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The Travellight World

Inspiração, informação e Dicas de Viagem

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FOTOS COM HISTÓRIA E POESIA I LISBOA

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Esta foto retrata um dos meus reencontros com a cidade de Lisboa.

 

Sempre que estou fora do país por algum tempo e volto, percebo o quanto ainda gosto da minha cidade - da sua luz, das suas cores, do rio, dos bairros típicos, do castelo…

 

Já corri mundo mas é por Lisboa que o meu coração continua a bater mais forte  😍

 

 

Lisboa

(Sophia de Mello Breyner Andresen (1977), in Obra Poética, 2011)

 

"Digo:

“Lisboa”
Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –


Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo


Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construida ao longo da sua própria ausência


Digo o nome da cidade
– Digo para ver"

FOTOS COM HISTÓRIA E POESIA I AÇORES

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Esta foto que tirei em São Miguel é um dos mais belos cartões postais da ilha e a prova da beleza indescritível deste arquipélago

 

 

AÇORES

(Sophia de Mello Breyner)

 

Há um intenso orgulho
Na palavra Açor
E em redor das ilhas
O mar é maior

 

Como num convés
Respiro amplidão
No ar brilha a luz
Da navegação

 

Mas este convés
É de terra escura
É de lés a lés
Prado agricultura

 

É terra lavrada
Por navegadores
E os que no mar pescam
São agricultores

 

Por isso há nos homens
Aprumo de proa
E não sei que sonho
Em cada pessoa

 

As casas são brancas
Em luz de pintor
Quem pintou as barras
Afinou a cor

 

Aqui o antigo
Tem o limpo do novo
É o mar que traz
Do largo o renovo

 

E como num convés
De intensa limpeza
Há no ar um brilho
De bruma e clareza

 

É convés lavrado
Em plena amplidão
É o mar que traz
As ilhas na mão

 

Buscámos no mundo
Mar e maravilhas
Deslumbradamente
Surgiram nove ilhas

 

E foi na Terceira
Com o mar à proa
Que nasceu a mãe
Do poeta Pessoa

 

Em cujo poema
Respiro amplidão
E me cerca a luz
Da navegação

 

Em cujo poema
Como num convés
A limpeza extrema
Luz de lés a lés

 

Poema onde está
A palavra pura
De um povo cindido
Por tanta aventura

 

Poema onde está
A palavra extrema
Que une e reconhece
Pois só no poema

 

Um povo amanhece

 

A FELICIDADE

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Um destes dias, a passear no Terreiro do Paço, em Lisboa, deparei-me com um artista de rua que fazia bolas de sabão enormes  e enchia todos que estavam à sua volta de alegria.

 

Crianças e pais, cães, turistas e até fotógrafos de ocasião, todos se divertiam com as belas bolas.

 

É incrível como uma coisa tão simples e efémera pode trazer-nos tanta felicidade!

 

 

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

 

(excerto de "A Felicidade" de Vinicios de Morais)

FOTOS COM HISTÓRIA E POESIA I QUANTO FUI PEREGRINO

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Tirei esta foto em Hong Kong. Ela mostra um peregrino a percorrer uma pequena parte do caminho para o Mosteiro The Po Lin e para a estátua Tian Tan Buddha (Buda Gigante).

 

A trilha é toda feita de degraus, tem 10 km e é sempre a subir, por isso chegar até ao topo é uma verdadeira peregrinação.

 

 

QUANTO FUI PEREGRINO

Fernando Pessoa

 

Quanto fui peregrino
Do meu próprio destino!
Quanta vez desprezei
O lar que sempre amei!
Quanta vez rejeitando
O que quisera ter,
Fiz dos versos um brando
Refúgio de não ser!

 

E quanta vez, sabendo
Que a mim estava esquecendo,
E que quanto vivi —
Tanto era o que perdi —
Como o orgulhoso pobre
Ao rejeitado lar
Volvi o olhar, vil nobre
Fidalgo só no chorar...

 

Mas quanta vez descrente
Do ser insubsistente
Com que no Carnaval
Da minha alma irreal
Vestira o que sentisse
Vi quem era quem não sou
E tudo o que não disse
Os olhos me turvou...

Então, a sós comigo,
Sem me ter por amigo,
Criança ao pé dos céus,
Pus a mão na de Deus.
E no mistério escuro
Senti a antiga mão
Guiar-me, e fui seguro
Como a quem deram pão.

 

Por isso, a cada passo
Que meu ser triste e lasso
Sente sair do bem
Que a alma, se é própria, tem,
Minha mão de criança
Sem medo nem esperança
Para aquele que sou
Dou na de Deus e vou.

FOTOS COM HISTÓRIA E POESIA I A LUZ QUE VEM DAS PEDRAS

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Esta fotografia foi tirada em English Bay, Vancouver, Canada e mostra o Inukshuk - um dos símbolos da cidade.

 

A palavra inuksuk significa “aquele que age na capacidade de um ser humano.

 

Os Inukshuk são estruturas ou marcos de pedra construídos e utilizadas por povos do região ártica da América do Norte e são encontrados do Alasca à Gronelândia.

 

Nesta região, acima do Círculo Polar Ártico, há poucos pontos de referência naturais, por isso estas estruturas em pedra eram usadas para ajudar na navegação, para marcar locais de pesca ou caça, acampamentos, locais de veneração, etc.

 

Adoro esta foto porque capta o momento em que o sol se põe, exactamente dentro da figura, iluminando-a e dando-lhe uma aparência ainda mais imponente.

 

 

A Luz que Vem das Pedras
Pedro Tamen

 

A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra,
tu a colhes, mulher, a distribuis
tão generosa e à janela do mundo.
O sal do mar percorre a tua língua;
não são de mais em ti as coisas mais.
Melhor que tudo, o voo dos insectos,
o ritmo nocturno do girar dos bichos,
a chave do momento em que começa o canto
da ave ou da cigarra


— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere
a corda do que em ti faz acordar
os olhos densos de cada dia um só.
Quem está salvando nesta respiração
boca a boca real com o universo?

FOTOS COM HISTÓRIA E POESIA I AMAR!

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Fotografei este casal apaixonado na margem do rio Tejo em Lisboa, numa manhã de Sábado fria e nublada.

 

Parece que não há nada melhor que o amor para nos aquecer não é? 😊   

 

 

"AMAR!

Florbela Espanca

 

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

 

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

 

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

 

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar... "

FOTOS COM HISTÓRIA E POESIA I CAIS

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Esta foto foi tirada ao entardecer em Nyhavn, em Copenhaga na Dinamarca.

 

Esta zona, antigo porto comercial, foi hoje convertida em zona de lazer. As velhas casas foram renovadas e são agora restaurantes.

 

Nyhavn está repleta de pessoas que diariamente aproveitam o ambiente descontraído do canal.

 

Eu era mais uma dessas pessoas que ao entardecer aproveitava a música jazz e a excelente comida quando observei uma largada de balões de ar quente sobre as docas. Este pequeno detalhe transformou o cenário, já de si belo, num dos momentos mais inesquecíveis da minha visita a Copenhaga.

 

 

" CAIS

  Fernando Namora

 

Ténue é o cais 

no Inverno frio.


Ténue é o voo 

do pássaro cinzento. 

 

Ténue é o sono

que adormece o navio.

 

No vago cais 

do balouço da bruma 

ténue é a estrela 

que um peixe morde. 

 

Ténue é o porto

nos olhos do casario. 

Mas o que em fora nos dilui 

faz-nos exactos por dentro."

 

FOTOS COM HISTÓRIA E POESIA I GATO QUE BRINCAS NA RUA

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Fotografei este gatinho em Mértola, Alentejo.

 

Ele estava tão absorvido a observar um passarinho que cantava na árvore que nem reparou que outro pássaro pousara mesmo ao seu lado e o engraçado é que este pássaro também ficou a olhar para o que estava em cima da árvore 😀.

 


"Gato que brincas na rua

Fernando Pessoa

 

Gato que brincas na rua

Como se fosse na cama,

Invejo a sorte que é tua

Porque nem sorte se chama.

 

Bom servo das leis fatais

Que regem pedras e gentes,

Que tens instintos gerais

E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,

Todo o nada que és é teu.

Eu vejo-me e estou sem mim,

Conheço-me e não sou eu. "

FOTOS COM HISTÓRIA E POESIA I CISNE

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Esta foto foi tirada numa manhã bem fria no Palácio Nymphenburg, em Munique, Alemanha.


A neve que tinha caído na noite anterior transformou este belo cenário num autêntico postal de Inverno.

 

Cisne

Pedro Homem de Mello, in "Adeus"

 

Amei-te? Sim. Doidamente!
Amei-te com esse amor
Que traz vida e foi doente...

 

À beira de ti, as horas
Não eram horas: paravam.
E, longe de ti, o tempo
Era tempo, infelizmente...

 

Ai! esse amor que traz vida,
Cor, saúde... e foi doente!

 

Porém, voltavas e, então,
Os cardos davam camélias,
Os alecrins, açucenas,
As aves, brancos lilases,
E as ruas, todas morenas,
Eram tapetes de flores
Onde havia musgo, apenas...

 

E, enquanto subia a Lua,
Nas asas do vento brando,
O meu sangue ia passando
Da minha mão para a tua!

Por que te amei?


                           — Ninguém sabe


A causa daquele amor
Que traz vida e foi doente.

 

Talvez viesse da terra,
Quando a terra lembra a carne.
Talvez viesse da carne
Quando a carne lembra a alma!
Talvez viesse da noite
Quando a noite lembra o dia.

 

— Talvez viesse de mim.
E da minha poesia...

 

FOTOS COM HISTÓRIA E POESIA I A ÁRVORE DA VIDA

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Tirei esta foto no Senegal, no Royal Lodge Hotel.

 

Esta árvore majestosa plantada em frente ao mar e que podíamos ver a partir da piscina do hotel impressionava pela sua aparência de força e grandiosidade.

 

A árvore do baobá, símbolo do Senegal, é muito mais do que uma simples árvore de grande porte.

 

O baobá personifica o espírito africano. É considerada a árvore da vida, e tem uma importância única para tribos inteiras.

  

Diante delas, os nativos reuniam-se porque acreditavam que o espírito do Baobá os ajudava a tomar decisões importantes.

  

Ela também é considerada uma fonte de fertilidade e a solução medicinal para muitos males. Há uma lenda no Senegal que diz que se um morto for sepultado dentro de um baobá, sua alma irá viver enquanto a planta existir.

 

Outra lenda diz que antes de serem embarcados nos navios negreiros, os escravos africanos, sob chibatadas, eram obrigados a dar dezenas de voltas em torno de um imenso baobá, enquanto depositam suas crenças, suas origens, seu território e sua essência, para em seguida serem baptizados na fé cristã e enviados para o cativeiro.

 

Por isso, em muitos locais o baobá passou a ser chamado de árvore do esquecimento, pois os escravos deixavam ali toda sua memória e sabedoria. 

 

 

"A  Árvore da Vida

Beti Martins

 

Quando meditava,

sobre a minha vida,

deparei comigo em frente

de uma árvore linda.


Era grande e robusta,

com vigor e até bela,

forte e segura

mas que me aquietou ...


Quantos anos foram precisos,

para crescer e se tornar bela,

era uma metáfora da vida

pois ela não era ela.

 

Na linda árvore,

vi os traços de vida,

em cada ramos e folhas

o que ela nos ensinava.

Ventos forte, chuvas ,

sol quente e até a sede

nada deixava a árvore

ficar sem vida e sim mais forte.


Então meditando o porquê ?

de tanta segurança ,

de tanta vontade de viver

eu descobri algo...


Que na linda árvore,

estavam esquecidas as raizes,

que no solo escondidas,

choravam de alegria.

Eram elas que sustentavam,

sem pedir nada em troca,

mesmo que ninguém o viesse,

eram elas o elo da vida.


Assim é nossa vida,

como esta linda árvore

pode ser linda e forte

mas a luz e a alma

são a fonte da vida."