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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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Inspiração, informação e Dicas de Viagem

ESTADO ZEN

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Estava uma tarde muito quente, a humidade e o calor eram tão elevados que o ar tornava-se quase irrespirável.

 

Eu andava a passear pelas ruas agitadas de Colombo há mais de três horas e já me sentia um pouco cansada quando cheguei até ao lago Beira.

 

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Os meus olhos foram imediatamente atraídos para o templo budista que estava no seu centro.

 

Nessa altura eu não sabia o que era aquele lugar nem sequer que nome tinha mas pareceu-me um lugar tão bonito que naturalmente encaminhei-me para lá.

 

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É engraçado… há lugares que podem parecer muito simples e aos olhos dos outros não terem nada de especial, mas que em nós, por alguma razão, despertam uma forte impressão e fazem-nos sentir seguros e longe das preocupações do mundo.

 

O templo Seema Malaka teve esse efeito em mim.

 

Afastado do barulho e da confusão das ruas da capital do Sri Lanka, este pequeno oásis revelou-se um lugar de calma e paz onde pude descansar o físico e recuperar a alma, que por variados motivos encontrava-se fraca na altura.

 

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Ao entrar neste templo senti de imediato uma energia, uma serenidade e uma paz que dificilmente consigo explicar de maneira racional.

 

Talvez essa sensação seja aquilo que o budismo descreve como estado zen.

 

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Sempre considerei-me (e continuo a considerar) uma pessoa mais racional do que espiritual. Tenho a minha fé mas nunca deixei de questionar e tentar compreender o que andamos todos por aqui a fazer. Daí que aquela emoção forte foi no mínimo surpreendente para mim.

 

Inicialmente tentei relevar e atribuir aquele sentimento à minha fragilidade emocional da altura.

 

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Quando entrei, comecei logo a fotografar tudo: as bonitas imagens Budistas, o templo, o lago, os reflexos na água (tinha começado a chover entretanto) mas algo em mim pedia para parar, para respirar, para deixar-me “sentir”.

 

Foi o que fiz - e não - não tive nenhuma revelação espectacular, nem saí dali “iluminada” mas, de certa forma eu compreendi, ou melhor ainda, eu aceitei que precisava de mudar. Mudar de vida, mudar de ritmo, mudar as prioridades, se queria ter a chance de voltar a sentir-me feliz e com um propósito nesta vida.

 

Um tempo mais tarde, por curiosidade li algo sobre o Budismo Zen e encontrei uma citação que me fez sorrir e voltar aquele momento no templo:

 

"A vida e a morte são de suprema importância, o tempo passa rapidamente e a oportunidade perde-se. Cada um de nós deve esforçar-se para despertar. Desperte, tome cuidado, não desperdice a sua vida".- Dogen Zenji

 

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Fiquem bem😊

 

Bom fim de semana!

Travellight

A VIAGEM DA MINHA VIDA

Olá amigos viajantes,

Alguma vez pensaram porque gostam de viajar? ou o que é que as viagens significam para vós?


No decorrer das minhas viagens fiz incontáveis quilómetros em carripanas velhas, autocarros a cair aos bocados e táxis bafientos. Já me aconteceu um pouco de tudo nos transportes públicos das dezenas de países que visitei - coisas engraçadas, coisas desagradáveis e algumas até assustadoras, mas regra geral, com as devidas excepções, as grandes viagens na estrada ou de comboio permitem-nos pensar, meditar e acrescentar à viagem física uma viagem espiritual.

 

Muitas vezes, durante esses tempos mortos, em que me distraio a ver a paisagem correr como um filme na janela, dou por mim a pensar que seria tão bom se a viagem da vida fosse tão fácil como planear uma viagem ao México, a Itália  ou à Tailândia

 

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Bastava estudar um pouco o destino, decidir a melhor maneira de chegar de A a B, fazer a mala com tudo o que precisamos, apreciar o passeio e gozar as atracções.

 

Quando comecei este blog escolhi assinar os meus posts como travellight porque gosto de “viajar leve”, nunca levo mais do que uma pequena mala de mão comigo, mas infelizmente nem sempre consigo que a minha mente e o meu coração viajem igualmente leves.

 

No dia a dia, na nossa vida pessoal e profissional ou de estudante estamos cercados de situações stressantes e desafiadoras e muitas vezes sentimo-nos assoberbados com o trabalho com as exigências de chefes, colegas, família, etc., ficamos presos a uma rotina que nos desmotiva e destrói por dentro.

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Quando comecei a viajar acho que procurava fugir dessa rotina, dessa prisão que muitas vezes não me deixava nem respirar. Andava sempre a correr, tinha sempre pressa, parecia o coelho da história da Alice no País das Maravilhas, aquele que anda sempre com um relógio a correr e a gritar “estou atrasado!, estou atrasado!”

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A sensação de estar “na estrada” fazia sentir-me bem, era como se no caminho eu pudesse de repente descobrir a chave para tudo isto - quem eu era, para onde ia , qual era a minha “missão” na vida. Acho que foi isso que me fascinou - em algum lado do mundo havia de haver uma resposta para mim! - por isso corri continentes, visitei cidades, perdi-me na natureza e amei cada momento desses.

 

Mas claro que cedo percebi que a coisa não era assim tão fácil...

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A verdade é que nem em viagem eu conseguia “desligar-me”, o telemóvel volta e meia tocava e levava-me a mil por hora de volta para o escritório e para os problemas.


Muitos anos mais tarde, consegui finalmente desligar o tm quando partia e achei que aquela era a solução. Agora já podia “fugir” realmente. Ajudou, mas não resolveu.

 

Não basta mudar de lugar, tu podes fugir dos problemas mas não podes fugir de ti. Enquanto não “te resolveres” nada mais se resolve.

 

A Vonda Shepard cantora que fez a banda sonora da série Ally McBeal (os mais novos não devem conhecer…) tinha uma canção intitulada “serchin' my soul tonight” que neste momento assenta como uma luva no meu estado de espírito quando em viagem.

 

Na canção ela canta sobre o fim de um relacionamento amoroso e a descoberta de que o mundo não acaba ali e que se pode renascer outra vez. No meu caso, cada viagem, não tem obviamente a ver com o fim de um relacionamento, até porque graças a Deus tenho sido muito feliz e abençoada nessa área. Mas continuo à procura de um sentido, de um norte para a minha vida, às vezes acho que nunca cresci realmente…

 

Há poucos meses atrás decidi reestruturar as minhas prioridades na vida. Resolvi deixar um emprego stressante que já não me preenchia nem acrescentava a não ser financeiramente e partir finalmente para a maior viagem da minha vida - a viagem ao interior de mim mesma.

 

Estou “borrada” de medo com a “loucura” que fiz mas acho que estou feliz. Digo “acho” porque ainda não digeri todas as alterações que recentemente introduzi na minha vida.

 

É muito difícil parar quando sempre estiveste a correr mas é preciso ter fé em ti e acreditar que no fim tudo vai correr bem... pelo menos espero que sim! 😜

 

 

“Procuro a minha alma esta noite
Eu sei que há muito mais na vida
Agora eu posso ver uma luz a brilhar
E consigo encontrar o meu caminho de volta para casa

 

Uma a uma, as correntes ao meu redor partem-se
A cada dia eu sinto que posso deixar esses anos para trás

 

Querido, tenho me segurado toda a minha vida
Agora decidi mover-me
E deixar todas as preocupações para trás”

 

Excertos traduzidos da canção serchin' my soul tonight de Vanda Shepard
Podem ouvir a canção aqui

 

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Tchau!

Travellight

TURISTA OU VIAJANTE?

Olá amigos viajantes!

 

Hoje é o dia Internacional do Turismo. Este é um dia que visa mostrar a importância do turismo e do seu valor cultural, económico, político e social, através de iniciativas realizadas em vários países do mundo.

 

O tema deste ano é "Turismo para Todos – promover a acessibilidade universal”. 

Este tema fez-me pensar um pouco sobre quem viaja e porquê viaja.

 

O nosso planeta parece cada vez mais pequeno, viajar é mais fácil (e mais barato) do que nunca, mas há coisas que nunca mudam.

 

Desde a antiguidade que sempre se considerou existirem dois tipos de pessoas que viajam: o "turista" e o "viajante"

 

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Ao longo dos anos cruzei-me por diversas vezes com estas duas "espécies". E é engraçado perceber a forma como cada um encara o acto de viajar. Uma vez disseram-me que o turista viaja pelo livro e o viajante escreve o livro.

 

Será realmente assim?

 

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À primeira vista as diferenças são óbvias:  o turista gosta de viajar com conforto, sair de casa sem sentir que realmente saiu. Ir para o meio da selva  e ficar hospedado num hotel 5 estrelas, almoçar e jantar em restaurantes de luxo, de preferência com uma ementa semelhante àquela que consumiria na sua própria cidade e país e parar apenas nas atracções turísticas para tirar as fotos e as selfies da praxe fazendo poses ou caretas. Fica no máximo 15 dias fora do seu país.

 

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Aqueles que se consideram "verdadeiros viajantes" muitas vezes olham com algum desdém para o dito "turista".

 

O viajante gosta de se distanciar e dizer que viaja para mergulhar na cultura local, viaja para interagir com os habitantes locais, para aprender e experimentar coisas novas. Viaja por um mês ou mais, dorme onde calha, come onde pode e fotografa com o coração.

 

O viajante - dizem - viaja,  o turista faz férias.

 

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Pode ser... em muitos casos é mesmo assim.

 

No entanto eu sou da opinião que podemos usar as palavras "turista" e "viajante" alternadamente sem comprometer-mo-nos com um título ou com outro; Ambos viajam, por isso em bom rigor, e literalmente, ambos são viajantes.

 

Podemos ser "turistas" num dia e "viajantes" no outro. Dormir num bom hotel, ver e fotografar os monumentos e atracções populares hoje e amanhã acampar, explorar sozinhos a cidade e os locais menos conhecidos, fotografar cores, pessoas e detalhes.

 

As duas experiências podem ser boas.

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Não acredito que deva existir preconceito entre as duas "classes".

 

Tendo já estado dos dois lados da barricada, hoje em dia considero que o importante é viajar. A extensão e profundidade da viagem vai depender de quem somos, do que queremos e até do que precisamos em certo momento da nossa vida.  

 

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Pode haver aspectos no turismo organizado que nos desagradam - no meu caso muitos até - todos sabemos que assim que um lugar se torna popular os preços sobem, os locais perdem a "inocência" e aprendem a explorar os  visitantes, lugares que outrora eram silenciosos e paradisíacos enchem-se de gente pouco preocupada com a preservação do ambiente, etc, etc. Mas também é verdade que o turismo organizado cria muitos postos de trabalho, ajuda economias precárias e permite a muito mais pessoas conhecer o nosso mundo.

 

Nem todos tem coragem, ou vontade, de embarcar sozinhos numa aventura sem plano definido. Nem todos gostam de dormir no chão ou transportar uma mochila às costas e nem todos tem saúde para isso. Se não tivessem a hipótese de ir num tour organizado provavelmente nunca sairiam do país e isso não seria justo. Viajar é uma das melhores coisas que podemos fazer na vida. Cabe a cada um saber como o quer ou pode fazer.

 

Qual é a vossa opinião?

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As imagens que ilustram o post são da Holidify.

 

Travellight