas para fertilizar as suas fazendas é que este lugar atraiu a atenção das autoridades coloniais britânicas e do naturalista americano William Hornaday (famoso por ser o primeiro diretor do Jardim Zoológico do Bronx, em Nova York), e a sua existência foi registada nos arquivos mundiais.

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O santuário surgiu em 1891, quando um comerciante indiano chamado Thamboosamy Pillai, fascinado pela entrada da caverna que se assemelhava fortemente a um 'vel' - a cabeça de uma lança celestial carregada pela divindade hindu Murugan — defendeu a transformação deste local num local de adoração.
Na década de 1920, um conjunto de degraus de madeira que vão do solo até ao "vel" foi construído para ajudar o número crescente de devotos a subir até a caverna do templo de 120 metros de altura.
Com mais devotos vieram mais ofertas, e os degraus de madeira foram substituídos pelos degraus de concreto que vemos hoje.

Ao longo dos anos as Batu Caves transformaram-se num local de peregrinação não apenas para os hindus da Malásia, mas também para todo o mundo e hoje é considerado o santuário hindu mais importante fora da Índia.

A caverna principal (caverna do templo) é realmente extraordinária. Grande como uma imensa catedral, com paredes que se estendem até ao céu e morcegos e pássaros a voar alto. Os macacos estão por todo o lado e efetivamente mandam no local.

Próximo da entrada, há uma versão gigantesca do deus hindu Hanuman, e um templo a ele dedicado, mas para chegar ao templo principal há que subir 272 escadas coloridas. À esquerda dessas escada está a estátua mais alta do mundo do Deus Murugan. Tem 43 metros de altura e brilha ao sol. Quase nos ofusca a vista quando o sol bate diretamente na tinta dourada.

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A maioria dos macacos que encontramos pelo caminho não são muito amigáveis. São bastante territoriais e podem ser agressivos com os visitantes porque se habituaram a roubar tudo o que remotamente se pareça com comida. A culpa não é deles, mas dos turistas que ao longo dos anos criaram esse hábito. Agora os animais não só aguardam, como exigem ser alimentados.

Se levarem garrafas de água, refrigerantes, sandes, batatas fritas ou outros snacks, quando visitarem este local, tenham a atenção de esconder tudo nas mochilas ou então preparem-se para um ataque.
Máquinas fotográficas e óculos de sol, também devem estar bem protegidos ou podem acabar como o novo brinquedo do líder do bando.

Eu, pessoalmente, senti que se respeitasse os macacos, não mostrasse medo e não gritasse para eles se afastarem (como vi muitas pessoas a fazer) eles deixavam-me seguir o meu caminho sem qualquer interferência.

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No topo das escadas, encontrei então a incrível caverna do templo. Tem uma abertura como uma claraboia  através da qual brilham os raios de sol e espreita a bonita floresta tropical.
Diz-se que o calcário que forma as cavernas Batu tem cerca de 400 milhões de anos. Essa perceção faz-nos sentir pequenos e humildes e dá lugar a um sentimento místico, exacerbado pela luz mágica que inunda o local.

No interior, existem alguns templos hindus, com seus pujari (sacerdotes) que abençoam os visitantes.
Há altares com muitas estátuas, frutas, velas e flores, que são deixadas de oferta aos deuses. O ambiente é saturado e “explode” em cor.

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A Caverna Escura também fica no topo das escadas. Tem de se pagar uma taxa para entrar lá e ela só pode ser visitada com um guia. A caverna abriga morcegos, insetos e algumas aranhas raras… eu achei um lugar muito interessante, mas não diria que é para todos...

As outras cavernas estão localizadas na parte inferior das escadas. A Caverna Ramayana está cheia de estátuas iluminadas por luzes led e pode parecer muito kitsch para os visitantes ocidentais, mas tudo isso faz parte da cultura hindu e não cabe ao visitante julgar.
A Caverna da Vila, disseram-me, é um bom lugar para aprender mais sobre o hinduísmo, mas eu optei por não visitar porque li que naquele local são mantidos animais em muito más condições. Eu não vi, por isso não posso confirmar ou desmentir.

Para entrar nos templos existe um código de vestuário: ombros e joelhos devem estar cobertos. Quem não tiver como o fazer, pode alugar um lenço na entrada.

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As cavernas estão abertas o ano todo, das 7h às 20h (agora com a pandemia, não sei). Eu visitei num dia de semana e muito cedo. De manhãzinha não havia muita gente, mas quando desci as escadas, já estavam imensas (mesmo imensas) pessoas, por isso imagino que nos fins de semana se deve assistir a verdadeiras enchentes.

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